O mercado de delivery no Brasil vive um dos seus momentos mais tensos e estratégicos em 2026. Enquanto o iFood consolidou sua presença como líder no setor, a chegada de novos concorrentes globais e a corrida por inteligência artificial transformaram o setor em um campo de batalha tecnológico, financeiro e até jurídico.
Escândalo no delivery: iFood relata espionagem e ofertas suspeitas
iFood denuncia assédio internacional por informações de IA e estratégias, elevando tensão na disputa do mercado de delivery no Brasil.
Em meio a esse cenário, o iFood afirma ser alvo de assédio por parte de consultorias internacionais, que estariam oferecendo pagamento a funcionários em troca de informações estratégicas, especialmente relacionadas ao LCM (Large Commerce Model), tecnologia de IA que sustenta o Ailo, sistema que permite realizar pedidos via comandos de voz ou texto no WhatsApp.
Segundo a empresa, mais de 35 colaboradores já teriam sido procurados nas últimas semanas por supostos analistas de consultorias estrangeiras, principalmente asiáticas, com ofertas que vão de US$ 100 a US$ 500 por hora — aproximadamente R$ 500 a R$ 2.800 — em troca de conversas técnicas sobre o funcionamento da IA proprietária.
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A entrada agressiva dos concorrentes internacionais
Em 2025, dois novos players internacionais de delivery desembarcaram no Brasil: o 99Food e o Keeta, impulsionados por investimentos bilionários vindos da China. O movimento elevou a competitividade e pressionou a dominância do iFood, que até então concentrava a maior fatia do mercado.
Essa chegada de empresas de delivery intensificou a corrida por tecnologia, já que o setor deixou de ser apenas uma disputa por taxas, prazos de entrega e promoções para se tornar uma guerra digital. A inteligência artificial passou a ser o eixo central das estratégias das empresas, que buscam prever hábitos de consumo, personalizar recomendações e aumentar a eficiência logística.
Consultorias, espionagem e o limite da ética corporativa
As mensagens recebidas pelos funcionários seguem um padrão semelhante: primeiro, elogiam o conhecimento técnico do profissional e o convidam para uma conversa “confidencial e remunerada”; depois, revelam o interesse em explorar o funcionamento do LCM e suas aplicações no Ailo.
Essas abordagens chamaram atenção não apenas pelo valor oferecido, mas pela frequência. Relatos internos apontam que, no início do ano, o iFood já havia catalogado mais de 170 mensagens suspeitas, resultando em notificações extrajudiciais.
Com o novo episódio, a possibilidade de registrar queixa formal novamente está sendo discutida. Até o momento, a empresa já possui três inquéritos policiais abertos relacionados a tentativas anteriores de roubo de dados cometidas por ex-funcionários.
Histórico de incidentes no setor de delivery
O assédio aos colaboradores não é um fato isolado. A disputa no setor já registrou episódios que lembram roteiros de espionagem industrial:
- Sumiço de notebooks com dados internos
- Contratação de profissionais ainda em quarentena
- Apresentação de crachás falsos a restaurantes
- Roubo de informações comerciais estratégicas
As ocorrências geraram investigações no estado de São Paulo e mostraram que a competição no delivery ultrapassou a esfera comercial, migrando para um território sensível e judicializado.
O que é o LCM e por que ele se tornou alvo?
O LCM (Large Commerce Model) foi desenvolvido pelo iFood em parceria com a holding Prosus, utilizando uma grande base de dados de consumo para identificar padrões e prever demandas. Ele é a base do Ailo, sistema que permite ao cliente realizar pedidos por meio de comandos de voz ou mensagens, especialmente pelo WhatsApp.
Esse modelo coloca o iFood como uma das empresas mais avançadas do mundo no uso de IA aplicada ao comércio, aproximando sua tecnologia do mesmo tipo de desenvolvimento feito por gigantes globais de e-commerce e apps de mobilidade.
Para concorrentes e investidores internacionais, compreender o funcionamento do LCM poderia representar uma vantagem estratégica imediata — razão pela qual, segundo o iFood, ele se tornou alvo de interesse e tentativas de captura de informação privilegiada.
Impactos para o consumidor e o futuro do setor de delivery
Embora o caso envolva bastidores corporativos, seus efeitos podem chegar ao consumidor. Uma possível consequência da intensificação da espionagem tecnológica e do assédio profissional é o aumento da judicialização do setor, atrasando inovações e dificultando a abertura de novas funcionalidades.
Por outro lado, a pressão internacional pode acelerar os investimentos e gerar avanços no serviço, como:
- Entregas mais rápidas por geolocalização preditiva
- Uso ampliado de IA para promoções personalizadas
- Expansão do atendimento por assistentes virtuais
- Experiência de compra totalmente automatizada
Especialistas apontam que essa corrida por inteligência artificial pode redefinir de forma permanente o mercado brasileiro, transformando o delivery em um ecossistema de tecnologia, dados e automação.
O dilema do sigilo tecnológico
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A grande questão agora é como o iFood e outras empresas do setor de delivery irão proteger seus segredos comerciais. Ferramentas de IA são diferentes de estratégias tradicionais, pois dependem de bancos de dados, códigos e modelos protegidos por direito autoral, patentes e confidencialidade industrial.
A disputa judicial pode envolver:
- Leis de concorrência desleal
- Quebra de sigilo industrial
- Violação de propriedade intelectual
- Monitoramento forense de dispositivos corporativos
Enquanto avalia novas medidas legais, o iFood continua mapeando abordagens e monitorando canais de comunicação interna para tentar localizar a origem das tentativas de contato suspeitas.
Mercado em alerta: o que esperar a partir de agora?
O caso coloca o Brasil como campo estratégico global na disputa por IA no comércio digital. Empresas internacionais enxergam oportunidade, enquanto companhias brasileiras aceleram projetos para manter o protagonismo.
Especialistas acreditam que o setor viverá três grandes movimentos nos próximos meses:
- Mais investimentos em IA e automação operacional
- Aumento de ações judiciais e investigações policiais
- Avanço de players estrangeiros com capital bilionário
O desfecho desse conflito pode definir o futuro da tecnologia de delivery no país e influenciar padrões internacionais.
Conclusão
O assédio internacional ao iFood por informações estratégicas de inteligência artificial reforça que o delivery brasileiro não é mais apenas um mercado de logística e alimentação — é um laboratório avançado de tecnologia e dados. O setor entrou em uma nova fase, onde o controle da informação vale tanto quanto o domínio do mercado.
Imagem: Canva
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