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iFood negocia compra da Alelo por até R$ 6 bi, com Bradesco à frente

Avatar de Juliana Peixoto Juliana Peixoto · · 5 min de leitura
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O iFood, gigante brasileira do delivery, está em negociações avançadas para adquirir a Alelo, empresa de benefícios controlada pelo Bradesco e Banco do Brasil. A transação, que pode alcançar até R$ 6 bilhões, representaria o maior movimento estratégico da história do iFood e consolidaria a empresa como uma força dominante no segmento de vale-alimentação e vale-refeição no Brasil.

A informação, revelada inicialmente pelo jornal Valor Econômico e confirmada por outras fontes do mercado, destaca a Prosus, controladora global do iFood, como principal investidora na operação. A negociação está sendo conduzida com o apoio do banco Morgan Stanley, contratado para assessorar o iFood no processo.

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Expansão agressiva e entrada no mercado de benefícios

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Imagem: Divulgação / iFood

O plano do iFood: do delivery ao bolso do trabalhador

Desde sua entrada no setor de benefícios em 2020, o iFood vem testando novas frentes de crescimento para além da entrega de refeições. Atualmente, a empresa já conta com cerca de 600 mil usuários em sua frente de benefícios corporativos. No entanto, com a aquisição da Alelo, essa base de clientes saltaria para mais de 6 milhões de usuários.

“O iFood quer cruzar cada vez mais o online e o offline dos restaurantes e consumidores. E o setor de benefícios é chave para isso”, afirmou uma fonte próxima à empresa. A proposta visa ampliar a integração da plataforma de delivery com serviços financeiros e corporativos, ampliando sua capilaridade entre consumidores e estabelecimentos comerciais.

Papel estratégico da Prosus e o apetite global pelo Brasil

Investimentos recentes e visão de longo prazo

A possível compra da Alelo é mais uma aposta da Prosus no mercado brasileiro. A multinacional sul-africana já demonstrou forte interesse em ampliar sua presença na América Latina, tendo adquirido recentemente a Decolar.com, principal plataforma de viagens da região. A movimentação atual reforça a estratégia de diversificação e presença em setores altamente escaláveis.

Para o iFood, sob o guarda-chuva da Prosus, a aquisição não apenas fortalece seu portfólio, mas também abre novas possibilidades de monetização e fidelização de clientes corporativos e individuais.

A posição de Bradesco e Banco do Brasil

Bancos buscam liquidez em meio a cenário desafiador

Apesar de a Alelo ser uma empresa estratégica, com forte sinergia com a carteira de clientes dos bancos, especialmente no que diz respeito à gestão de folhas de pagamento, a venda pode atender a necessidades pontuais das instituições financeiras. Fontes próximas ao processo indicam que o Bradesco, mais pressionado em termos de capital, tem atuado como o principal interlocutor nas negociações.

“Ambos os bancos se beneficiariam de colocar algum dinheiro no balanço”, disse uma fonte ligada ao setor bancário. Embora ainda não haja acordo fechado, a movimentação reflete uma tentativa dos bancos de se reposicionarem em meio à crescente concorrência no setor de benefícios.

Mudança no mercado e pressão regulatória

Meu Alelo
Imagem: Postmodern Studio/shutterstock.com

Setor tradicional enfrenta disrupção tecnológica

O mercado de benefícios corporativos no Brasil vem passando por profundas transformações nos últimos anos. Novos entrantes como Flash, Caju e o próprio iFood estão desafiando as tradicionais líderes do setor: Alelo, Pluxee (antiga Sodexo), Ticket e VR Benefícios. Juntas, essas quatro empresas ainda detêm cerca de 80% de um mercado que movimenta entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões por ano.

Além da competição, o setor enfrenta um momento de maior escrutínio regulatório. O governo federal estuda implementar limites para as taxas cobradas pelas administradoras de benefícios por transação – uma medida que pode impactar diretamente o valuation da Alelo e, por consequência, o valor final da transação.

“Se a regulação sair, [o preço proposto pelo iFood] está caro. Se não sair, está barato”, afirmou um interlocutor envolvido nas negociações.

Desafios e avaliação do Cade

Concentrado demais para ser aprovado?

Um dos principais pontos de atenção para o fechamento da operação está na análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A aquisição da Alelo pelo iFood poderá ser interpretada como uma concentração excessiva de mercado, dado o alcance nacional da empresa de delivery e sua presença crescente no setor de benefícios.

Especialistas apontam que a integração entre as bases de dados, a possibilidade de exclusividade e o impacto sobre a concorrência no setor serão aspectos-chave analisados pelo órgão regulador.

Futuro do mercado de benefícios corporativos

Uma nova era de integração e digitalização

Se concretizada, a compra da Alelo pelo iFood poderá marcar o início de uma nova fase no setor de benefícios no Brasil, com mais digitalização, flexibilidade para empresas e usuários, e modelos de negócios que conectam benefícios diretamente ao consumo. A tendência é que players mais tradicionais, como bancos e grandes administradoras, passem a enfrentar maior pressão para inovar e se adaptar ao novo cenário.

Por outro lado, a maior concentração de mercado nas mãos de empresas de tecnologia traz riscos de exclusão para pequenos estabelecimentos e usuários menos digitalizados, além de gerar alertas sobre possíveis práticas anticoncorrenciais.

Imagem: iFood / Divulgação

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