A recente ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5.000 por mês pode representar uma injeção de ânimo na economia brasileira. De acordo com o economista Daniel Teles, em entrevista ao UOL News, a medida equivale a quase um 14º salário para milhões de brasileiros ao longo do ano.
Economista afirma: isenção no IR equivale a quase um 14º salário
Nova faixa de isenção do IR até R$ 5 mil pode garantir quase um 14º salário anual a milhões de brasileiros, segundo economista.
A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados, ainda aguarda análise no Senado, mas já gera repercussão entre especialistas. Teles explica que o benefício é expressivo porque libera uma quantia relevante no orçamento de trabalhadores formais, ampliando o poder de compra e estimulando o consumo.
“Se a gente quiser olhar o âmbito anual, estamos falando de R$ 4.000 ou um pouco mais no bolso do brasileiro. Isso representa quase um décimo quarto salário”, afirmou o economista.
Leia Mais:
Feriados de 2026: descubra quando terá folga prolongada durante o ano
Aumento da faixa de isenção: quem se beneficia

O governo federal propôs a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 mensais, o que corresponde a cerca de R$ 60.000 por ano. Essa ampliação deve isentar completamente uma parte expressiva da população economicamente ativa, em especial os trabalhadores de baixa e média renda.
Antes da mudança, a faixa de isenção estava limitada a quem ganhava até R$ 2.640 por mês, valor que abrangia uma parcela menor dos assalariados formais. Com o novo teto, mais de 60 milhões de brasileiros passam a ser beneficiados, segundo estimativas iniciais.
Alguns levantamentos apontam que esse número pode chegar a 80 milhões de pessoas, considerando os trabalhadores que estavam parcialmente isentos e que agora ficarão livres da tributação.
Um alívio no orçamento mensal
De acordo com Daniel Teles, a mudança proporciona um “alívio direto” no orçamento familiar. “É uma camada significativa da população que passa a ter mais dinheiro no bolso ao final do mês”, explicou.
Para o economista, o impacto será percebido especialmente entre os trabalhadores que viviam no limite entre a faixa de isenção e as primeiras alíquotas do imposto. “Quem recebia próximo de R$ 5.000 mensais e era tributado agora terá uma sobra considerável, que pode ser usada para quitar dívidas ou reforçar o consumo”, destacou.
A isenção integral até esse valor também corrige parcialmente a defasagem da tabela do Imposto de Renda, que há anos vinha sendo apontada por especialistas como uma das causas de perda do poder de compra da classe média.
Efeito multiplicador na economia

A liberação de renda para milhões de contribuintes deve gerar um efeito positivo sobre o consumo e, consequentemente, sobre a arrecadação indireta do governo, por meio de impostos sobre bens e serviços.
Economistas afirmam que a medida tende a estimular a economia interna, uma vez que o dinheiro que deixa de ser recolhido em tributos é rapidamente direcionado ao consumo básico — alimentação, transporte, vestuário e lazer.
“Esse dinheiro volta para a economia. Não é uma perda fiscal, é um redirecionamento. As famílias vão consumir mais e isso movimenta setores essenciais, gerando emprego e receita”, analisou Teles.
O raciocínio segue o princípio de que a redução de impostos sobre a renda de baixa e média faixa tem efeito multiplicador maior do que cortes para as faixas mais altas, que tendem a poupar em vez de consumir.
Impacto fiscal e equilíbrio das contas públicas
Apesar do entusiasmo, há especialistas que alertam para o desafio de compensar a redução na arrecadação federal. Estima-se que o custo fiscal da medida ultrapasse R$ 35 bilhões anuais, segundo cálculos preliminares de consultorias econômicas.
Para equilibrar as contas públicas, o governo deve buscar aumento de tributos sobre grandes fortunas, dividendos e fundos exclusivos, proposta que também está em discussão no Congresso.
Ainda assim, o impacto da isenção é visto como positivo no curto prazo, pois aumenta a confiança das famílias e reduz a pressão sobre o endividamento das classes médias.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Isenção e justiça tributária
A ampliação da faixa de isenção é considerada um passo importante rumo à justiça tributária, tema recorrente no debate econômico brasileiro.
Atualmente, a carga tributária sobre o consumo — que atinge proporcionalmente mais os mais pobres — ainda é predominante no país. Reduzir a tributação sobre a renda de trabalhadores de baixa e média renda é, portanto, uma tentativa de corrigir distorções históricas.
“Quem ganha menos acaba pagando proporcionalmente mais impostos no Brasil. A isenção até R$ 5.000 é um movimento na direção certa, ainda que tardio”, avaliou Teles.
Além disso, o economista defende que a medida seja acompanhada de uma reforma tributária mais ampla, que simplifique o sistema e reduza desigualdades.
Expectativas para o fim do ano
Com o novo limite de isenção, os brasileiros devem sentir os efeitos a partir da declaração do Imposto de Renda de 2026, referente aos ganhos de 2025. Isso significa que quem está nessa faixa salarial já começa a acumular o benefício mês a mês.
O cálculo feito por Daniel Teles indica que, ao final de 12 meses, o trabalhador poderá ter economizado entre R$ 4.000 e R$ 4.200 — valor equivalente a quase um salário extra.
Essa quantia, segundo o economista, pode representar uma melhora perceptível na qualidade de vida, sobretudo diante de um cenário de inflação controlada e aumento do consumo doméstico.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
Pode ser do seu interesse:

