O avanço das fintechs no Brasil está redesenhando o mapa da inclusão financeira, especialmente nas favelas. Segundo o Tracking das Favelas, estudo conduzido pela NÓS – Inteligência e Inovação Social, o Nubank se consolidou como a marca financeira mais relevante nesses territórios, superando bancos tradicionais em reconhecimento, preferência e satisfação. O levantamento revela não apenas uma mudança de liderança, mas também uma transformação profunda na forma como brasileiros de baixa renda se relacionam com o sistema financeiro.
Leia mais:
Mega-Sena 2985: bolada de R$ 105 milhões sai nesta terça, veja aqui o resultado
Nubank lidera indicadores-chave nas favelas
O Nubank aparece no topo de praticamente todos os indicadores analisados: reconhecimento de marca, preferência, intenção de uso e Net Promoter Score (NPS). Esse último é especialmente relevante, pois mede o nível de satisfação e a probabilidade de recomendação dos clientes.
Com um NPS médio de 53% nas favelas, as instituições financeiras superam a média nacional do setor bancário, estimada em 42,3%. O dado indica um nível elevado de aprovação e confiança, com destaque para a fintech.
O que explica a liderança do Nubank
Entre os principais fatores que impulsionam o Nubank estão:
Facilidade de uso do aplicativo
Ausência de tarifas e anuidade
Transparência nas operações
Autonomia na gestão financeira
Esses elementos são particularmente relevantes em regiões onde historicamente o acesso ao sistema bancário foi limitado ou burocrático.
Relação emocional e identificação com a marca
Outro diferencial apontado pelo estudo é a identificação dos usuários com o Nubank. A marca não apenas oferece serviços, mas constrói uma relação mais próxima com o cliente, algo essencial para gerar fidelização.
Segundo Emília Rabello, CEO da NÓS, a confiança é o principal ativo nesse cenário. Instituições que conseguem transformar presença em vínculo real tendem a dominar preferência e recomendação.
Caixa Econômica Federal mantém relevância na inclusão
Apesar da liderança do Nubank, a Caixa Econômica Federal ocupa uma posição estratégica no ecossistema financeiro das favelas.
Porta de entrada para o sistema financeiro
A Caixa se destaca principalmente como a primeira instituição financeira de muitos brasileiros, impulsionada por programas sociais e benefícios do governo federal, como:
Bolsa Família
FGTS
Seguro-desemprego
Esse papel institucional fortalece a percepção de confiança e acessibilidade, especialmente entre a população de baixa renda.
Diferença entre acesso e relacionamento
O estudo mostra que, embora a Caixa seja fundamental no acesso inicial, o relacionamento contínuo com os usuários tende a migrar para fintechs como o Nubank, que oferecem uma experiência mais simples e digital.
Itaú: reconhecimento alto, mas menor engajamento
O Itaú aparece como uma marca amplamente reconhecida, mas com menor capacidade de retenção e engajamento ao longo da jornada do cliente.
Desafios enfrentados pelos bancos tradicionais
Entre os principais obstáculos estão:
Taxas e tarifas percebidas como elevadas
Complexidade no uso de serviços
Menor proximidade com o público das favelas
Ainda assim, o banco apresenta melhor desempenho entre pessoas acima de 35 anos, indicando uma base mais consolidada entre clientes mais tradicionais.
Diferenças entre gerações no uso de serviços financeiros
Jovens impulsionam o crescimento das fintechs
Entre os moradores mais jovens das favelas, o Nubank lidera com ampla vantagem em atributos como:
Admiração pela marca
Facilidade de uso
Identificação
Transparência
Esse público valoriza soluções digitais rápidas, sem burocracia e com controle direto pelo celular.
Público acima de 35 anos mantém equilíbrio
Já entre pessoas com mais de 35 anos, o cenário é mais equilibrado:
O Nubank ainda lidera, mas com menor distância
A Caixa ganha destaque em confiança e acesso
O Itaú apresenta desempenho relativamente melhor
Esse grupo tende a valorizar estabilidade, tradição e presença física.
Fintechs x bancos tradicionais: uma nova dinâmica
Inclusão financeira ganha novos protagonistas
O estudo evidencia uma divisão clara de papéis:
Bancos tradicionais atuam como porta de entrada
Fintechs dominam a gestão do dia a dia
Essa dinâmica mostra que a inclusão financeira no Brasil não depende apenas do acesso, mas também da qualidade da experiência oferecida.
Redução de barreiras históricas
As fintechs têm conseguido superar desafios antigos do sistema bancário, como:
Exigência de documentação complexa
Cobrança de tarifas elevadas
Dificuldade de acesso a agências
Com soluções digitais, essas barreiras são significativamente reduzidas.
Mercado Pago e PicPay: desempenho intermediário
Outras fintechs também aparecem no levantamento, mas com desempenho mais modesto.
O Mercado Pago ocupa posição intermediária, com boa aceitação, enquanto o PicPay registra os menores índices entre as principais marcas analisadas.
Isso indica que, apesar do crescimento do setor, a liderança ainda está concentrada em poucas instituições.
Metodologia do estudo
Como os dados foram coletados
O Tracking das Favelas é um estudo contínuo realizado com moradores de diferentes regiões do país. A pesquisa foi conduzida por meio de um aplicativo, com usuários previamente selecionados com base em:
Classe social
Gênero
Idade
Localização
Tamanho da amostra e confiabilidade
O levantamento contou com:
800 entrevistados
Margem de erro de 3,5 pontos percentuais
Nível de confiança de 95%
As respostas passaram por validação automática e manual, garantindo maior consistência dos dados.
Impactos para o mercado financeiro brasileiro
O que as instituições podem aprender
Os resultados reforçam que o futuro do setor financeiro no Brasil passa por:
Simplicidade nos serviços
Redução de custos
Experiência digital eficiente
Construção de confiança
Instituições que não se adaptarem a essas demandas tendem a perder relevância, especialmente entre as novas gerações.
Oportunidades de crescimento
As favelas representam um mercado significativo, com milhões de brasileiros que já utilizam serviços financeiros, mas ainda demandam soluções mais adequadas à sua realidade.
Empresas que conseguirem alinhar tecnologia, acessibilidade e confiança terão vantagem competitiva.
Conclusão
O crescimento do Nubank nas favelas simboliza uma mudança estrutural no sistema financeiro brasileiro. Mais do que oferecer serviços, a fintech conseguiu construir uma relação de confiança e identificação com um público historicamente negligenciado pelos bancos tradicionais.
Ao mesmo tempo, instituições como a Caixa continuam desempenhando papel essencial na inclusão financeira, enquanto bancos como o Itaú enfrentam o desafio de se reinventar para manter relevância.
O cenário aponta para um futuro híbrido, em que diferentes modelos coexistem, mas com clara vantagem para quem coloca o cliente no centro da estratégia.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
