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Quase 1 em cada 5 produtos do mercado brasileiro já é de marca chinesa em 2026

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
Marcas chinesas

As marcas chinesas ampliaram sua presença no mercado automotivo brasileiro e já respondem por quase um em cada cinco veículos novos emplacados no país. Entre janeiro e setembro de 2026, essas fabricantes somaram 402.619 unidades, o equivalente a 18,7% dos 2.156.499 automóveis e comerciais leves registrados no período, segundo os dados do levantamento apresentado.

A expansão é impulsionada por preços competitivos, pacotes de equipamentos completos e maior oferta de modelos híbridos e elétricos. Com isso, empresas como BYD, GWM, Caoa Chery, Geely e Omoda Jaecoo passaram a disputar consumidores diretamente com montadoras tradicionais.

O crescimento, porém, também traz novos desafios. Depois de conquistar espaço nas concessionárias, as fabricantes precisam demonstrar que conseguem manter uma rede de assistência eficiente, oferecer peças de reposição e preservar o valor de revenda dos veículos.

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Quais são as marcas chinesas mais vendidas no Brasil em 2026?

Marcas chinesas
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A BYD lidera com ampla vantagem o ranking das marcas chinesas no Brasil. A fabricante registrou 169.135 emplacamentos até setembro, volume que representa aproximadamente 42% do total atribuído às empresas chinesas no levantamento.

Confira os números apresentados para os nove primeiros meses de 2026:

PosiçãoMarcaEmplacamentos
1ºBYD169.135
2ºGWM63.402
3ºCaoa Chery58.041
4ºGeely37.804
5ºOmoda Jaecoo35.081
6ºGAC11.413
7ºCaoa Changan7.400
8ºLeapmotor7.140
9ºJetour6.512
10ºDenza3.259
11ºMG2.868
12ºZeekr564

BYD mantém a liderança entre as fabricantes chinesas

A BYD ocupa uma posição isolada no ranking, com volume superior à soma dos emplacamentos de GWM e Caoa Chery. Parte desse desempenho está relacionada à variedade de modelos, que inclui veículos elétricos compactos, como o Dolphin Mini, e opções híbridas, como as da família Song.

A estratégia permite alcançar consumidores com diferentes necessidades e orçamentos. Ao ampliar sua presença nas ruas, a fabricante também aumenta sua visibilidade e passa a disputar espaço com marcas tradicionais em segmentos relevantes do mercado.

GWM e Caoa Chery disputam a segunda posição

A GWM registrou 63.402 unidades, enquanto a Caoa Chery chegou a 58.041. A diferença de 5.361 veículos mostra uma disputa relativamente equilibrada pelo segundo lugar entre as marcas chinesas.

A GWM tem no Haval H6 um dos principais pilares de sua operação brasileira, enquanto a Caoa Chery aposta na família Tiggo, com versões a combustão e híbridas plug-in. As duas fabricantes oferecem alternativas para consumidores interessados em SUVs, segmento que concentra uma parcela importante da demanda nacional.

Geely e Omoda Jaecoo ampliam a concorrência

Geely e Omoda Jaecoo aparecem na quarta e quinta posições, com 37.804 e 35.081 emplacamentos, respectivamente. Os resultados indicam que o mercado brasileiro passou a receber um número maior de fabricantes chinesas com propostas comerciais distintas.

A Geely aposta em modelos desenvolvidos sobre plataformas globais, enquanto a Omoda Jaecoo investe em SUVs com design marcante, tecnologia embarcada e versões eletrificadas. A expansão dessas empresas aumenta a concorrência não apenas com as montadoras tradicionais, mas também dentro do próprio grupo chinês.

Carros chineses ganham espaço nas vendas diretas ao consumidor

Os emplacamentos totais ajudam a dimensionar o mercado, mas não mostram sozinhos a preferência dos compradores particulares. Por isso, as vendas no varejo são relevantes para avaliar a disputa comercial entre as fabricantes.

Segundo os números fornecidos, a BYD alcançou 11,61% de participação no varejo acumulado até setembro, próxima da Volkswagen, com 12,54%, e da Fiat, com 11,59%. A Caoa Chery registrou 5,09%, enquanto a GWM chegou a 4,78%.

A presença de marcas chinesas entre as fabricantes com maior participação no varejo indica que sua expansão não depende apenas de operações com empresas e frotistas. Ainda assim, comparações precisas exigem que os dados utilizem a mesma metodologia e o mesmo período de referência.

Quais modelos chineses estão entre os mais vendidos?

O levantamento também inclui quatro veículos chineses entre os dez modelos com maior volume de vendas no varejo até setembro.

ModeloVendas no varejo
BYD Dolphin Mini46.898
BYD Dolphin30.712
GWM Haval H630.342
Geely EX227.958

A lista mostra que as fabricantes chinesas avançam em diferentes categorias. O Dolphin Mini atende consumidores interessados em um elétrico compacto, enquanto o Haval H6 disputa espaço entre os SUVs. Já o Dolphin e o Geely EX2 ampliam as alternativas para quem busca veículos voltados à mobilidade urbana.

Essa variedade ajuda a explicar a expansão do segmento: em vez de depender de uma única categoria, as marcas chinesas passaram a disputar diferentes perfis de compradores.

