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Mercado Livre perde quase US$ 15,48 bilhões em valor de mercado; entenda

Após divulgar um resultado abaixo do esperado no terceiro trimestre de 2024, o Mercado Livre perdeu US$ 15,48 bilhões em valor de mercado, equivalente ao valor da Eletrobras

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
Mercado Livre

A divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2024 pelo Mercado Livre surpreendeu negativamente o mercado e resultou em uma queda significativa no valor de suas ações. 

Com uma queda de 14,42% em suas ações, a empresa perdeu US$ 15,48 bilhões em valor de mercado, o que equivale a cerca de R$ 87,7 bilhões na cotação atual. Esse montante é comparável ao valor de mercado da Eletrobras, avaliada em aproximadamente R$ 84,7 bilhões.

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O impacto imediato no mercado

Na última quinta-feira, dia 7, as ações do Mercado Livre recuaram de US$ 2.245,50, preço do fechamento anterior, para US$ 1.760,01 em seu pior momento, representando uma redução de aproximadamente US$ 18,1 bilhões em seu valor de mercado. 

No horário de Nova York, por volta das 11h, e às 13h no Brasil, a empresa ainda era a maior da América Latina, mas com uma distância reduzida da Petrobras, que tem um valor de mercado de US$ 82,64 bilhões.

Einar Rivero, sócio-fundador da consultoria Elos Ayta, destacou que a magnitude da perda do Mercado Livre se equipara ao valor de mercado de grandes empresas brasileiras, como o Banco Santander Brasil, que vale cerca de US$ 17,4 bilhões.

Empresas Valiosas - Mercado Livre
Imagem: Reprodução / Mercado Livre

A decepção com o balanço

O balanço do terceiro trimestre do Mercado Livre revelou um crescimento de 11% no lucro líquido ano a ano, totalizando US$ 397 milhões. Contudo, esse resultado ficou abaixo da expectativa média dos analistas, que previam um lucro de US$ 542 milhões, conforme dados compilados pela LSEG.

Mesmo com uma receita líquida de US$ 5,3 bilhões, um aumento de 35% em relação ao mesmo período de 2023 e em linha com as previsões, os custos crescentes em logística e crédito acabaram impactando o resultado final. 

Esses custos, conforme apontou o diretor financeiro Martin de los Santos, decorrem de investimentos significativos da empresa na ampliação de seu portfólio de cartões de crédito e na infraestrutura logística de e-commerce.

“O que provavelmente aconteceu é que o mercado subestimou a quantidade de investimentos que estamos fazendo em cartão de crédito”, comentou de los Santos em entrevista à Reuters.

Desempenho operacional e margem Ebit em declínio

O lucro operacional do Mercado Livre, representado pelo Ebit (lucro antes de juros e impostos), atingiu US$ 557 milhões no trimestre, uma queda de quase 30% em relação ao ano anterior. Os analistas esperavam um resultado próximo de US$ 783 milhões. 

Além disso, a margem Ebit caiu de 18,2% em 2023 para 10,8% neste trimestre, evidenciando os desafios enfrentados pela companhia em manter sua lucratividade diante de custos crescentes.

Investimentos em crédito e a pressão sobre os lucros

O portfólio de crédito do Mercado Pago, braço financeiro do Mercado Livre, alcançou US$ 6 bilhões, o que representa um crescimento de 77% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse ritmo de expansão não era visto desde o primeiro trimestre de 2022. 

O aumento no portfólio foi impulsionado por uma estratégia de diversificação dos serviços financeiros, que inclui a oferta de cartões de crédito e facilidades de pagamento para consumidores e vendedores.

Esse crescimento, embora positivo para a diversificação e expansão da base de clientes, trouxe consigo um aumento nos custos de provisionamento e inadimplência, pressionando o resultado final da empresa. 

A alta competitividade no setor de crédito também adiciona uma camada de complexidade à operação do Mercado Livre, que precisa balancear o crescimento do portfólio com a manutenção de uma rentabilidade saudável.

Análise do mercado e expectativas futuras

Analistas apontam que a queda expressiva no valor das ações do Mercado Livre reflete uma reação do mercado a um balanço que ficou aquém das expectativas e a uma sinalização de aumento de despesas operacionais. A empresa, embora tenha crescido em receita e mantido a liderança na América Latina, enfrentou desafios em transformar esse crescimento em lucro proporcional.

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A estratégia de expansão do portfólio de crédito e os investimentos em logística, embora vistos como necessários para o crescimento de longo prazo, pesam sobre a lucratividade no curto prazo. O mercado, por sua vez, tem expectativas altas para empresas de tecnologia e e-commerce, que muitas vezes precisam mostrar resultados rápidos e eficientes.

A concorrência acirrada em mercados-chave como o Brasil e o México também pressiona a empresa a investir continuamente em infraestrutura, tecnologias de pagamento e soluções logísticas para manter sua posição de liderança.

motorista entregador abrindo porta de veículo de entregas do Mercado Livre
Imagem: Alf Ribeiro / shutterstock.com

Comparações e implicações

A comparação com a Eletrobras, uma das maiores empresas do setor de energia do Brasil, ilustra a magnitude da perda de valor enfrentada pelo Mercado Livre em um único dia de negociações. Embora as empresas pertençam a setores completamente diferentes, a comparação serve para dimensionar a importância do impacto sofrido pela gigante do e-commerce.

Ainda que o Mercado Livre continue sendo a maior empresa da América Latina em valor de mercado, a queda no preço das ações acende um sinal de alerta para investidores e para a própria empresa, que precisará avaliar suas estratégias de curto e médio prazo para evitar novas surpresas negativas.

Considerações Finais

O balanço do Mercado Livre do terceiro trimestre de 2024 trouxe à tona uma série de desafios enfrentados pela empresa, que mesmo registrando crescimento em receita, viu sua lucratividade ser impactada por custos maiores em crédito e logística. 

A resposta do mercado, que resultou em uma perda de US$ 15,48 bilhões em valor de mercado, destaca a importância de ajustes estratégicos e de comunicação para reconquistar a confiança dos investidores.

O Mercado Livre agora enfrenta a tarefa de demonstrar que seus investimentos em infraestrutura e serviços financeiros vão além de custos imediatos e representam alavancas para um crescimento sustentável no futuro.

Imagem: Divulgação/Mercado Livre

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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