Uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com o Ipsos-Ipec e a Fundação Volkswagen, revela que 56% dos brasileiros residentes em 10 capitais recorrem a trabalhos extras para complementar seus rendimentos.
Moradores de 10 capitais recorrem a bicos; saiba os números
Pesquisa mostra que 56% dos brasileiros em 10 capitais fazem bicos para complementar renda; veja dados e diferenças.
O levantamento, publicado no jornal Folha de S.Paulo, mostra como a necessidade de renda adicional se tornou uma realidade para grande parte da população urbana.
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Principais atividades dos trabalhos extras

Os serviços gerais lideram a lista de ocupações complementares, incluindo faxina, manutenção, reformas, jardinagem e o popular “marido de aluguel”, representando 17% das respostas dos entrevistados. Na sequência, a venda de roupas e artigos usados aparece em segundo lugar, com 12%, seguida pela produção de alimentos caseiros para comercialização (9%) e revenda de cosméticos ou produtos de beleza (8%). Atividades como motorista ou entregador por aplicativo, trabalhos manuais e serviços de beleza registram 7% das menções cada.
Segundo os especialistas, esse cenário evidencia a adaptação da população diante do aumento do custo de vida e da instabilidade econômica. A busca por renda extra não é apenas uma escolha, mas muitas vezes uma necessidade para equilibrar o orçamento familiar.
Diferenças regionais entre as capitais
O estudo indica diferenças regionais significativas. Belém lidera o ranking, com 70% da população recorrendo a bicos, seguida por Manaus (69%) e Fortaleza (65%). Já Porto Alegre apresenta o menor índice, com 47% dos entrevistados buscando trabalhos extras. Outras capitais incluídas na pesquisa foram Belo Horizonte, Goiânia, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Grupos mais afetados
Os dados mostram que pessoas com rendimento familiar mensal de até dois salários mínimos e aquelas que convivem com pessoas com deficiência lideram a lista de quem busca renda adicional, ambas com 68%. Integrantes das classes D e E (65%), pretos e pardos (63%), evangélicos e protestantes (63%) e pessoas com ensino médio (62%) também apresentam índices elevados.
Esses números apontam para a persistência das desigualdades sociais e a necessidade de políticas públicas que ofereçam suporte à população mais vulnerável.
Mobilidade social e hábitos de consumo
Além de investigar os bicos, o levantamento abordou a mobilidade social em pesquisa realizada entre 2 e 27 de dezembro de 2024. Os dados indicam que 72% dos entrevistados possuem escolaridade superior à de seus pais, 47% conquistaram melhores condições de moradia e 45% relatam renda maior que a dos pais quando tinham a mesma idade.
Apesar disso, a situação financeira nos últimos 12 meses mostra um cenário misto: 34% tiveram diminuição nos ganhos, 40% mantiveram renda estável e apenas 17% conseguiram aumentar seus rendimentos. Esse contexto explica, em parte, a busca crescente por trabalhos extras.
Mudanças nos hábitos de consumo também foram observadas. Nos últimos 12 meses, 41% dos entrevistados reduziram a compra de carnes e 29% aumentaram o consumo de ovos, refletindo ajustes no orçamento doméstico.
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Percepção sobre pobreza e fome
O levantamento revela que 66% dos participantes acreditam que a pobreza e a fome aumentaram em suas capitais no último ano. Entre eles, 39% indicaram um crescimento significativo, enquanto 27% apontaram aumento moderado.
Esses números reforçam o impacto socioeconômico sobre a população urbana e a importância de estratégias de apoio social.
O que os dados revelam sobre o futuro do mercado de bicos

O crescimento do trabalho informal e dos bicos evidencia não apenas a necessidade econômica, mas também uma mudança estrutural no mercado de trabalho brasileiro. Serviços prestados de forma autônoma, aplicativos de entrega e pequenos negócios caseiros estão consolidando uma nova economia urbana, mais flexível, mas muitas vezes precária.
Especialistas alertam que, sem medidas de proteção social e incentivos à formalização, muitos trabalhadores podem continuar enfrentando insegurança financeira. “A renda extra ajuda, mas não substitui um salário adequado ou acesso a benefícios e proteção social”, aponta o estudo.
Com informações de: Poder 360
