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Inadimplência do Fies provoca rombo de R$ 15,7 bilhões em bancos públicos

Inadimplência no Fies causa rombo de R$ 15,7 bilhões em bancos públicos, impacta o ensino superior e preocupa o setor produtivo brasileiro.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
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A inadimplência no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) impôs um rombo bilionário aos cofres de bancos públicos e acendeu alertas sobre o futuro da educação superior no Brasil.

A crise no sistema de financiamento atinge não apenas instituições como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal, mas também compromete a formação de mão de obra qualificada, essencial para o crescimento econômico.

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Bancos públicos acumulam prejuízo bilionário

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Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), entre 2020 e 2024, a inadimplência dos contratos do Fies gerou um prejuízo de R$ 15,7 bilhões a bancos públicos.

O valor, porém, pode ser muito maior. Apenas no Banco do Brasil, estima-se um passivo superior a R$ 26 bilhões, acumulado desde que a instituição operava o Fies entre 2010 e 2018.

Caixa também acumula dívidas

Desde 2018, a Caixa Econômica Federal é o único banco autorizado a realizar as operações do programa. A instituição contabiliza mais de 1,1 milhão de contratos em fase de amortização, com 746 mil inadimplentes.

A Caixa não detalhou os valores em aberto, mas afirma contar com apenas R$ 20 milhões no FGEDUC (Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo) para cobrir a inadimplência.

Fies desestruturado: modelo em colapso

A falta de sustentabilidade do atual modelo do Fies tem impacto direto nas instituições de ensino superior, especialmente nas particulares.

O diretor da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Bruno Coimbra, destaca que muitas faculdades já reestruturaram seus modelos de negócios para não depender mais do Fies, dada sua instabilidade.

Falta integração com outras políticas educacionais

Coimbra defende que o Fies deveria ser reformulado, mas com uma abordagem mais integrada. “Precisamos de uma lógica social, conciliando o Fies com o ProUni, e permitindo renegociações diretas com as instituições”, afirma.

Proposta de fundo comunitário

Para Claudio Alcides Jacoski, presidente da Associação Brasileira das Instituições Comunitárias de Educação Superior (Abruc), a saída seria a criação de um Fies comunitário.

Ele seria baseado em um fundo inicial do governo, gerido de forma transparente e com pagamentos vinculados à renda pós-formação dos estudantes, como ocorre na Austrália.

Impacto na formação de mão de obra qualificada

A redução no acesso ao ensino superior, causada pela retração do Fies, compromete a formação de mão de obra qualificada, alerta o setor produtivo.

Regiões mais afetadas

Segundo Coimbra, o impacto é maior nas classes D e E, que representam a maior parcela dos estudantes beneficiados pelo programa. Em cidades pequenas e médias, onde há menos alternativas educacionais, o Fies é muitas vezes a única porta de entrada para o ensino superior.

Produtividade e crescimento ameaçados

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Felipe Tavares, ressalta que a baixa entrada de estudantes no ensino superior ameaça a produtividade do país.

“O Brasil já sofre com uma produtividade historicamente baixa. A ausência de formação técnica e acadêmica limita ainda mais a competitividade do nosso mercado de trabalho”, afirma.

Explosão de processos judiciais

Além do impacto econômico e social, o Fies enfrenta uma avalanche de ações judiciais. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que entre 2020 e abril de 2025, mais de 89 mil processos relacionados ao programa foram abertos.

Disputa por regras mais vantajosas

De acordo com o advogado Felipe Moreira, muitas dessas ações visam aplicar regras novas a contratos antigos ou o contrário, com o objetivo de aliviar o valor ou os termos do pagamento.

“Essas discussões permitem ao estudante ganhar tempo, negociar valores ou até suspender pagamentos temporariamente”, explica.

Serasa aponta milhões de ofertas de renegociação

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A Serasa Experian informou que existem 5 milhões de ofertas ativas de renegociação para mais de um milhão de estudantes inadimplentes do ensino superior. No entanto, a negativação já impõe sérias barreiras, inclusive para o início da vida profissional.

Nome sujo afeta até aluguel comercial

Lucas Tosati, especialista da Serasa, relata casos como o de advogados recém-formados que não conseguem alugar uma sala comercial devido à inadimplência com o Fies. “Isso compromete a carreira de quem está apenas começando”, lamenta.

Exemplo de superação: renegociação salvadora

A jornalista Érica Rodrigues, de 29 anos, quitou sua dívida de Fies após cinco anos de inadimplência, graças a uma renegociação promovida pelo governo federal em 2023. “Devia quase R$ 50 mil, mas paguei pouco mais de R$ 6 mil após o desconto”, conta.

A iniciativa, lançada no fim do governo Bolsonaro, permitia descontos superiores a 90% para estudantes de baixa renda. A medida foi considerada um alívio para milhares de brasileiros.

MEC aposta no Fies Social

Diante da crise, o Ministério da Educação lançou, em 2024, o Fies Social, destinado a alunos do CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa. O programa prevê financiamento de até 100%, mas não atingiu a meta inicial de beneficiar 100 mil estudantes.

Cruzamento de dados para evitar calote

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirma que o Fies está sendo reorganizado para diferenciar quem não quer pagar de quem não pode. “Vamos cruzar informações da Receita e do Ministério do Trabalho para saber a real condição de pagamento do devedor”, informou.

Renegociações já resultaram em quase R$ 800 milhões

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Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Dados do FNDE indicam que, até o fim de 2024, mais de 387 mil acordos de renegociação foram firmados, com entrada de R$ 794 milhões nos cofres públicos. O número representa um alívio parcial, mas o problema estrutural do Fies continua longe de uma solução definitiva.

Conclusão: reforma urgente para evitar colapso

O Fies, criado para democratizar o acesso ao ensino superior, vive sua maior crise desde a criação. Com quase dois terços dos contratos em inadimplência, o programa perdeu sua capacidade de se autofinanciar e ameaça a sustentabilidade do setor educacional.

A reestruturação do Fies, associada a políticas sociais como o ProUni e novos mecanismos de gestão, é vista como urgente por especialistas, economistas e educadores.

Sem isso, o Brasil corre o risco de formar uma geração endividada, sem acesso à educação superior e sem perspectivas de qualificação profissional — um colapso silencioso, mas de consequências profundas.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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