O Nubank voltou a chamar atenção do mercado financeiro ao divulgar resultados robustos para o primeiro trimestre de 2026. A fintech registrou lucro líquido de US$ 871 milhões, alta de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior, além de ultrapassar pela primeira vez a marca de US$ 5 bilhões em receita trimestral.
Nubank dispara lucro e alcança US$ 871 milhões no trimestre
Nubank registra lucro de US$ 871 milhões no 1º trimestre de 2026 e acelera investimentos em inteligência artificial e expansão global.
Os números reforçam a consolidação do banco digital como uma das maiores instituições financeiras da América Latina. Ao mesmo tempo, revelam um novo movimento estratégico da companhia: o fortalecimento da inteligência artificial como peça central de crescimento e relacionamento com clientes.
A empresa também avançou em mercados internacionais importantes, especialmente no México, enquanto já prepara os próximos passos para expandir operações nos Estados Unidos.
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Receita recorde reforça crescimento do Nubank
O desempenho financeiro divulgado pelo Nubank mostra que a empresa continua ampliando participação no setor bancário mesmo em um cenário global de juros elevados e maior cautela no crédito.
A receita trimestral superou US$ 5 bilhões pela primeira vez na história da companhia, enquanto o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) chegou a 29%, indicador considerado elevado para instituições financeiras.
O crescimento foi impulsionado principalmente pela expansão da carteira de crédito, aumento da base de clientes e maior diversificação de serviços financeiros.
Na prática, o Nubank deixou de ser apenas um banco digital focado em cartão de crédito e passou a operar como um ecossistema financeiro completo, oferecendo conta digital, empréstimos, investimentos, seguros e serviços empresariais.
Base de clientes continua em forte expansão
A fintech encerrou março de 2026 com 135 milhões de usuários globais, após adicionar cerca de 4 milhões de clientes apenas no primeiro trimestre.
O Brasil continua sendo o principal mercado da empresa, concentrando aproximadamente 115 milhões de clientes. Isso significa que mais da metade da população adulta brasileira já possui algum relacionamento com o banco digital.
Além da liderança no mercado brasileiro, o crescimento internacional também ganhou destaque.
México se torna mercado estratégico
A operação mexicana atingiu 15 milhões de clientes e alcançou o chamado break-even, termo utilizado quando uma empresa passa a operar sem prejuízo financeiro.
O resultado é considerado estratégico porque mostra que o modelo de negócios do Nubank conseguiu se adaptar fora do Brasil, algo que investidores acompanhavam com atenção nos últimos anos.
Segundo a companhia, o banco já se tornou a terceira maior instituição financeira do México em número de clientes.
O crescimento ocorre em um cenário semelhante ao brasileiro de anos atrás: grande parte da população mexicana ainda enfrenta dificuldades de acesso a serviços bancários tradicionais, o que abre espaço para fintechs digitais com taxas menores e experiência simplificada.
Colômbia também acelera crescimento
Na Colômbia, o Nubank já soma quase 5 milhões de clientes.
Embora a operação colombiana ainda esteja em fase de expansão, o avanço demonstra a estratégia da empresa de consolidar presença em mercados latino-americanos com alto potencial de bancarização digital.
Carteira de crédito cresce, mas inadimplência preocupa
O balanço também revelou crescimento relevante da carteira de crédito, que atingiu US$ 37,2 bilhões.
Já os depósitos totais chegaram a US$ 42,4 bilhões, reforçando a capacidade da instituição de captar recursos e aumentar sua atuação financeira.
Por outro lado, os indicadores de inadimplência seguem sendo observados de perto pelo mercado.
A taxa de atrasos entre 15 e 90 dias subiu para 5%, indicando pressão no curto prazo. Em contrapartida, a inadimplência acima de 90 dias caiu levemente para 6,5%.
Esse comportamento reflete um cenário ainda desafiador para consumidores brasileiros, especialmente diante do elevado custo do crédito, inflação acumulada e comprometimento da renda das famílias.
Mesmo assim, analistas do setor avaliam que o Nubank vem conseguindo administrar melhor os riscos de crédito em comparação aos períodos mais críticos pós-pandemia.
Inteligência artificial vira prioridade estratégica
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Além dos resultados financeiros, um dos pontos que mais chamou atenção no balanço foi o foco crescente da empresa em inteligência artificial.
O CEO da companhia, David Vélez, destacou o avanço do “AI Private Banker”, modelo proprietário de IA desenvolvido pela fintech.
Segundo a empresa, a ferramenta já atende aproximadamente 15 milhões de usuários mensais.
O que é o “AI Private Banker”?
A solução utiliza inteligência artificial para oferecer suporte financeiro personalizado aos clientes, funcionando como uma espécie de consultor virtual.
Na prática, o sistema pode ajudar usuários a:
- Organizar gastos;
- Receber recomendações financeiras;
- Monitorar limites e crédito;
- Identificar padrões de consumo;
- Melhorar planejamento financeiro;
- Receber sugestões automáticas de investimentos e pagamentos.
O avanço mostra como bancos digitais estão utilizando IA para reduzir custos operacionais e aumentar a personalização do atendimento.
Especialistas apontam que a tendência deve acelerar nos próximos anos, especialmente após o crescimento global das ferramentas de inteligência artificial generativa.
Nubank mira expansão nos Estados Unidos
Outro ponto importante mencionado pela companhia foi a intenção de expandir seu modelo de negócios para os Estados Unidos.
Embora o banco ainda não tenha detalhado como será essa operação, o movimento sinaliza uma nova fase de internacionalização da fintech.
O mercado norte-americano é altamente competitivo e dominado por gigantes tradicionais e fintechs consolidadas. Mesmo assim, investidores enxergam potencial no diferencial tecnológico do Nubank e na experiência acumulada em mercados emergentes.
Caso avance de forma consistente nos EUA, a empresa poderá ampliar ainda mais sua relevância global no setor financeiro digital.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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