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Isenção até R$ 5 mil não é reajuste da tabela do IR; veja o que realmente mudou

O governo ampliou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, mas sem atualizar a tabela geral. Entenda mais!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Isenção

A decisão do governo federal de conceder isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais reacendeu o debate sobre a defasagem histórica da tabela do IRPF. Apesar do impacto imediato para milhões de trabalhadores, a medida não representa um reajuste estrutural da tabela — e é justamente essa diferença que vem gerando dúvidas.

Ao invés de atualizar as faixas de renda e suas alíquotas, o governo optou novamente pelo mecanismo de descontos fixos na base de cálculo. Esse artifício permite ampliar a isenção e reduzir o imposto devido por quem ganha até R$ 7.350, mas não altera as regras gerais aplicadas ao restante dos contribuintes.

A seguir, entenda o que mudou, o que não mudou e por que especialistas afirmam que a solução ainda está longe de resolver a defasagem acumulada desde 2015.

O que mudou?

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A maior novidade é a ampliação da isenção mensal para quem ganha até R$ 5 mil. A medida funciona com um desconto direto na base de cálculo, criando uma espécie de “faixa especial” temporária.

Como funciona o desconto

O governo aplica um abatimento específico para reduzir a renda tributável desses contribuintes. Assim, mesmo que o salário bruto ultrapasse o limite da faixa atual de isenção — hoje fixada em R$ 2.259,20 — a renda fica abaixo desse patamar após o desconto, liberando o trabalhador da cobrança.

Faixa ampliada até R$ 7.350

Quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 também é afetado. Nessa segunda faixa, o desconto reduz o valor do imposto, mas não elimina a cobrança.

Em ambos os casos, não há mudança estrutural na tabela, apenas uma “camada” adicional que modifica o cálculo para essa parcela da população.

O que não mudou?

A tabela do Imposto de Renda continua a mesma desde 2015, com sua faixa de isenção limitada a R$ 2.259,20, e alíquotas que variam de 7,5% a 27,5%.

A defasagem permanece

Com a inflação acumulada nos últimos anos, o poder de compra da renda nominal despencou. Isso faz com que trabalhadores sejam empurrados para faixas mais altas, mesmo sem aumento real de salário.

Especialistas chamam esse efeito de “mordida furtiva” ou bracket creep, comum quando não há correção anual.

Dois sistemas convivendo

A partir de 2026, na prática, existirão duas regras de cálculo:

  • uma para quem ganha até R$ 7.350 (com descontos),
  • outra para quem está acima desse valor (com a tabela tradicional e defasada).

A coexistência desses modelos cria uma espécie de dupla tributação dentro do mesmo sistema de IRPF, o que também gera dúvidas sobre transparência e simplificação.

Por que isso não é considerado um reajuste da tabela?

Atualizar a tabela é diferente de aplicar descontos

Quando o governo reajusta a tabela, ele corrige todas as faixas, reduzindo a alíquota efetiva para todos os contribuintes de maneira proporcional.

Já o desconto beneficia apenas um grupo específico — nesse caso, quem ganha até R$ 7.350 — sem alterar a estrutura do sistema.

Efeito limitado e não universal

Com um reajuste real da tabela, mesmo contribuintes com rendas mais altas pagariam menos, pois parte de sua renda inicial seria tributada em faixas menores. Com o desconto, isso não ocorre.

Especialistas defendem a atualização

O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) considera positivo o passo em direção à justiça tributária, mas reforça que a defasagem acumulada compromete a progressividade do sistema.

Entre 2015 e 2023, a falta de correção empurrou 4,5 milhões de brasileiros para a cobrança de IR, segundo a Receita Federal — mesmo sem aumento real de renda.

Custo fiscal semelhante

O IBPT calcula que uma atualização integral da tabela custaria cerca de R$ 25 bilhões, valor similar ao impacto estimado da política atual de descontos. Por isso, para a instituição, a atualização anual seria mais eficaz e garantiria previsibilidade para os contribuintes.

Como a defasagem prejudica quem paga IR

A ausência de correção pela inflação distorce a cobrança de imposto e diminui o poder aquisitivo da população.

Trabalhadores “sobem de faixa” sem ganhar mais

Muitas pessoas passam a pagar 7,5% ou 15% simplesmente porque o salário nominal aumentou para repor inflação, não porque houve ganho real.

Redução da progressividade

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A justiça tributária fica comprometida porque aqueles que deveriam ser isentos, ou pagar menos, acabam contribuindo como se fossem mais ricos do que realmente são.

Mais contribuintes na base

Com a defasagem, mais brasileiros entram na fila do Imposto de Renda, ampliando a arrecadação de forma indireta, sem decisão legislativa clara.

FAQ

A isenção até R$ 5 mil significa reajuste da tabela do IR?

Não. Trata-se de um desconto aplicado na base de cálculo, não de uma correção das faixas e alíquotas.

Quem ganha acima de R$ 7.350 será beneficiado?

Não. Para essa faixa de renda, a tabela tradicional continua valendo sem alteração.

Por que a tabela do IR está defasada?

Porque não é atualizada pela inflação desde 2015, o que reduz o poder de compra e eleva a tributação.

O desconto na base de cálculo é permanente?

Ele vale enquanto a medida estiver prevista em lei, mas não substitui uma atualização estrutural.

A correção total da tabela teria custo fiscal maior?

Segundo o IBPT, o custo seria semelhante ao da medida atual, cerca de R$ 25 bilhões.

Considerações finais

A ampliação da isenção para quem ganha até R$ 5 mil representa um alívio imediato para milhões de brasileiros, mas não soluciona a distorção histórica provocada pela falta de reajuste da tabela do Imposto de Renda. O mecanismo de descontos cria uma camada adicional de cálculo, mas não substitui a atualização estrutural necessária para recuperar a justiça tributária.

Enquanto a tabela permanecer defasada, trabalhadores continuarão “subindo de faixa” sem aumento real de renda, e a mordida do Leão seguirá pesando mais do que deveria.

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Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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