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Itaú propõe taxar apostas e criptoativos para cobrir queda do IOF

Itaú propõe taxar apostas e criptomoedas para compensar perda de arrecadação com queda do IOF. Saiba mais detalhes da polêmica aqui!!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes5 min de leitura
Aplicativo Itaú em celular com criptomoedas ao lado

O Itaú propôs uma série de medidas fiscais que incluem a taxação de apostas esportivas e criptoativos, visando compensar a perda de arrecadação causada pela revisão das alíquotas do IOF. A análise foi apresentada após o governo recuar de parte dos aumentos previstos no imposto, o que deixou uma lacuna bilionária nas contas públicas.

Essa discussão ganhou força em meio ao esforço do governo para cumprir as metas fiscais e equilibrar a dívida pública. Além das apostas e das criptomoedas, também foi apontada a possibilidade de elevar receitas com dividendos de estatais, como o BNDES, e leilões de petróleo, considerados atualmente subestimados no Orçamento.

blocos com as letras IOF em cima de notas de 5, 100 e 20 reais
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

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Itaú: O impacto da revisão do IOF

O cancelamento parcial do aumento do IOF representa uma perda de aproximadamente R$ 6 bilhões, distribuída entre R$ 2 bilhões ainda este ano e mais R$ 4 bilhões em 2026. Essa decisão, que evitou uma reação ainda mais negativa do mercado, trouxe desafios imediatos para a gestão fiscal.

A preocupação central está em como substituir essa fonte de receita sem comprometer o ambiente de negócios nem agravar a desconfiança dos investidores. O aumento abrupto do IOF, que chegou a ser anunciado e depois revertido, gerou forte repercussão negativa, evidenciando a necessidade de buscar soluções que sejam sustentáveis e causem menor impacto no mercado.

Apostas esportivas na mira da tributação

Entre as propostas, a taxação das apostas esportivas aparece como uma das mais diretas e efetivas. O setor, que cresce rapidamente no país, movimenta bilhões de reais todos os anos e permanece, até então, subexplorado do ponto de vista tributário.

A lógica por trás dessa medida é simples: produtos que oferecem risco social, como bebidas e cigarros, já possuem cargas tributárias elevadas. Aplicar um modelo semelhante às apostas não apenas aumentaria a arrecadação, como também poderia funcionar como um instrumento de regulação sobre essa atividade.

Criptoativos e o vácuo regulatório

Outro ponto levantado é a ausência de IOF nas operações com criptoativos. Apesar de já existirem discussões no Congresso sobre a regulamentação do mercado de moedas digitais, as transações seguem isentas desse tipo de tributação específica.

A proposta do banco é que essas operações passem a ser tratadas de forma semelhante às transações financeiras tradicionais. Segundo a avaliação dos economistas, não há justificativa plausível para que as criptomoedas fiquem de fora, especialmente quando outros instrumentos financeiros estão sujeitos ao IOF.

Receitas com dividendos e petróleo

Além dos setores emergentes, o banco também sugere que o governo revise as projeções de receitas com dividendos das estatais, principalmente o BNDES, e os valores esperados com os leilões de petróleo.

Essas fontes de receita, consideradas subavaliadas, poderiam ser recalibradas para refletir melhor o potencial real de arrecadação. Isso abriria espaço fiscal sem a necessidade de criar novos impostos ou aumentar cargas já existentes sobre setores produtivos.

Risco fiscal e reação do mercado

O episódio envolvendo o IOF deixou clara a sensibilidade do mercado a mudanças abruptas na política tributária. A simples expectativa de aumento do imposto foi suficiente para gerar desconfiança, tanto de investidores locais quanto estrangeiros.

Esse tipo de incerteza impacta diretamente a entrada de capital no país. Afinal, se há dúvidas sobre a saída dos recursos — seja por impostos, seja por falta de estabilidade —, há uma natural retração nas decisões de investimento. Isso não apenas reduz o fluxo de recursos externos como também pressiona o câmbio e os ativos financeiros brasileiros.

Limites da tributação como solução

Embora a criação de novas bases de arrecadação seja uma estratégia válida no curto prazo, há um entendimento de que aumentar impostos tem limites. Elevar a carga tributária indiscriminadamente pode gerar efeitos contraproducentes, como a migração de atividades para a informalidade, evasão fiscal e até redução do próprio consumo.

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Por isso, o debate não se resume apenas a onde e como tributar, mas também passa pela necessidade de reavaliar os próprios gastos públicos. A contenção das despesas e uma gestão mais eficiente são apontadas como elementos fundamentais para garantir a sustentabilidade fiscal a longo prazo.

O desafio do equilíbrio fiscal

O governo, pressionado pelo novo arcabouço fiscal e pela meta de déficit zero, já anunciou um contingenciamento de R$ 31,3 bilhões nas despesas dos ministérios. Apesar desse esforço, analistas projetam que, mantido o atual ritmo de despesas, a dívida pública continuará crescendo.

A mensagem é clara: estabilizar a dívida não é suficiente. Para que o país retome o grau de investimento e consiga operar com juros mais baixos, será necessário não apenas frear, mas reduzir efetivamente o nível da dívida em relação ao PIB.

A importância do crescimento sustentável

Uma das saídas defendidas por especialistas é estimular o crescimento do PIB potencial. Isso significaria gerar mais riqueza, aumentar a base tributária de forma natural e aliviar a pressão sobre a necessidade de ajustes fiscais severos.

No entanto, o crescimento econômico sustentável não surge apenas de incentivos. Ele exige reformas estruturais, melhoria no ambiente de negócios, segurança jurídica e previsibilidade nas regras fiscais e tributárias.

KuCoin criptomoedas
Imagem: Chinnapong / Shutterstock.com

Entre tributar e reformar, o caminho é longo

A proposta do Itaú de tributar apostas esportivas e criptoativos traz à tona um debate relevante sobre justiça fiscal e eficiência arrecadatória. Embora sejam medidas que podem gerar alívio momentâneo, elas não substituem a urgência de discutir o modelo de gestão das contas públicas no Brasil.

A solução definitiva não está apenas em criar novos impostos, mas em promover um equilíbrio que combine aumento de receitas, controle rigoroso dos gastos e políticas que estimulem o crescimento econômico sustentável. Nesse cenário, o desafio do governo será encontrar esse ponto de equilíbrio sem comprometer a confiança dos agentes econômicos, nem o desenvolvimento de setores estratégicos.

Erivelto Lopes

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Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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