O Ibovespa fechou o pregão desta terça-feira (25) em alta de 1,55%, aos 174.576,80 pontos, ampliando para cinco sessões consecutivas a sequência de ganhos. O avanço foi sustentado principalmente por Vale e pelos grandes bancos, enquanto a queda do petróleo pressionou as ações da Petrobras.
No câmbio, o dólar comercial recuou 0,25%, a R$ 5,139. As taxas dos contratos de juros futuros também encerraram o dia em queda.
Apesar da recuperação recente, o mercado brasileiro continua atento ao cenário fiscal, às eleições de 2026, ao fluxo de capital estrangeiro e aos indicadores econômicos que podem influenciar a trajetória dos juros.
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Ibovespa fecha aos 174,5 mil pontos

O principal índice da Bolsa brasileira ganhou 2.670,08 pontos na sessão e chegou a atingir máxima de 174.784,92 pontos.
Com o resultado, o Ibovespa acumula alta de 2,42% na semana e de 8,35% em 2026. Em agosto, porém, o índice ainda registra queda de 1,92%.
A valorização desta terça-feira deu continuidade ao movimento iniciado na segunda (24), quando o índice avançou 0,86%.
Dólar recua e fecha a R$ 5,14
O dólar comercial terminou o pregão cotado a R$ 5,139 na venda, depois de oscilar entre R$ 5,139 e R$ 5,166.
A moeda americana também perdeu força diante de outras divisas de mercados emergentes. A dinâmica do câmbio, entretanto, continua ligada às expectativas para os juros nos Estados Unidos e no Brasil, além das condições fiscais e políticas domésticas.
Vale e bancos impulsionam a Bolsa
Entre os principais destaques positivos do pregão esteve a Vale (VALE3), que subiu 2,04%.
A alta ocorreu no mesmo dia em que o presidente da companhia, Gustavo Pimenta, afirmou que a empresa pode ampliar sua produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano caso avance na exploração do chamado bloco C, em Carajás, no Pará.
Os grandes bancos também tiveram desempenho positivo.
O Banco do Brasil (BBAS3) disparou 5,22%, enquanto Bradesco (BBDC4) ganhou 3,13% e Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 1,83%. O Santander (SANB11) terminou o dia com alta de 0,13%.
O peso dessas empresas na composição do Ibovespa contribuiu significativamente para o avanço do índice.
Petrobras cai com queda do petróleo
Na ponta negativa, as ações da Petrobras foram pressionadas pelo recuo dos preços internacionais do petróleo.
A Petrobras PN (PETR4) caiu 1,80%, enquanto a Petrobras ON (PETR3) recuou 2,05%.
O petróleo Brent para outubro despencou 3,89%, a US$ 88,58 por barril. Já o WTI para setembro caiu 3,12%, para US$ 82,36.
A queda da commodity costuma afetar diretamente as expectativas de receita e geração de caixa das companhias produtoras de petróleo.
A PRIO (PRIO3) também fechou em baixa, de 1,20%.
Braskem despenca 13,11%
A maior pressão negativa entre os principais papéis veio da Braskem (BRKM5), que despencou 13,11%.
A queda ocorreu depois de a companhia anunciar uma recuperação extrajudicial. A B3 também informou a retirada da ação da composição do Ibovespa, com a exclusão efetivada pelo preço de fechamento desta terça-feira.
Entre as demais quedas, Usiminas (USIM5) recuou 2,11%, enquanto Embraer (EMBJ3) perdeu 1,89%.
O que está por trás da alta do Ibovespa?
A valorização da Bolsa brasileira ocorreu apesar da preocupação com a saída de recursos estrangeiros do mercado.
O ambiente internacional ajudou a melhorar o apetite por ativos de risco. Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,30%, o S&P 500 avançou 0,32% e o Nasdaq ganhou 0,66%.
A queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, também ajudou a reduzir a pressão sobre mercados emergentes.
