Um novo estudo da SUNO Research acende um alerta sobre os riscos da recente proposta de mudança tributária anunciada pelo Governo Federal. A medida, que visa alterar as regras de isenção fiscal sobre investimentos como LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), pode provocar impactos significativos no financiamento de setores estratégicos da economia brasileira.
Estudo revela: mudança tributária pode fechar mais de 1 milhão de postos de trabalho
Estudo aponta que mudança tributária pode gerar perda de R$ 51 bi e extinguir mais de 1 milhão de empregos. Entenda aqui os detalhes!!!
Com base em dados públicos e referências internacionais, o estudo estima que a redução no volume de crédito pode alcançar R$ 51 bilhões, comprometendo diretamente o ritmo de investimentos em áreas como construção civil e agronegócio, com potenciais reflexos severos no mercado de trabalho.

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Mudança tributária? O que propõe o governo Lula
A proposta e seus alvos principais
A proposta em discussão prevê o fim da isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas sobre rendimentos obtidos em investimentos como LCIs, LCAs, CRIs e CRAs. Esses instrumentos são utilizados para canalizar recursos para setores como o imobiliário e o agrícola, oferecendo vantagens fiscais para atrair investidores.
A ideia do governo é ampliar a base de arrecadação em meio à necessidade de equilíbrio fiscal. No entanto, segundo a análise da SUNO, o impacto dessa medida pode ser mais profundo do que o previsto, afetando a eficiência do crédito privado e a saúde financeira de segmentos produtivos inteiros.
Impactos previstos no custo do crédito
A taxação proposta poderá elevar o custo das operações financeiras em até 17%, dependendo do perfil do investimento. Essa elevação resultaria em uma menor atratividade desses produtos para os investidores, gerando uma retração estimada de 25% na emissão dos títulos.
Na prática, isso se traduz em menos recursos disponíveis para financiar construções e atividades agropecuárias, justamente em um momento em que a economia precisa de estímulo ao crescimento e geração de emprego.
Efeitos diretos sobre o crédito
Construção civil e agronegócio na linha de frente
Segundo o estudo, a construção civil perderia cerca de R$ 25 bilhões em financiamentos, enquanto o agronegócio poderia deixar de captar R$ 26 bilhões. Ambos os setores têm forte dependência do crédito subsidiado e direcionado por meio de LCIs e LCAs.
No caso da construção civil, essa perda afeta não só as grandes incorporadoras, mas também pequenos empreiteiros, fornecedores de insumos e milhares de trabalhadores em funções diretas e indiretas.
Quantificação dos empregos em risco
A análise utiliza projeções baseadas em dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e estudos sobre o agronegócio para estimar os efeitos no mercado de trabalho. A cada R$ 1 milhão investido, a construção civil gera 18 empregos; já o agronegócio pode gerar até 49 postos, com ajuste conservador para 30 devido ao avanço da automação.
Com base nessas métricas, a perda de R$ 51 bilhões em crédito representa potencialmente a extinção de 1.304.000 postos de trabalho, divididos entre os dois setores.
Um precedente histórico relevante
O caso dos Estados Unidos em 1986
Para fortalecer a argumentação, o economista Sung, da SUNO Research, citou o exemplo norte-americano de 1986. Na época, a eliminação de benefícios fiscais semelhantes aos das LCIs e LCAs provocou aumento de 8% a 17% no custo de operação de títulos públicos municipais.
A consequência direta foi uma queda de 5% na emissão desses papéis, restringindo o acesso ao crédito e afetando serviços públicos locais. O paralelo traçado serve como advertência sobre os riscos de mudanças abruptas no ambiente tributário de investimentos.
Impacto em cadeia e nas camadas mais vulneráveis
Setores mais atingidos
Além de prejudicar grandes empresas, a medida tende a ter efeitos mais severos nas pequenas e médias empresas, que dependem de linhas de crédito com custo previsível e acessível para se manterem competitivas. A alta nos juros encarece financiamentos, dificulta expansão e pode levar muitos negócios à estagnação ou falência.
Na construção civil, o encarecimento do crédito pode paralisar obras, impactar fornecedores e reduzir o consumo de bens duráveis como móveis e eletrodomésticos. No agronegócio, pequenos produtores que usam LCAs para financiar safras ou adquirir maquinário enfrentarão maiores dificuldades.
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Desemprego em alta e exclusão social
Segundo o IBGE, o Brasil ainda tem mais de 7,6 milhões de desempregados. Caso a projeção de perda de mais de 1,3 milhão de empregos se concretize, o índice de desocupação pode superar 9%, em um cenário que tende a aprofundar desigualdades sociais, especialmente nas regiões que mais dependem dos setores atingidos.
A diminuição da renda familiar e o aumento da informalidade são efeitos secundários esperados, conforme alertado por economistas ouvidos pelo estudo.
Defasagem dos efeitos e risco de irreversibilidade
Impacto progressivo
A SUNO ressalta que os efeitos da nova tributação não seriam imediatos. A defasagem prevista pode ser de até três anos, período necessário para que a mudança se reflita integralmente nos mercados de crédito, trabalho e consumo. Esse fator, porém, não reduz a gravidade do problema.
Segundo especialistas, o que se perde nesse processo é a previsibilidade econômica, essencial para investidores e empresas decidirem por novos projetos. Com a elevação de riscos e custos, a tendência é a retração generalizada dos investimentos.
Recuperação difícil
Outro alerta importante diz respeito à recuperação pós-impacto. Como o capital humano se desorganiza com a perda de empregos e empresas reduzem sua capacidade produtiva, retomar o ritmo anterior pode ser um processo lento e dispendioso — com potencial para afetar o crescimento do PIB nos anos seguintes.

Cautela e diálogo são essenciais
O estudo da SUNO não representa uma previsão absoluta, mas um importante sinal de alerta sobre as consequências de decisões fiscais sem ampla análise de seus efeitos colaterais. Em um país que busca equilibrar suas contas sem comprometer o crescimento, mudanças tributárias devem ser planejadas com atenção ao impacto setorial e à dinâmica do emprego.
Ignorar os sinais pode significar não apenas perda de arrecadação futura, mas o enfraquecimento de dois pilares essenciais da economia nacional: a construção civil e o agronegócio. O momento exige diálogo técnico, responsabilidade política e visão de longo prazo.
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