Os mercados financeiros globais começaram esta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, sob influência principalmente das negociações entre Estados Unidos e Irã, do comportamento do petróleo e da expectativa pela reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. No início do pregão, os futuros de Nova York apontavam para uma abertura próxima da estabilidade, enquanto as bolsas europeias oscilavam em torno da linha d’água.
O petróleo também concentrou a atenção dos investidores. A possibilidade de avanço diplomático no conflito do Oriente Médio ajudou a reduzir a pressão sobre as cotações no começo do dia, enquanto a retomada das operações de um importante oleoduto saudita reforçou as perspectivas de oferta. Ao longo da sessão, porém, o Brent voltou a ganhar força e chegou a superar US$ 100 por barril.
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Na abertura dos negócios, os contratos futuros dos principais índices americanos apresentavam pequenas variações positivas. O Dow Jones futuro avançava 0,11%, enquanto o S&P 500 futuro subia 0,11% e o Nasdaq futuro tinha alta de 0,04%.
O cenário, entretanto, mudou durante a manhã. Na abertura efetiva de Wall Street, os principais índices passaram a registrar perdas, em um movimento associado à alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries. Às 11h41, o Dow Jones caía 0,27%, o S&P 500 recuava 0,27% e o Nasdaq perdia 0,41%.
Além da questão energética, os investidores acompanham a visita de Xi Jinping aos Estados Unidos. A agenda entre os dois governos envolve comércio, tarifas, inteligência artificial e outros temas econômicos e geopolíticos.
PMI dos EUA surpreende positivamente
Outro destaque da agenda foi o PMI preliminar de setembro calculado pela S&P Global. O indicador composto, que reúne indústria e serviços, subiu de 56 em agosto para 58,4 pontos, alcançando o maior nível em 62 meses.
O PMI de serviços avançou de 56,5 para 58,7, enquanto o indicador industrial passou de 53,9 para 57. Como leituras acima de 50 indicam expansão da atividade, os dados apontaram aceleração do setor privado americano no mês.
O resultado ganha importância porque os investidores também avaliam a trajetória dos juros nos Estados Unidos. Uma atividade econômica mais forte pode influenciar as expectativas para a política monetária e, consequentemente, os rendimentos dos títulos e a precificação das ações.
Bolsas europeias oscilam com petróleo no radar
Na Europa, o comportamento dos índices também mudou ao longo da manhã. Os mercados começaram próximos da estabilidade e chegaram a operar em alta, favorecidos pela queda inicial do petróleo e por dados de atividade econômica.
O Stoxx 600 chegou a avançar cerca de 0,2% pela manhã, enquanto ações de tecnologia e indústria ajudavam o índice regional.
Mais tarde, porém, o movimento perdeu força. A recuperação do petróleo e a alta dos juros dos títulos soberanos pressionaram as bolsas europeias. Por volta das 8h20 de Brasília, o Stoxx 600 recuava 0,33%, enquanto DAX, FTSE MIB e CAC 40 também estavam no campo negativo.
Os investidores europeus também receberam dados melhores do que o esperado sobre a atividade econômica da zona do euro. O PMI composto avançou para 53,1 em setembro, sinalizando expansão do setor privado do bloco.
Ásia termina sessão sem direção única
As bolsas asiáticas encerraram o pregão de quarta-feira com desempenhos distintos. O mercado chinês terminou em queda, com o Shanghai Composite recuando 0,39%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,01%.
Na Índia, o Nifty 50 avançou 0,42%, e o ASX 200, da Austrália, ganhou 0,09%. O mercado japonês permaneceu fechado por feriado.
A reunião entre Trump e Xi é um dos principais fatores acompanhados pelos investidores asiáticos. Eventuais avanços nas relações comerciais podem afetar empresas exportadoras, cadeias globais de produção e setores ligados à tecnologia.
Petróleo volta a superar US$ 100
O petróleo permanece entre os ativos mais sensíveis aos acontecimentos no Oriente Médio. No início do dia, o Brent chegou a operar abaixo de US$ 100, refletindo a expectativa de uma solução diplomática e a melhora nas perspectivas de oferta.
Posteriormente, a cotação voltou a subir. O Brent chegou a superar a marca de US$ 100, enquanto o mercado avaliava tanto as negociações entre Washington e Teerã quanto a recuperação do fornecimento saudita.
Para o Brasil, a movimentação é especialmente relevante porque o petróleo influencia empresas produtoras, receitas de exportação e diferentes componentes da formação de preços de combustíveis. Uma alta persistente também pode aumentar preocupações relacionadas à inflação global.
Minério de ferro e Bitcoin

O minério de ferro negociado na bolsa chinesa de Dalian operava com leve valorização, em torno de 712 yuans por tonelada. O comportamento da commodity continua ligado às perspectivas para a atividade industrial chinesa e à demanda das siderúrgicas.
Já o Bitcoin era negociado próximo de US$ 86,2 mil, com pequena queda em relação às 24 horas anteriores. Como ocorre com outros ativos de risco, a criptomoeda permanece sensível às condições de liquidez global, aos juros americanos e ao ambiente geopolítico.
(Foto: Alexander Manzyuk/Reuters)
