A Câmara dos Deputados aprovou, de forma unânime, a proposta que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para salários de até R$ 5 mil mensais.
Isenção do IR até R$ 5 mil aprovada; entenda as perspectivas para o Ibovespa
Câmara aprova isenção do IR para salários de até R$ 5 mil. Veja os impactos para contribuintes, governo e mercado financeiro, além da expectativa para o Ibovespa.
A medida, que deve beneficiar cerca de 16 milhões de contribuintes, foi celebrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como um marco no combate à desigualdade social e no alívio ao bolso da classe média.
O texto, aprovado na noite de quarta-feira (1º), prevê ainda uma redução no imposto para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais.
Em contrapartida, o governo incluiu a criação de um imposto mínimo de 10% sobre rendas anuais acima de R$ 1,2 milhão, buscando compensar a perda de arrecadação estimada em R$ 31,2 bilhões no próximo ano. Agora, a proposta segue para análise no Senado Federal. Caso seja aprovada sem alterações, será enviada para sanção presidencial.
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O que muda para os contribuintes

Quem será beneficiado
- Trabalhadores assalariados, autônomos e aposentados com rendimentos de até R$ 5 mil mensais ficarão isentos do Imposto de Renda.
- Quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 terá desconto proporcional na alíquota, reduzindo a carga tributária.
- A medida representa um dos maiores reajustes da faixa de isenção nos últimos 20 anos.
Custo e compensações
O impacto fiscal previsto é de R$ 31,2 bilhões em 2026. Para compensar, o governo aposta:
- Na tributação mínima de 10% sobre super-rendimentos.
- No aumento da fiscalização de grandes patrimônios.
- Em ajustes em benefícios fiscais considerados excessivos.
O contexto político da aprovação
A votação foi interpretada como uma vitória política importante do governo Lula, especialmente em um cenário de disputa antecipada pela sucessão presidencial de 2026. O PT busca apresentar a medida como símbolo de compromisso com a redução da desigualdade.
A aprovação unânime na Câmara também demonstra, segundo analistas políticos, uma rara convergência entre governo e oposição em torno de um tema que impacta diretamente milhões de brasileiros.
Reflexos imediatos no mercado financeiro
Ibovespa
No último pregão, o Ibovespa (IBOV) fechou em queda de 0,49%, aos 145.517 pontos. O recuo refletiu cautela com os debates fiscais e o cenário internacional.
- A expectativa para esta quinta-feira (2) é de um pregão volátil, já que investidores irão precificar a aprovação da isenção do IR e seus impactos no ajuste das contas públicas.
Dólar
O dólar à vista encerrou a quarta-feira em alta de 0,11%, cotado a R$ 5,3286. Para hoje, o câmbio pode sentir o efeito das discussões sobre responsabilidade fiscal.
EWZ em Nova York
O iShares MSCI Brazil (EWZ), principal ETF brasileiro negociado em Wall Street, registrou alta de 0,52% no after-market, cotado a US$ 30,74. A valorização sinaliza que investidores estrangeiros receberam positivamente o movimento político no Brasil.
Internacional: o peso do cenário externo
Estados Unidos: risco de shutdown
Nos EUA, a paralisação da máquina pública continua no centro das atenções. O shutdown impede a divulgação de dados econômicos pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), como PIB, consumo e renda, o que aumenta a incerteza sobre a política monetária do Federal Reserve.
O aguardado relatório de empregos (payroll) também deve ser adiado, frustrando as expectativas do mercado.
Bolsas globais
- Ásia: fechou em alta, com a China em feriado.
- Europa: bolsas operam em leve avanço nesta manhã.
- Wall Street: índices futuros operam mistos, em compasso de espera pelos próximos dados econômicos.
Petróleo: pressões sobre a commodity
O mercado de petróleo registra queda nesta quinta-feira, influenciado por:
- Expectativas de sanções mais duras contra a Rússia.
- Aumento da oferta pela OPEP+.
- Sinais de desaceleração econômica nos EUA.
Esse movimento pode beneficiar a inflação global, mas preocupa países exportadores.
Criptomoedas: retomada em alta

As criptomoedas seguem em ritmo positivo.
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+311 mil seguidores
- Bitcoin (BTC): cotado a US$ 118 mil, alta de 2,1%.
- Ethereum (ETH): negociado a US$ 4.380, também em alta de 2,1%.
O setor se mantém resiliente diante das incertezas macroeconômicas, reforçando sua atratividade para investidores em busca de diversificação.
Agenda desta quinta-feira (2)
Indicadores econômicos
- 05h – Brasil: IPC de setembro.
- 06h – Zona do euro: taxa de desemprego de agosto.
- 11h – Brasil: emplacamentos de veículos de setembro.
- 21h30 – Japão: PMI composto final de setembro.
Agenda presidencial
- 7h30: partida para Belém (PA).
- 10h40: chegada à Ilha do Marajó.
- 11h10: inauguração de Centro Municipal de Referência em Educação Infantil.
- 12h40: entrega de obras retomadas do MEC.
- 16h: visita à Estação de Tratamento de Esgoto Una.
- 18h30: inauguração do Parque Linear da Nova Doca, em Belém.
Agenda do Ministério da Fazenda
- Fernando Haddad: agenda não divulgada até o momento.
- Gabriel Galípolo: despachos internos previstos.
O que esperar do Ibovespa nesta quinta-feira
Especialistas apontam que o mercado deve operar com viés de cautela nesta quinta. Apesar do alívio pela aprovação da isenção de IR, há preocupação sobre:
- Como será feita a compensação fiscal.
- O impacto da medida no arcabouço fiscal do governo.
- A reação do Senado e eventuais ajustes no texto.
Em paralelo, o cenário internacional turbulento, com shutdown nos EUA e queda do petróleo, pode adicionar pressão aos ativos locais.
Ainda assim, há expectativa de que setores ligados ao consumo e varejo, que se beneficiam do maior poder de compra da população, possam ter desempenho positivo no pregão.
Conclusão: um marco político com reflexos econômicos
A aprovação da isenção do IR para salários de até R$ 5 mil na Câmara representa uma vitória política expressiva para o governo Lula e um alívio para milhões de brasileiros.
No entanto, os impactos fiscais e a forma de compensação da perda de arrecadação seguem como pontos de incerteza para o mercado. A reação do Ibovespa nesta quinta-feira (2) deve refletir esse equilíbrio entre otimismo com o alívio tributário e cautela diante do cenário fiscal e internacional.
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