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Mastercard aposenta números no cartão: veja o que muda até 2030

Descubra aqui como a Mastercard vai eliminar os números dos cartões até 2030 e saiba o que muda nas suas compras digitais. Leia agora!!!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes8 min de leitura
Homem olhando surpresa para o celular.

O sistema financeiro global está prestes a atravessar uma das maiores transformações das últimas décadas. A Mastercard, uma das maiores empresas de tecnologia de pagamentos do mundo, anunciou um plano para eliminar totalmente os números impressos nos cartões até 2030. O projeto, baseado na chamada tokenização total, representa o ponto de virada de um modelo de segurança digital que promete redefinir como as transações serão protegidas e processadas em escala mundial.

A medida faz parte de um movimento mais amplo de modernização da infraestrutura de pagamentos, alinhado a tendências de inteligência artificial, biometria avançada e criptografia quântica. Para consumidores e empresas, a iniciativa significa o início de uma nova era em que dados sensíveis deixarão de circular livremente, reduzindo fraudes e simplificando a experiência de compra, especialmente no ambiente digital.

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Imagem: garmoncheg / Shutterstock.com

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Mastercard e a meta global de 100% de tokenização até 2030

O anúncio foi detalhado durante o evento Mind The Sec, referência em cibersegurança corporativa, onde Daniel Vilela, vice-presidente de Produtos e Soluções da Mastercard Brasil, confirmou que a companhia pretende alcançar 100% de tokenização global nos próximos cinco anos. A meta cobre tanto cartões físicos quanto carteiras digitais e se estende a todas as transações em e-commerce e pagamentos móveis.

O executivo destacou que a Mastercard já investiu mais de US$ 10 bilhões nos últimos anos em pesquisa, aquisição de startups de segurança e desenvolvimento de novos sistemas de autenticação. O objetivo é eliminar completamente o uso de números fixos em cartões — um modelo criado há mais de meio século e que se tornou vulnerável diante do avanço dos crimes cibernéticos.

A estratégia vai além da segurança. Segundo Vilela, a tokenização é também uma ferramenta de eficiência operacional, reduzindo custos para bancos e comerciantes, e aumentando a taxa de aprovação de pagamentos.

O que é a tokenização e por que ela muda o paradigma dos pagamentos

Na prática, a tokenização substitui o número real do cartão (os famosos 16 dígitos) por um identificador digital aleatório, o token. Esse código é exclusivo e válido apenas para uma transação ou para um dispositivo específico. Caso ocorra uma invasão, o token interceptado é inútil fora do contexto original.

O conceito não é novo, mas a aplicação em larga escala é recente. Desde 2014, a Mastercard desenvolve seu próprio sistema de tokenização, integrado a plataformas como Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay, e hoje já cobre 50% das operações globais.

Benefícios principais da tokenização

  • Segurança aprimorada: elimina o risco de roubo direto dos números do cartão.
  • Menor índice de fraudes: tokens expostos não podem ser reutilizados.
  • Experiência mais fluida: o usuário não precisa digitar dados a cada compra.
  • Maior confiança do mercado: reduz custos de estorno e de compliance.

De acordo com dados internos da Mastercard, transações tokenizadas apresentam fraudes 80% menores em comparação com operações tradicionais. O impacto é tão significativo que reguladores europeus já estudam tornar o modelo obrigatório em plataformas de comércio eletrônico.

Segurança digital e o fator humano

Mesmo com o avanço de tecnologias como a tokenização e a biometria comportamental, o maior ponto de vulnerabilidade ainda é o fator humano. Golpes de engenharia social — como phishing, falsos contatos de bancos e invasões via aplicativos — continuam crescendo.

Segundo Vilela, a Mastercard tem intensificado seus programas de educação digital para consumidores e empresas parceiras. “Podemos ter o sistema mais seguro do mundo, mas se o usuário for induzido a compartilhar seus dados, a fraude acontece. Por isso, a informação é tão importante quanto a tecnologia”, afirmou o executivo.

A empresa também utiliza inteligência artificial preditiva, capaz de identificar comportamentos suspeitos antes que o cliente perceba a tentativa de fraude. Essa camada de análise analisa em milissegundos padrões de compra, localização e histórico, bloqueando automaticamente transações atípicas.

A inteligência artificial no centro da nova segurança financeira

A IA está se tornando o eixo central das operações da Mastercard. Além de detectar anomalias, ela é usada em modelos de biometria comportamental, analisando microdetalhes como ritmo de digitação, velocidade do clique e forma de segurar o smartphone. Essas variáveis criam um perfil único para cada usuário, tornando quase impossível que criminosos imitem o comportamento autêntico.

Contudo, a Mastercard reconhece que a IA é uma faca de dois gumes. As mesmas tecnologias usadas para proteção também podem ser exploradas para ataques mais sofisticados. Por isso, a companhia investe em IA defensiva, criando sistemas autorreguláveis e capazes de se adaptar em tempo real a novas ameaças.

