A recente proposta de substitutivo ao Projeto de Lei 2.985/2023, em tramitação no Senado Federal, tem provocado intensa apreensão entre dirigentes de clubes de futebol em todo o Brasil.
Nova legislação preocupa dirigentes do futebol brasileiro; entenda por quê
Entenda como nova lei pode tirar bilhões dos clubes. Leia agora e descubra o que está em jogo no futebol brasileiro!
Com o objetivo declarado de mitigar os impactos negativos da publicidade de apostas esportivas, especialmente entre jovens e pessoas vulneráveis, o projeto pode causar um rombo bilionário nas finanças do futebol nacional, principalmente nos clubes de menor porte.
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O que diz a nova proposta legislativa?

Projeto de Lei 2.985/23 e suas implicações
Apresentado pelo senador Carlos Portinho, o substitutivo ao Projeto de Lei 2.985/23 propõe diversas restrições à publicidade de empresas de apostas esportivas:
- Proibição de publicidade estática em estádios e arenas esportivas;
- Restrições de horário para exibição de marcas de apostas na mídia;
- Vedação ao uso da imagem de atletas e celebridades em campanhas;
- Obrigatoriedade de avisos sobre os riscos das apostas.
Justificativa da proposta
A motivação principal por trás do projeto é a crescente preocupação com o impacto do setor de apostas online sobre públicos vulneráveis.
O crescimento rápido e desregulado dessas plataformas, segundo os defensores da medida, exige respostas firmes do Legislativo para proteger a população, especialmente menores de idade e pessoas com histórico de vício.
Impacto econômico: até R$ 1,6 bilhão a menos por ano
A principal crítica dos clubes de futebol à proposta é o potencial prejuízo financeiro que ela pode gerar. Estima-se que a proibição da publicidade de casas de apostas pode retirar até R$ 1,6 bilhão por ano do setor esportivo brasileiro.
Por que esse valor é tão relevante?
- As casas de apostas são atualmente uma das maiores fontes de receita dos clubes brasileiros;
- Clubes de futebol de menor expressão dependem quase exclusivamente desses patrocínios;
- Há contratos vigentes de longo prazo que correm risco de serem rescindidos ou judicializados;
- A medida pode causar instabilidade jurídica e financeira, com efeitos imediatos no caixa dos clubes.
Colapso jurídico iminente
Contratos ameaçados
Muitos clubes de futebol firmaram acordos publicitários com casas de apostas válidos por vários anos. A aprovação da proposta pode forçar a renegociação ou o rompimento unilateral desses contratos, o que abre espaço para batalhas judiciais complexas e dispendiosas.
Segurança jurídica em risco
A ausência de uma regulamentação compatível com os contratos já estabelecidos levanta preocupações sobre a segurança jurídica. Dirigentes alertam que a mudança repentina nas regras do jogo pode afastar investidores e patrocinadores do mercado esportivo brasileiro.
Emenda de Romário: uma saída equilibrada?
O que propõe a emenda?
O senador Romário apresentou uma emenda ao texto que busca preservar os contratos publicitários já firmados e permitir a manutenção da publicidade estática em estádios, desde que respeitados os princípios do jogo responsável.
Objetivo da emenda
- Garantir previsibilidade para os clubes de futebol e empresas;
- Evitar perdas financeiras imediatas;
- Compatibilizar a nova regulação com a realidade contratual existente;
- Preservar o funcionamento das arenas esportivas.
A emenda é vista por muitos como um ponto de equilíbrio necessário entre a proteção do consumidor e a viabilidade econômica do esporte.
Reação dos clubes de futebol: apoio à regulamentação, mas com ressalvas
O que os dirigentes defendem?
- Apoio ao jogo responsável, com medidas educativas e preventivas;
- Críticas a restrições amplas e inflexíveis que afetam diretamente as finanças dos clubes;
- Citação do exemplo da Itália, que reavaliou sua proibição rígida de publicidade de apostas após impactos negativos;
- Pedido para que o Senado atue com cautela e equilíbrio, sem sufocar economicamente o setor.
Experiência internacional como alerta
O caso italiano, em que a publicidade de apostas foi banida em 2018, é constantemente citado pelos dirigentes.
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Após anos de perdas financeiras e aumento da publicidade ilegal, o governo italiano começou a reconsiderar a política. Isso reforça o argumento de que medidas extremas podem ter efeitos colaterais indesejados.
O que está realmente em jogo?

Mais que futebol: é cultura e economia
O futebol no Brasil vai muito além do entretenimento. Ele:
- Gera milhares de empregos diretos e indiretos;
- Movimenta a economia local de diversas cidades;
- Integra programas sociais e educacionais;
- É parte essencial do patrimônio cultural brasileiro.
Portanto, a eventual aprovação de uma legislação que reduza significativamente os recursos dos clubes pode ter repercussões sociais e econômicas de grande escala.
Risco de desestruturação da base esportiva
A perda de receitas pode comprometer:
- A manutenção de centros de treinamento;
- Programas de formação de jovens atletas;
- Competições regionais e de base;
- Investimentos em infraestrutura esportiva.
Caminho para uma regulação eficiente e equilibrada
O que seria uma regulamentação ideal?
- Respeitar contratos em vigor;
- Promover o jogo responsável com campanhas educativas;
- Criar restrições direcionadas a horários e públicos específicos, sem generalizações;
- Estabelecer um marco regulatório claro, seguro e viável para todos os envolvidos.
Considerações finais
A regulamentação do setor de apostas esportivas é necessária e urgente, mas não pode ignorar a realidade econômica dos clubes brasileiros. É possível proteger o consumidor sem destruir a estrutura financeira de um dos maiores símbolos culturais do país.
Os parlamentares têm agora a responsabilidade de encontrar um ponto de equilíbrio entre controle social e sustentabilidade do futebol nacional. A emenda do senador Romário pode representar um caminho viável nesse sentido, evitando danos irreversíveis ao esporte mais amado do Brasil.
Imagem: phillipkofler / Pixabay.com
