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Nova legislação preocupa dirigentes do futebol brasileiro; entenda por quê

Entenda como nova lei pode tirar bilhões dos clubes. Leia agora e descubra o que está em jogo no futebol brasileiro!

Avatar de Ellen D'Alessandro Ellen D'Alessandro · · 5 min de leitura
Imagem de dois jogadores de futebol, da cintura pra baixo, correndo atrás de uma bola no campo.

A recente proposta de substitutivo ao Projeto de Lei 2.985/2023, em tramitação no Senado Federal, tem provocado intensa apreensão entre dirigentes de clubes de futebol em todo o Brasil.

Com o objetivo declarado de mitigar os impactos negativos da publicidade de apostas esportivas, especialmente entre jovens e pessoas vulneráveis, o projeto pode causar um rombo bilionário nas finanças do futebol nacional, principalmente nos clubes de menor porte.

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O que diz a nova proposta legislativa?

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Imagem: Freepik

Projeto de Lei 2.985/23 e suas implicações

Apresentado pelo senador Carlos Portinho, o substitutivo ao Projeto de Lei 2.985/23 propõe diversas restrições à publicidade de empresas de apostas esportivas:

  • Proibição de publicidade estática em estádios e arenas esportivas;
  • Restrições de horário para exibição de marcas de apostas na mídia;
  • Vedação ao uso da imagem de atletas e celebridades em campanhas;
  • Obrigatoriedade de avisos sobre os riscos das apostas.

Justificativa da proposta

A motivação principal por trás do projeto é a crescente preocupação com o impacto do setor de apostas online sobre públicos vulneráveis.

O crescimento rápido e desregulado dessas plataformas, segundo os defensores da medida, exige respostas firmes do Legislativo para proteger a população, especialmente menores de idade e pessoas com histórico de vício.

Impacto econômico: até R$ 1,6 bilhão a menos por ano

A principal crítica dos clubes de futebol à proposta é o potencial prejuízo financeiro que ela pode gerar. Estima-se que a proibição da publicidade de casas de apostas pode retirar até R$ 1,6 bilhão por ano do setor esportivo brasileiro.

Por que esse valor é tão relevante?

  • As casas de apostas são atualmente uma das maiores fontes de receita dos clubes brasileiros;
  • Clubes de futebol de menor expressão dependem quase exclusivamente desses patrocínios;
  • contratos vigentes de longo prazo que correm risco de serem rescindidos ou judicializados;
  • A medida pode causar instabilidade jurídica e financeira, com efeitos imediatos no caixa dos clubes.

Colapso jurídico iminente

Contratos ameaçados

Muitos clubes de futebol firmaram acordos publicitários com casas de apostas válidos por vários anos. A aprovação da proposta pode forçar a renegociação ou o rompimento unilateral desses contratos, o que abre espaço para batalhas judiciais complexas e dispendiosas.

Segurança jurídica em risco

A ausência de uma regulamentação compatível com os contratos já estabelecidos levanta preocupações sobre a segurança jurídica. Dirigentes alertam que a mudança repentina nas regras do jogo pode afastar investidores e patrocinadores do mercado esportivo brasileiro.

Emenda de Romário: uma saída equilibrada?

O que propõe a emenda?

O senador Romário apresentou uma emenda ao texto que busca preservar os contratos publicitários já firmados e permitir a manutenção da publicidade estática em estádios, desde que respeitados os princípios do jogo responsável.

Objetivo da emenda

  • Garantir previsibilidade para os clubes de futebol e empresas;
  • Evitar perdas financeiras imediatas;
  • Compatibilizar a nova regulação com a realidade contratual existente;
  • Preservar o funcionamento das arenas esportivas.

A emenda é vista por muitos como um ponto de equilíbrio necessário entre a proteção do consumidor e a viabilidade econômica do esporte.

Reação dos clubes de futebol: apoio à regulamentação, mas com ressalvas

O que os dirigentes defendem?

  • Apoio ao jogo responsável, com medidas educativas e preventivas;
  • Críticas a restrições amplas e inflexíveis que afetam diretamente as finanças dos clubes;
  • Citação do exemplo da Itália, que reavaliou sua proibição rígida de publicidade de apostas após impactos negativos;
  • Pedido para que o Senado atue com cautela e equilíbrio, sem sufocar economicamente o setor.

Experiência internacional como alerta

O caso italiano, em que a publicidade de apostas foi banida em 2018, é constantemente citado pelos dirigentes.

Após anos de perdas financeiras e aumento da publicidade ilegal, o governo italiano começou a reconsiderar a política. Isso reforça o argumento de que medidas extremas podem ter efeitos colaterais indesejados.

O que está realmente em jogo?

Bola de futebol sobre diversas notas de dólar.
Imagem: rawf8 / shutterstock.com

Mais que futebol: é cultura e economia

O futebol no Brasil vai muito além do entretenimento. Ele:

  • Gera milhares de empregos diretos e indiretos;
  • Movimenta a economia local de diversas cidades;
  • Integra programas sociais e educacionais;
  • É parte essencial do patrimônio cultural brasileiro.

Portanto, a eventual aprovação de uma legislação que reduza significativamente os recursos dos clubes pode ter repercussões sociais e econômicas de grande escala.

Risco de desestruturação da base esportiva

A perda de receitas pode comprometer:

  • A manutenção de centros de treinamento;
  • Programas de formação de jovens atletas;
  • Competições regionais e de base;
  • Investimentos em infraestrutura esportiva.

Caminho para uma regulação eficiente e equilibrada

O que seria uma regulamentação ideal?

  • Respeitar contratos em vigor;
  • Promover o jogo responsável com campanhas educativas;
  • Criar restrições direcionadas a horários e públicos específicos, sem generalizações;
  • Estabelecer um marco regulatório claro, seguro e viável para todos os envolvidos.

Considerações finais

A regulamentação do setor de apostas esportivas é necessária e urgente, mas não pode ignorar a realidade econômica dos clubes brasileiros. É possível proteger o consumidor sem destruir a estrutura financeira de um dos maiores símbolos culturais do país.

Os parlamentares têm agora a responsabilidade de encontrar um ponto de equilíbrio entre controle social e sustentabilidade do futebol nacional. A emenda do senador Romário pode representar um caminho viável nesse sentido, evitando danos irreversíveis ao esporte mais amado do Brasil.

Imagem: phillipkofler / Pixabay.com

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