Computação quântica: o próximo grande desafio

Enquanto a tokenização representa o presente da segurança, a computação quântica desponta como o grande desafio do futuro. A Mastercard mantém equipes dedicadas a estudar seus impactos sobre os sistemas de criptografia que hoje protegem bilhões de transações diárias.

A preocupação é legítima: computadores quânticos poderão, em teoria, quebrar chaves criptográficas atuais em questão de segundos. Antecipando-se a esse cenário, a empresa participa de iniciativas de criptografia pós-quântica, desenvolvendo novos protocolos resistentes à próxima geração de ameaças.

“Nosso papel é estar prontos antes que o problema chegue ao mercado”, disse Vilela, destacando que a Mastercard tem colaborado com universidades e órgãos reguladores para estabelecer padrões internacionais de segurança digital.

Europa lidera a implementação

O movimento de tokenização avança com mais rapidez na Europa, onde a Mastercard anunciou, em 2024, a meta de eliminar completamente a digitação manual de números de cartão em sites e aplicativos até o fim da década.

Indicadores do avanço europeu

  • 25% das transações globais de e-commerce já são tokenizadas.
  • A taxa de adoção cresce 50% ao ano.
  • O programa europeu integra Click to Pay, biometria móvel e autenticação sem senha.

De acordo com Valerie Nowak, vice-presidente executiva de Produto e Inovação da Mastercard Europa, a transição não apenas reduz fraudes, como também melhora a conversão de vendas. “Quando o pagamento é seguro e rápido, o consumidor compra mais e abandona menos carrinhos virtuais”, explica.

Os bancos emissores também se beneficiam. Com tokens vinculados a dispositivos e carteiras digitais, o índice de aprovação de transações pode aumentar até 10%, enquanto os custos com contestação de fraudes caem significativamente.

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Da fita magnética à era da tokenização total

A evolução dos meios de pagamento ilustra a constante busca por confiabilidade e velocidade.

  • 1950–1960: surgem os primeiros cartões físicos, processados manualmente.
  • 1970–1980: chegada dos validadores mecânicos e papel carbono.
  • 1990–2000: consolidação da banda magnética e da autorização eletrônica.
  • 2010–2020: avanço dos chips e pagamentos por aproximação.
  • 2020–2030: consolidação da tokenização e autenticação biométrica.

A cada década, a Mastercard esteve entre as pioneiras dessas transições, antecipando mudanças antes que se tornassem inevitáveis. O que agora se desenha é uma infraestrutura completamente digital, onde o número do cartão deixa de ser um dado sensível e se torna apenas um identificador simbólico.

Impactos econômicos e sociais da tokenização

Um relatório da Juniper Research estima que as fraudes online devem ultrapassar €90 bilhões até 2028. A Mastercard acredita que a tokenização será a chave para reduzir esse prejuízo global e fortalecer a confiança dos consumidores.

Mas o impacto vai além da segurança. O sistema tokenizado simplifica a conformidade regulatória, reduz custos de armazenamento de dados e melhora a experiência do usuário — fatores que influenciam diretamente o desempenho econômico das empresas.

Segundo o Chief Product Officer da Mastercard, Jorn Lambert, “à medida que o mundo físico e o digital convergem, expandimos os limites do possível. A tokenização é mais do que uma inovação: é a base da próxima geração de pagamentos.”

O papel estratégico da Mastercard

Com presença em mais de 210 países, a Mastercard atua hoje como uma empresa de tecnologia que vai muito além dos cartões. Sua meta é consolidar um ecossistema global de pagamentos seguros e interoperáveis, no qual o consumidor controla seus dados e os compartilha apenas quando necessário.

O modelo tokenizado também contribui para metas ambientais: menos plástico, menos transporte de cartões e menor consumo energético em sistemas físicos de emissão. Assim, a tokenização integra o pilar de sustentabilidade corporativa da companhia.

A Mastercard projeta que, até 2030, cerca de 4 bilhões de tokens estarão ativos em sua rede, substituindo completamente os cartões físicos tradicionais.

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Imagem: David Cardinez / shutterstock.com

O plano da Mastercard de aposentar os números de cartão até 2030 representa muito mais do que uma atualização tecnológica. É uma reconstrução estrutural da segurança financeira global. A empresa aposta em uma arquitetura de dados dinâmica, inteligente e sustentável — preparada para enfrentar as ameaças do futuro e para proteger a confiança do consumidor.

À medida que tecnologias como IA, biometria e criptografia pós-quântica se tornam parte do cotidiano, a tokenização se firma como o novo padrão de segurança universal. A Mastercard, com sua estratégia de longo prazo e forte investimento em inovação, consolida-se como protagonista da nova economia digital.

A eliminação dos números físicos não é o fim dos cartões, mas o início de uma era em que o dinheiro, a identidade e a tecnologia estarão finalmente integrados sob um mesmo princípio: segurança por design.

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Erivelto Lopes

Autor

Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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