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Investigação aponta que criadora do ChatGPT pagou apenas US$ 2 para funcionários treinarem IA

Exploração e abusos psicológicos podem estar envolvidos no processo de criação do ChatGPT. Veja o que aponta a investigação.

Adriana AlbuquerquePor Adriana Albuquerque3 min de leitura
OpenAI

A inteligência artificial (IA) tem avançado a passos largos, trazendo uma infinidade de possibilidades inovadoras. Uma das mais impressionantes realizações do setor é o ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI. Essa IA de última geração pode escrever como um humano, responder perguntas e até mesmo gerar ideias inovadoras. 

No entanto, mesmo as mais brilhantes inovações tecnológicas podem ter um lado sombrio. A criação de uma IA como o ChatGPT requer uma quantidade enorme de dados de treinamento, feitos por humanos. 

Esse trabalho, frequentemente realizado por avaliadores de dados, é essencial para o funcionamento de qualquer inteligência artificial de alto desempenho. A recente investigação da revista norte-americana Time aponta que a empresa contratada pela OpenAI pagou apenas US$ 2 para funcionários treinarem a IA. 

ChatGPT contratou funcionários quenianos para combater comentários violentos da plataforma

A OpenAI contratou funcionários terceirizados através da Sama, empresa com base em San Francisco que emprega trabalhadores no Quênia, Uganda e Índia, para combater comentários violentos e preconceituosos da plataforma. Como a plataforma tinha como base palavras na internet, era propensa a fazer comentários de cunho sexistas, racistas e violentos.

Assim, construindo um mecanismo de segurança adicional baseado em IA, seria possível controlar os danos feitos pelo chatbot. Dessa forma, a empresa buscou uma estratégia para detectar e filtrar comentários de cunho violento, antes de chegarem ao usuário.

Baixa remuneração e abusos relatados por trabalhadores

Como mencionado, a OpenAI terceirizou uma parte importante do trabalho para a Sama. Os funcionários quenianos atuavam rotulando dados de gigantes do setor, como Google, Meta e Microsoft. A Sama se define como uma empresa de IA ética, por empregar pessoas de países em desenvolvimento. A companhia afirma ter ajudado mais de 50 mil pessoas a sair da pobreza. 

Contudo, os trabalhadores contratados por essa empresa receberam uma remuneração que variou de US$ 1,32 a US$ 2 por hora, de acordo com a investigação da Time. A remuneração é bastante inferior ao valor que a OpenAI pagou à Sama em contrato, de US$ 12,50 por hora.

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O trabalho envolvia a leitura e reinterpretação de 150 a 250 textos, com cerca de 100 a 1000 palavras cada. Os funcionários trabalhavam em turnos que podiam durar até nove horas, o que teve grande impacto em sua saúde mental.

Um deles, que preferiu manter o anonimato, relatou ter sido traumatizado por ter que ler descrições explícitas de abuso sexual, envolvendo um animal e uma criança. Ele descreveu a experiência como torturante e perturbadora.

Imagem: Ground Picture / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Adriana Albuquerque

Autor

Adriana Albuquerque

Estudante de Jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo.

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