A proposta de ampliar a licença-paternidade no Brasil representa um passo significativo na busca por igualdade parental e fortalecimento dos vínculos familiares. Com uma base científica cada vez mais sólida, cresce a pressão sobre o Congresso para aprovar uma nova legislação que garanta mais tempo aos pais nos primeiros dias de vida do filho.
Nova regra trabalhista pode ampliar licença-paternidade para 1 mês
Projeto propõe ampliar a licença-paternidade para 30 dias. Veja aqui o que muda e como isso pode impactar as famílias. Entenda agora!!!
Hoje, o período permitido é de apenas cinco dias corridos, uma janela considerada insuficiente por médicos, educadores e especialistas em desenvolvimento infantil. A mudança pode transformar a forma como o Brasil encara a paternidade.

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O cenário atual da licença-paternidade no Brasil
Apenas cinco dias garantidos
Atualmente, a legislação brasileira assegura cinco dias de licença-paternidade para trabalhadores com carteira assinada. Empresas que aderem ao Programa Empresa Cidadã estendem esse prazo para 20 dias, mas essa ainda é uma prática limitada e não obrigatória para todas.
Essa realidade tem sido alvo de críticas por parte de organizações médicas, sociais e acadêmicas que apontam para o impacto negativo da ausência do pai no período neonatal. Para eles, o modelo atual não acompanha as transformações nas estruturas familiares e nem as demandas por maior participação paterna.
A pressão da sociedade civil e das entidades médicas
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) tem liderado campanhas de conscientização, como a Carta Aberta publicada em 5 de agosto, em plena Semana Mundial de Aleitamento Materno. A carta reforça a importância da ampliação da licença para, no mínimo, 30 dias.
Segundo a entidade, os primeiros dias são cruciais para o desenvolvimento emocional do bebê, além de impactar diretamente no sucesso do aleitamento materno, prática fortemente recomendada pela OMS.
O papel do pai no início da vida da criança
A importância do vínculo precoce
Pesquisas internacionais e nacionais destacam o valor da presença paterna nas primeiras semanas após o nascimento. De acordo com a SBP, essa convivência inicial promove vínculos afetivos sólidos, estimula a cognição do bebê e reduz o risco de depressão pós-parto nas mães.
O presidente da entidade, Dr. Edson Liberal, argumenta que a presença ativa do pai promove mudanças neurológicas que ampliam sua sensibilidade aos sinais do filho e fortalecem seu papel como cuidador.
Referências internacionais
Em países como Suécia, Espanha, Islândia e Alemanha, a ampliação da licença-paternidade tem sido associada a impactos positivos no desempenho escolar, saúde emocional das crianças e maior equidade entre homens e mulheres nas tarefas de cuidado.
A Suécia, por exemplo, permite até 90 dias exclusivos para cada genitor, além de 300 dias adicionais compartilháveis. Na Islândia, pais têm direito a 26 semanas com 80% do salário. Já na Espanha, são 16 semanas remuneradas integralmente, divididas entre mãe e pai.
O que está em debate no Congresso Nacional
O projeto em tramitação
O Projeto de Lei 3.935/2008 prevê a ampliação da licença-paternidade para 15 dias corridos. A proposta já foi aprovada no Senado e ganhou urgência na Câmara dos Deputados antes do recesso de julho. A expectativa é de que volte à pauta ainda em agosto.
Se for aprovada como está, a nova lei trará o Brasil para o patamar mínimo recomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que indica duas semanas como tempo ideal para licença-paternidade.
O que dizem as entidades e especialistas
Apesar de representar avanço, os 15 dias propostos ainda são vistos como insuficientes por entidades como a CoPai (Coalizão Licença Paternidade), que reúne organizações da sociedade civil, pediatras e grupos de pesquisa.
Para Caroline Burle, presidente adjunta da CoPai, a proposta ideal seria uma licença de 30 dias, com remuneração integral e incentivo à parentalidade ativa. “Cinco dias não permitem que o pai esteja presente nos momentos mais delicados da vida da criança. É preciso mais tempo para criar vínculo e assumir as responsabilidades do cuidado”, afirmou.
Os benefícios sociais e econômicos da ampliação
Investimento com alto retorno
Estudos do economista James J. Heckman, ganhador do Prêmio Nobel, demonstram que cada dólar investido na primeira infância pode gerar um retorno de até sete dólares para a sociedade. Isso se dá pela redução de gastos com saúde, educação corretiva e maior produtividade no futuro.
Com mais tempo em casa, os pais conseguem apoiar mais efetivamente o aleitamento materno, promovendo desenvolvimento neurológico saudável e reduzindo os índices de mortalidade infantil.
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A ampliação da licença-paternidade também tem efeito direto na igualdade de gênero. Pais presentes desde o início da vida do bebê tendem a assumir mais responsabilidades com os cuidados, o que alivia a sobrecarga feminina e favorece a equidade dentro do lar.
Estudos indicam que homens que usufruem de licenças mais longas permanecem mais engajados nas atividades domésticas e no cuidado dos filhos ao longo dos anos.
O que pode acontecer a partir de agora?
Trâmite no Congresso
Com a urgência aprovada, o projeto poderá ser votado diretamente no plenário da Câmara, sem precisar passar por comissões. Caso receba parecer favorável, segue para sanção presidencial.
Organizações da sociedade civil continuarão a pressionar por uma versão mais abrangente da lei, que amplie o prazo para 30 dias ou mais, considerando o modelo adotado por países com políticas familiares avançadas.
Expectativa da sociedade
A expectativa é que a proposta seja votada ainda em agosto, mês que concentra ações do Agosto Dourado, campanha nacional de incentivo ao aleitamento materno. A presença do pai nesse período é considerada estratégica para o sucesso da amamentação.
Caso o projeto atual seja aprovado, especialistas avaliam que o próximo passo será garantir mecanismos legais para ampliar o prazo gradualmente, sem perder os avanços já conquistados.
O que dizem os pais e as mães
Relatos reais
Pais que viveram a experiência de cuidar dos filhos recém-nascidos com pouco tempo de licença relatam frustração e cansaço. Muitos precisaram usar férias ou licenças médicas para tentar compensar a ausência legal de um tempo adequado.
Mães também relatam que a ausência do parceiro nos primeiros dias agrava a carga física e emocional, o que pode influenciar na qualidade da amamentação e no risco de depressão pós-parto.

A ampliação da licença-paternidade no Brasil é mais do que uma pauta trabalhista: é uma demanda social, médica e científica com impactos diretos na saúde das famílias e no desenvolvimento das crianças. O projeto em tramitação representa um avanço, mas ainda não alcança o ideal de 30 dias defendido por especialistas e entidades.
A discussão em torno do tema fortalece a necessidade de políticas públicas mais robustas, que reconheçam o papel ativo dos pais na criação dos filhos. Se o país quiser se alinhar a modelos internacionais mais igualitários, investir na parentalidade ativa será um passo indispensável. Agora, cabe ao Congresso transformar essa oportunidade em realidade.
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