Os investidores ainda acompanham as expectativas em torno dos resultados da Nvidia e os próximos passos da política monetária americana.
Na Europa, as principais Bolsas também terminaram o dia em alta.
Cenário fiscal continua no radar
A sequência de altas do Ibovespa não elimina as preocupações com as contas públicas brasileiras.
O cenário fiscal permanece entre os principais fatores de risco para os ativos domésticos, especialmente diante da aproximação das eleições de 2026.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende avançar em medidas para reduzir despesas obrigatórias e revisar gastos tributários. Segundo ele, o Orçamento de 2027 prevê resultado primário positivo.
As projeções do mercado, contudo, ainda indicam um quadro fiscal desafiador.
O Prisma Fiscal de julho, divulgado pelo Ministério da Fazenda, apontou mediana de déficit primário do governo central de R$ 58,077 bilhões para 2026.
Arrecadação federal também chama atenção
Outro ponto acompanhado pelos investidores é o comportamento da arrecadação.
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A arrecadação federal de julho foi estimada em R$ 289,346 bilhões, segundo os dados divulgados no contexto da cobertura do mercado, representando crescimento real de 8,97% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
A Receita Federal, entretanto, informou nesta terça-feira que a coletiva de imprensa sobre a arrecadação precisou ser remarcada por questões logísticas.
Por isso, os números devem ser considerados em conjunto com a divulgação e análise oficial do órgão.
O que esperar para a Bolsa na quarta-feira?
A agenda econômica da quarta-feira (26) terá indicadores capazes de influenciar as expectativas dos investidores.
No Brasil, o principal destaque será o IPCA-15 de agosto, considerado uma prévia da inflação oficial. O resultado poderá alterar as apostas do mercado para a trajetória da taxa Selic.
Nos Estados Unidos, os investidores acompanharão novos dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e o PCE, índice de preços de gastos com consumo pessoal acompanhado de perto pelo Federal Reserve.
Os indicadores americanos podem mexer com as expectativas sobre os juros dos Estados Unidos e, consequentemente, com o fluxo de recursos para mercados emergentes.
Alta de cinco pregões significa mudança de tendência?
Não necessariamente.
O avanço consecutivo do Ibovespa mostra uma recuperação relevante no curto prazo, mas não é suficiente, isoladamente, para confirmar uma mudança estrutural na direção do mercado.
Investidores ainda precisam acompanhar fatores como inflação, juros, contas públicas, fluxo estrangeiro, eleições e desempenho das principais commodities.
Para quem investe em ações, também é necessário separar o movimento do índice do desempenho individual das empresas. A sessão desta terça-feira mostrou justamente essa diferença: enquanto Vale e bancos avançaram, Petrobras e Braskem sofreram fortes perdas.
O que o investidor deve acompanhar?

Nos próximos pregões, os principais pontos de atenção são:
- divulgação de indicadores de inflação;
- trajetória da Selic e dos juros futuros;
- dados econômicos dos Estados Unidos;
- comportamento dos Treasuries;
- fluxo de investidores estrangeiros;
- situação fiscal brasileira;
- pesquisas e acontecimentos relacionados às eleições;
- preços internacionais do petróleo e do minério de ferro;
- resultados e perspectivas das grandes empresas brasileiras.
A combinação desses fatores será determinante para saber se o movimento recente de recuperação do Ibovespa terá continuidade.
Conclusão
O Ibovespa encerrou esta terça-feira (25) aos 174.576,80 pontos, com alta de 1,55% e a quinta valorização consecutiva. Vale e os grandes bancos deram sustentação ao índice, enquanto Petrobras foi pressionada pela queda do petróleo e Braskem despencou após anunciar recuperação extrajudicial.
O dólar também terminou o dia em baixa, a R$ 5,139.
Apesar do bom desempenho recente, o cenário ainda exige cautela. A situação fiscal brasileira, a proximidade das eleições e os próximos indicadores de inflação e atividade econômica devem continuar determinando o humor dos investidores.



