Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Pesquisa decepciona MEIs com média de renda com valor menor que 1 salário mínimo

Uma pesquisa do IBGE revela que muitos MEIs no Brasil têm renda abaixo de um salário mínimo. Saiba mais informações sobre o levantamento!

Andreza AraújoPor Andreza Araújo6 min de leitura
Homem sentado em uma mesa e olhando para o celular, com expressão de choque. Ao lado dele está escrito: "MEI - Microempreendedor Individual".

Uma pesquisa recente divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe à tona dados que revelam uma realidade preocupante sobre os Microempreendedores Individuais (MEIs) no Brasil. De acordo com o levantamento, grande parte desses empreendedores vive com uma renda que, em média, é inferior a um salário mínimo.

Essa informação contradiz a percepção de que abrir um negócio próprio é sinônimo de estabilidade financeira, e acende um alerta sobre a vulnerabilidade econômica enfrentada por muitos brasileiros que optaram pelo empreendedorismo. Continue a leitura!

O Panorama dos MEIs no Brasil

De acordo com os dados divulgados pelo IBGE, o Brasil tinha aproximadamente 14,6 milhões de MEIs registrados no Simples Nacional em 2022. Desses, um número expressivo, cerca de 4,1 milhões, estava inscrito no Cadastro Único, uma ferramenta utilizada pelo governo para identificar famílias de baixa renda aptas a receberem assistência social. Mais alarmante ainda é o fato de que 2,1 milhões de MEIs, equivalente a 14,1% do total, recebiam o Auxílio Brasil, programa similar ao Bolsa Família.

O Que o Cadastro Único e o Auxílio Brasil Revelam Sobre os MEIs?

O Cadastro Único é um sistema destinado a identificar famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza. Para estar inscrito, é necessário que a renda familiar por pessoa seja de até meio salário mínimo. Já o Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família, é destinado a famílias que vivem em condições de vulnerabilidade social.

A inscrição de tantos MEIs nesses programas revela que, apesar de serem formalmente empreendedores, muitos deles não conseguem gerar renda suficiente para sair da linha da pobreza.

Leia mais:

MEIs Precisam Ficar Atentos ao Pagamento DAS-MEI

A Renda Média dos MEIs: Um Cenário Decepcionante

Celular com logo da Receita Federal e Simples Nacional MEI
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

A pesquisa do IBGE trouxe à tona um dado preocupante: mais de 4 milhões de microempreendedores possuem uma renda familiar per capita de, no máximo, meio salário mínimo. Isso significa que a renda gerada pelo empreendimento é tão baixa que não consegue sequer atingir o patamar de um salário mínimo por pessoa.

Comparando o Faturamento Permitido com a Realidade

Um MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano para permanecer no regime do Simples Nacional. No entanto, na prática, muitos desses microempreendedores estão longe de alcançar esse teto. Os dados indicam que a renda média efetivamente recebida é muito inferior ao potencial permitido, refletindo um cenário onde o empreendedorismo de necessidade prevalece sobre o de oportunidade.

Distribuição Geográfica e Perfil dos MEIs Inscritos em Programas Sociais

O levantamento do IBGE também revelou que os estados da Bahia, Ceará e Sergipe possuem os maiores percentuais de MEIs inscritos no Cadastro Único, com cerca de 40% dos empreendedores dessas regiões participando de programas sociais. Essa concentração regional pode ser reflexo de fatores econômicos locais, como o menor desenvolvimento industrial e a maior dependência de pequenas atividades comerciais e de serviços.

Quem São os MEIs Inscritos no Cadastro Único?

Os MEIs inscritos no Cadastro Único geralmente são pessoas que, antes de se formalizarem como microempreendedores, já viviam em situação de vulnerabilidade social. Muitos deles, por não encontrarem emprego formal, optaram por abrir um negócio próprio como alternativa de sobrevivência.

A formalização como MEI oferece a esses trabalhadores acesso a benefícios previdenciários e a uma série de outros direitos, mas não garante uma renda suficiente para melhorar significativamente sua condição financeira.

Outras Informações Relevantes da Pesquisa

Além dos dados sobre renda e participação em programas sociais, a pesquisa do IBGE revelou outras informações importantes sobre os MEIs no Brasil:

  • Empreendedorismo como Segunda Ocupação: 18,8% dos MEIs em 2022 também possuíam um emprego formal com carteira assinada. Isso indica que uma parcela significativa desses empreendedores não depende exclusivamente do negócio próprio para sua renda, utilizando o MEI como uma fonte complementar de renda;
  • MEIs Empregadores: apenas 133,8 mil possuíam um funcionário com carteira assinada, o que corresponde a menos de 1% do total de empresas abertas sob esse regime. Esse número ilustra a dificuldade que muitos microempreendedores individuais enfrentam para expandir seus negócios e criar empregos formais;
  • Cenário de Desemprego e Empreendedorismo: dos 14,6 milhões de MEIs registrados, 60,7% haviam sido desligados de seus empregos anteriores por decisão do empregador ou por justa causa. Este dado reforça a tese de que o empreendedorismo é frequentemente uma saída para aqueles que não encontram oportunidades no mercado formal de trabalho.

A Situação Econômica dos MEIs: Por Que a Renda é Tão Baixa?

Quadradinhos de madeira com as letras "m", "e" e "i", formando a sigla MEI - Microempreendedor Individual MEIs
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Diversos fatores contribuem para que a renda dos MEIs seja, em média, tão baixa. Entre eles, destacam-se:

1. Falta de Capacitação e Qualificação Profissional

Muitos MEIs iniciam seus negócios sem uma preparação adequada ou conhecimentos de gestão, finanças e marketing. A falta de capacitação impacta diretamente a capacidade desses empreendedores de gerir seus negócios de forma eficiente e de alcançar um público maior, limitando o potencial de crescimento e faturamento.

2. Condições Econômicas Adversas

A instabilidade econômica do país, com crises recorrentes e inflação elevada, também afeta o desempenho dos pequenos negócios. Em muitos casos, os MEIs são diretamente impactados pela redução do poder de compra da população e pelo aumento dos custos operacionais, o que limita seus lucros.

3. Burocracia e Acesso ao Crédito

Embora o regime do MEI tenha simplificado muitos aspectos da formalização empresarial, ainda há barreiras significativas para o acesso ao crédito e outros serviços financeiros. Sem capital para investir em seus negócios, muitos MEIs não conseguem expandir suas operações ou inovar, o que restringe seu crescimento.

Considerações Finais

A pesquisa do IBGE lança luz sobre a realidade vivida por muitos MEIs no Brasil, destacando a vulnerabilidade financeira desse grupo. Embora a formalização como MEI ofereça alguns benefícios, ela não é, por si só, uma garantia de estabilidade financeira.

Se você é um MEI ou está pensando em se formalizar, busque informações sobre programas de capacitação e crédito voltados para microempreendedores. Estar bem preparado e informado é o primeiro passo para transformar seu negócio em uma fonte sustentável de renda e realização profissional.

Imagem: voronaman / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Andreza Araújo

Autor

Andreza Araújo

Andreza Araújo é formada em Letras (Português e Linguística) pela Universidade de São Paulo e em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. Com experiência na área educacional como professora de inglês, atualmente atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, escrevendo sobre finanças, benefícios sociais, consumo e mercado.

Topicos relacionados