Por que os carros chineses estão conquistando consumidores?

O crescimento está associado a uma combinação de preço, equipamentos e tecnologia. Em muitos casos, as fabricantes oferecem recursos de conectividade, câmeras, sistemas de assistência à condução e soluções de eletrificação em versões competitivas em relação aos concorrentes.

A estratégia pressiona as demais montadoras a rever preços, ampliar equipamentos e atualizar seus produtos. Para o consumidor, o aumento da concorrência pode significar mais opções de compra, embora o preço de tabela não seja suficiente para determinar qual veículo oferece o melhor custo-benefício.

A eletrificação também contribui para a mudança. Os modelos elétricos podem reduzir os gastos com energia em determinadas condições de uso, enquanto os híbridos combinam diferentes sistemas de propulsão. A economia efetiva, porém, depende do preço de aquisição, da quilometragem percorrida, do custo de recarga e das condições de utilização.

Por isso, comparar o consumo ou a autonomia anunciada não basta. O comprador precisa avaliar o custo total de propriedade, incluindo seguro, manutenção, impostos e desvalorização.

Quais são os desafios das marcas chinesas no Brasil?

Com o aumento da frota em circulação, o pós-venda ganha importância. A capacidade de atender clientes, realizar reparos e disponibilizar componentes pode influenciar diretamente a reputação das fabricantes.

Peças e assistência técnica

A demora na entrega de peças pode deixar veículos parados por períodos prolongados e comprometer a experiência do proprietário. Para evitar esse problema, as empresas precisam ampliar estoques, capacitar profissionais e garantir que as oficinas autorizadas acompanhem o crescimento das vendas.

A quantidade de concessionárias, isoladamente, não garante um bom atendimento. Também é necessário avaliar a distribuição geográfica da rede, a disponibilidade de componentes e a capacidade de realizar reparos dentro de prazos razoáveis.

Seguro e valor de revenda

O custo do seguro varia conforme o modelo, o perfil do motorista, a região e o preço dos componentes. Por isso, solicitar cotações antes da compra é uma medida importante, especialmente para veículos com tecnologias que exigem reparos especializados.

A desvalorização também deve entrar na conta. O preço de revenda pode ser influenciado por descontos oferecidos nos veículos novos, mudanças tecnológicas, demanda por seminovos e confiança na marca.

Nos elétricos, as condições da bateria e o histórico de manutenção podem ser fatores relevantes para o comprador de um usado. Avaliar esses aspectos ajuda a evitar que uma oferta inicialmente atraente resulte em custos maiores ao longo do tempo.

Como escolher um carro chinês antes de comprar?

A decisão deve considerar mais do que o preço anunciado. Antes de fechar negócio, o consumidor pode adotar algumas medidas:

  • Compare o custo total: inclua financiamento, seguro, impostos, manutenção e energia ou combustível.
  • Verifique a garantia: confira a cobertura do veículo, da bateria e dos componentes elétricos.
  • Consulte a rede de assistência: identifique oficinas autorizadas próximas e pesquise a disponibilidade de peças.
  • Avalie a recarga: para veículos eletrificados, considere a possibilidade de carregar em casa ou no trabalho.
  • Pesquise a revenda: compare preços de seminovos e as condições oferecidas para modelos equivalentes.
  • Faça um test-drive: avalie conforto, dirigibilidade, espaço interno e funcionamento dos equipamentos.

Essas verificações ajudam a comparar modelos de maneira mais equilibrada e reduzem o risco de escolher um veículo apenas pelo preço inicial.

O avanço chinês deve continuar nos próximos anos?

Marcas chinesas
Imagem: LewisTsePuiLung / iStockBYD

Os números apresentados para 2026 indicam que as fabricantes chinesas conquistaram uma posição relevante no Brasil. A manutenção desse crescimento, entretanto, dependerá da capacidade de transformar o volume de vendas em confiança de longo prazo.

Ampliar a rede de assistência, garantir peças, oferecer condições competitivas de manutenção e preservar o valor dos seminovos serão fatores importantes para a consolidação dessas empresas.

Para as montadoras tradicionais, a concorrência aumenta a pressão por preços competitivos e renovação tecnológica. Para o consumidor, abre espaço para mais opções, mas exige atenção aos custos que aparecem depois da compra.

O avanço das marcas chinesas já mudou a disputa pelo comprador brasileiro. O próximo passo será demonstrar que a competitividade comercial pode ser acompanhada por um pós-venda consistente e uma experiência de propriedade satisfatória.

Conclusão

O avanço das marcas chinesas mostra que o mercado automotivo brasileiro está passando por uma transformação que vai além da popularização dos carros elétricos e híbridos. Com preços competitivos, mais tecnologia e uma oferta crescente de modelos, essas fabricantes conquistaram espaço e aumentaram a pressão sobre as montadoras tradicionais.

O desafio agora é sustentar esse crescimento com assistência técnica eficiente, peças disponíveis, custos de manutenção competitivos e boa valorização dos seminovos. Para quem pretende comprar um carro, a concorrência amplia as possibilidades de escolha, mas exige atenção ao custo total de propriedade. Nos próximos anos, a capacidade de oferecer qualidade e confiança após a venda será tão decisiva quanto o preço para determinar quais marcas conquistarão espaço duradouro no Brasil.

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