Em uma decisão inédita no país, a cidade de Limeira, no interior de São Paulo, se tornou a primeira do Brasil a proibir o uso de cigarros eletrônicos em locais públicos. A nova legislação, sancionada em abril de 2025, marca um avanço significativo no debate sobre os riscos associados ao uso de dispositivos eletrônicos para fumar.
Lei antifumo digital? Cidade brasileira proíbe uso de vapes em público
Cidade do Brasil é a primeira a proibir o uso de cigarros eletrônicos em locais públicos. Entenda aqui a nova lei, suas implicações e impactos!!!
A medida vem na esteira de crescentes preocupações de autoridades sanitárias e educacionais com o aumento do consumo de vapes entre adolescentes e jovens adultos. A proposta, de autoria do vereador Nilton César dos Santos (Republicanos), foi aprovada com apoio unânime da Câmara Municipal e já está mobilizando outras cidades a seguir o exemplo.

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Vapes: O que determina a nova lei de Limeira
A lei municipal nº 6.987/2025 estabelece a proibição do uso de dispositivos eletrônicos para fumar — os populares vapes — em todos os espaços públicos e coletivos de Limeira. Isso inclui tanto ambientes fechados quanto abertos, como ruas, praças, ginásios, terminais e estabelecimentos comerciais.
Locais abrangidos pela proibição
Entre os locais onde o uso está proibido, destacam-se:
- Escolas, universidades e centros educacionais;
- Praças, ginásios, quadras e demais locais esportivos;
- Bares, restaurantes, shoppings e casas noturnas;
- Cinemas, teatros e espaços culturais;
- Hospitais, clínicas, farmácias e postos de saúde;
- Supermercados, lojas e centros comerciais;
- Hotéis, pousadas e áreas comuns de condomínios.
Medidas exigidas dos estabelecimentos
Os responsáveis pelos locais deverão cumprir com uma série de obrigações para garantir a efetividade da norma, como:
- Afixar avisos visíveis informando a proibição do uso de vapes;
- Promover campanhas de conscientização junto a funcionários e clientes;
- Emitir advertências verbais a infratores;
- Acionar a Guarda Civil Municipal ou a Polícia Militar em caso de descumprimento reiterado.
Penalidades previstas pela lei
O descumprimento da legislação implicará em sanções, que variam conforme a gravidade e a reincidência:
- Advertência formal na primeira infração;
- Multa de até R$ 1.000,00 em caso de reincidência;
- Em situações reiteradas, o local poderá ser interditado temporariamente.
Para pessoas físicas, o valor da multa inicial é de R$ 300,00, podendo dobrar em casos de repetição. Menores de idade flagrados utilizando vapes terão seus responsáveis notificados.
Contexto nacional e papel da Anvisa
A proibição em Limeira ocorre em um momento de crescente mobilização nacional sobre os impactos dos cigarros eletrônicos na saúde pública. Em 2024, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) manteve a resolução que proíbe a venda, importação e propaganda desses produtos no Brasil.
Histórico da legislação federal
Desde 2009, a Resolução RDC 46/2009 da Anvisa proíbe expressamente a comercialização de vapes. Apesar disso, a fiscalização sempre foi um ponto frágil, permitindo que os produtos circulassem ilegalmente, sobretudo em ambientes frequentados por jovens.
A legislação municipal de Limeira, nesse sentido, funciona como um complemento normativo, mirando no uso público e na visibilidade social dos dispositivos.
Riscos à saúde: o que dizem especialistas
Estudos recentes apontam que os vapes podem causar danos tão graves quanto os cigarros tradicionais — ou até piores, devido à presença de substâncias químicas não regulamentadas e sabores atrativos para adolescentes.
Problemas mais frequentes associados ao uso
- Irritação pulmonar e risco de doenças respiratórias crônicas;
- Exposição à nicotina líquida, altamente viciante;
- Potencial para explosão ou superaquecimento dos dispositivos;
- Agravamento de quadros alérgicos e cardiovasculares;
- Dependência precoce e porta de entrada para o cigarro convencional.
Jovens e o apelo dos vapes
O marketing dos cigarros eletrônicos tem como alvo velado os jovens. Com embalagens coloridas, sabores adocicados e influenciadores digitais, os vapes são percebidos como modernos e inofensivos, quando na realidade, os riscos à saúde são altos.
Dados alarmantes
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+311 mil seguidores
Pesquisas da Fiocruz e do IBGE revelam que o uso de vapes entre adolescentes brasileiros triplicou entre 2019 e 2023. A maioria dos jovens que usam o dispositivo o faz diariamente e associa o hábito a contextos escolares ou de lazer.
O exemplo internacional
Diversos países já adotaram medidas semelhantes ou até mais rígidas:
- Estados Unidos: proibição de sabores doces e ações contra fabricantes;
- Austrália: exigência de prescrição médica para comprar vapes com nicotina;
- Reino Unido: campanhas para desestimular uso entre jovens, com restrição de publicidade.
A iniciativa de Limeira dialoga com esse movimento global de regulamentação mais firme e proteção da saúde pública.
Próximos passos e possibilidade de ampliação
A lei já entrou em vigor no final de maio de 2025, após o período de 30 dias para adaptação. Outras cidades paulistas, como Campinas e Piracicaba, estudam projetos semelhantes, o que pode resultar em uma cascata regulatória no estado e, eventualmente, em âmbito federal.
O que falta para se tornar uma norma nacional?
Para haver uma lei nacional sobre o uso público de cigarros eletrônicos, seria necessário:
- Aprovação no Congresso Nacional, com tramitação nas duas casas;
- Parecer técnico da Anvisa e apoio do Ministério da Saúde;
- Participação do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conasems (municípios).

Enquanto isso, cabe aos municípios criarem suas próprias medidas, como fez Limeira.
A cidade de Limeira sai na frente ao aprovar uma legislação inovadora que proíbe o uso de cigarros eletrônicos em locais públicos. A medida representa um marco na proteção da saúde coletiva, especialmente dos jovens, diante da crescente popularidade dos vapes.
Embora ainda isolada, a nova lei pode se tornar um modelo nacional, inspirando outras administrações a adotarem políticas semelhantes. A medida reforça o papel dos municípios na regulamentação sanitária e na promoção de ambientes mais saudáveis.
Enquanto o Brasil ainda discute a regulamentação definitiva dos cigarros eletrônicos, Limeira mostra que é possível agir de forma preventiva, clara e responsável.
