Na última segunda-feira (30), o canal Gêmeos Investem apresentou um vídeo que chamou atenção de entusiastas brasileiros: o unboxing, instalação e desempenho da ASIC BitAxe HEX, que serve para minerar Bitcoin. O objetivo era ilustrar, na prática, se equipamentos compactos são viáveis para gerar lucro em casa — ou se investir diretamente em Bitcoin ainda é a opção mais inteligente.
Mineiro doméstico mostra: minerar Bitcoin com ASIC caseira rende menos que comprar diretamente
Gêmeos brasileiros testam a BitAxe HEX para minerar Bitcoin em casa e revelam os lucros reais. Descubra se vale a pena investir em mineração doméstica de BTC em 2025.
Renan e Matheus, fundadores do canal, compraram a BitAxe por USD 575 (aproximadamente R$ 4.569 após impostos). Equipado com seis chips BM1366, o hardware entrega cerca de 3 TH/s, um nível modesto comparado a potentes mineradoras como a Bitmain S19XP (255 chips).
Os resultados, entretanto, mostram que para mineradores domésticos, a mineração doméstica hoje diverge muito das expectativas iniciais.
Leia mais:
Startup rastreia golpe bilionário e evita rombo de R$ 1 bilhão em criptomoedas
Minerar Bitcoin: Umboxing e especificações técnicas da BitAxe HEX
Primeiro contato com o equipamento
O vídeo começa com o unboxing, no qual os Gêmeos recebem:
- A BitAxe HEX;
- Fonte de alimentação;
- Antena Wi-Fi;
- Ventilador extra;
- Adesivos e kits promocionais;
- Uma nota venezuelana de 100 bolívares com mensagem contra moeda fiduciária;
- Moeda metálica decorativa de Bitcoin.
Eles destacam o design compacto e o ruído baixo devido às ventoinhas minimalistas — fatores que tornam o equipamento atraente para uso doméstico.
Potência versus placa de vídeo
Com apenas 3 TH/s, a BitAxe supera amplamente um hardware gamer comum, como a GeForce RTX 4080 Super (52 MH/s), mas falha em competir com ASICs de alta performance. A escalabilidade e o custo-benefício são o desafio central.
Mineração solo vs. pool: os riscos e chances

A ilusão da mineração solo
Renan e Matheus explicam que a chance de encontrar um bloco minerando sozinho com a BitAxe está em 1 em 5.530 anos, tornando inviável a operação sem participação coletiva.
No entanto, casos isolados — como um minerador que descobriu um bloco de maneira independente em 2024 e ganhou ~3 BTC (R$ 1,1 milhão na época) — mantêm o mito da “loteria” viva.
Pools como solução prática
Por isso, o equipamento foi conectado a uma pool de mineração, que distribui os ganhos proporcionalmente à capacidade de mineração de cada membro. Um sistema mais previsível, mas que ainda enfrenta limitações de rendimento em ASICs de entrada.
Resultados práticos: quanto rendeu a mineradora?
Performance após duas semanas de uso
Após 14 dias, o resultado acumulado foi de:
- 2.293 satoshis (0,00002293 BTC);
- Valor equivalente a R$ 13,60.
Frente a esse retorno, o custo mensal estimado de energia foi de R$ 40,49, cenário que revela fragilidade na equação de lucro:
“Não pagou nem a energia”, resumem os Gêmeos.
Momento do recebimento — via Lightning Network
Os ganhos foram distribuídos via Lightning Network, o que indica rapidez e baixo custo nas transações, mesmo para valores mínimos. Os Gêmeos ressaltam que, apesar de recorrentes, os pagamentos ainda são insuficientes para cobrir despesas.
Economia: investir ou minerar?

Comparativo entre métodos
- Minerar com BitAxe: investimento inicial + energia elétrica = receita abaixo do ponto de equilíbrio;
- Comprar bitcoin diretamente: única barreira é o preço da criptomoeda com potencial de valorização a longo prazo.
A conclusão dos Gêmeos foi contundente: para usuários comuns, comprar BTC é mais vantajoso.
Impostos, isenção e futuro da mineração no Brasil
Imposto zero para ASICs no país
Em maio, o governo zerou os impostos de importação e PIS/Cofins sobre equipamentos de mineração, facilitando o acesso ao hardware, com expectativas de barateamento gradual.
Entra Tether na roda brasileira
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Coincidentemente, a Tether, emissora da stablecoin USDT, anunciou sua entrada na mineração no Brasil — um sinal de que o país está ganhando relevância na operação cripto, apesar dos desafios econômicos.
Opinião dos Gêmeos: mineração não compensa para maioria
A conclusão prática
“Para pessoas comuns, que querem minerar de casa — assim como eu, assim como você — a realidade é que não vai valer a pena. Você quer ter Bitcoin de verdade, vai lá e compra, vai ser muito melhor do que tentar minerar.”
A opinião final é clara: equipamentos domésticos ainda não geram retorno satisfatório e exigem riscos e custos que superam a conveniência da compra simples de BTC.
Modelo de negócio da mineração profissional
Operações em larga escala valem a pena?
Grande mineradoras como Bitmain, Riot e Marathon Digital utilizam ASICs em massa, instalações industriais e contratos de energia especializada, atingindo economias de escala que pessoas físicas não conseguem replicar.
Riscos e perigos da mineração no ambiente residencial
Aspectos ignorados por iniciantes
- Consumo energético elevado – conta de luz dispara;
- Desgaste do equipamento – redução mais rápida da vida útil;
- Infraestrutura necessária – tomadas, ventilação, espaço;
- Ruído e calor – ASICs geram calor constante;
- Custo de oportunidade – o capital poderia estar investido diretamente em BTC.
Considerações finais do experimento
Bitcoin como “combustível”, ASIC como luxo
A ideia de minerar BTC em casa ainda é um sonho distante para a grande maioria. Equipamentos como a BitAxe servem mais para aprendizado e hobby do que como fonte de renda. Para quem quer acumular BTC de forma eficiente, a recomendação permanece: compre diretamente.
Conclusão: instalação, performance e retorno — o veredicto

O teste conduzido pelos Gêmeos Investem mostrou que:
- A instalação da BitAxe é simples, mas os lucros são baixos;
- A mineração solo é quase inútil; pools reduzem o risco, mas não resolvem;
- Energia elétrica compromete qualquer retorno — mesmo com isenção de impostos na importação;
- Para investidores comuns, comprar BTC ainda é mais lógico.
