O Ibovespa Futuro opera em baixa nesta segunda-feira (28), pressionado principalmente pela valorização do petróleo no mercado internacional e pela cautela dos investidores diante de novas pesquisas eleitorais no Brasil. Às 9h04, o contrato recuava 0,78%, aos 183.270 pontos.
O movimento ocorre em uma manhã marcada por vários fatores capazes de aumentar a volatilidade dos ativos. No cenário externo, o impasse entre Estados Unidos e Irã voltou a colocar o mercado de energia no centro das atenções. No Brasil, além das eleições, os investidores receberam novas projeções econômicas no Boletim Focus.
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Um dos principais elementos por trás da queda dos contratos futuros da Bolsa brasileira é a disparada das cotações do petróleo.
Os preços avançaram depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma proposta apresentada pelo Irã relacionada à reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo. As negociações, porém, permanecem no radar e há expectativa de novos contatos diplomáticos durante a semana.
Na manhã desta segunda, o Brent chegou a registrar alta superior a 3%, enquanto o WTI também avançava. Em determinado momento, o Brent era negociado acima de US$ 108 por barril.
A preocupação para os investidores não está apenas no preço da commodity. Uma alta persistente do petróleo pode aumentar os custos de combustíveis, transporte e outros insumos, criando pressão adicional sobre a inflação global.
O próprio Banco Central destacou no Relatório de Política Monetária de setembro que a escalada dos conflitos no Oriente Médio e os preços elevados de energia representam riscos para o cenário econômico internacional.
Por que o petróleo afeta a Bolsa brasileira?
O impacto ocorre por diferentes canais. Empresas ligadas à produção de petróleo podem se beneficiar de preços internacionais mais elevados, mas setores dependentes de combustíveis enfrentam aumento de custos.
Além disso, um choque prolongado de energia pode dificultar a trajetória de desaceleração da inflação. Isso influencia as expectativas para os juros e, consequentemente, a precificação de ações, títulos públicos e câmbio.
Para o mercado brasileiro, portanto, a reação ao petróleo não depende apenas do desempenho das empresas produtoras. O efeito sobre inflação, juros e atividade econômica também entra na conta dos investidores.
Focus eleva projeção para inflação de 2026
No ambiente doméstico, outro ponto de atenção foi a nova edição do Boletim Focus, pesquisa que reúne as expectativas de instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos.
A mediana para o IPCA de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%. Para o fim do ano, o mercado passou a projetar dólar em torno de R$ 5,20, crescimento de 1,86% do PIB e Selic de 13,50%, segundo os dados divulgados nesta segunda-feira.
É importante destacar que o Focus não representa uma previsão oficial do Banco Central. O relatório consolida expectativas de instituições participantes do sistema de mercado e é divulgado semanalmente.
A revisão para cima da inflação chama atenção porque ocorre em um momento no qual o mercado acompanha justamente os possíveis efeitos de novas pressões sobre commodities e energia.
Eleições de 2026 também entram no radar

A proximidade do primeiro turno das eleições brasileiras aumenta a atenção dos investidores para as pesquisas de intenção de voto e para possíveis mudanças nas expectativas econômicas associadas ao cenário eleitoral.
Uma pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro no cenário de primeiro turno. O levantamento também apontou diferença de dois pontos percentuais entre os dois em uma simulação de segundo turno, dentro da margem de erro indicada pela pesquisa.
Esses números representam uma fotografia do momento e não determinam o resultado eleitoral. Para o mercado financeiro, porém, pesquisas podem influenciar a percepção sobre incertezas futuras, especialmente quando envolvem expectativas sobre política econômica, contas públicas e regulação.
Outra pesquisa, da Quaest, também estava prevista para ser divulgada nesta segunda-feira, mantendo o cenário eleitoral entre os principais assuntos acompanhados pelos investidores.
O que observar durante o pregão
Além do petróleo e das pesquisas brasileiras, a semana terá uma agenda importante nos Estados Unidos, com indicadores de inflação, atividade econômica e mercado de trabalho.
Os números americanos podem afetar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve e, por consequência, provocar movimentos no dólar, nos juros e nas bolsas internacionais.
Na abertura desta segunda, os contratos futuros de Wall Street também operavam em baixa. O Dow Jones Futuro recuava 0,56%, enquanto S&P 500 e Nasdaq registravam perdas de 0,45% e 0,81%, respectivamente.
No Brasil, o mercado também monitora o comportamento do dólar e dos juros futuros. Com petróleo mais caro e expectativas de inflação em alta, esses ativos podem apresentar maior oscilação ao longo do dia.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
