Um estudo recente e de grande escala trouxe novas luzes sobre os possíveis efeitos positivos de medicamentos como o Ozempic, conhecido por seu uso no tratamento de diabetes tipo 2 e controle de peso.
Ozempic pode ser aliado inesperado na prevenção de câncer; veja quais tipos
Descubra como o Ozempic pode reduzir o risco de 14 tipos de câncer. Leia agora e entenda os efeitos preventivos!
De acordo com os dados apresentados pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), o uso de agonistas do receptor de GLP-1, classe à qual pertence o Ozempic, está associado a uma redução de até 7% no risco de desenvolver cânceres relacionados à obesidade.
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O que o estudo analisou?

O estudo foi liderado pelo pesquisador Lucas A. Mavromatis, da Universidade de Nova York, e financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH).
Ele analisou os dados de 170.030 pacientes com obesidade e diabetes tipo 2, registrados em 43 sistemas de saúde dos Estados Unidos entre 2013 e 2023.
Perfil dos pacientes estudados
- Idade média: 56,8 anos;
- IMC médio: 38 kg/m²;
- Período de acompanhamento: cerca de 4 anos;
- Divisão dos grupos: metade utilizava agonistas de GLP-1 (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro) e a outra metade usava inibidores de DPP-4.
Principais resultados do estudo
Redução geral do risco
- 7% menor incidência de câncer relacionado à obesidade nos usuários de GLP-1;
- 8% menor risco de morte por qualquer causa.
Benefícios específicos para mulheres
- 8% menor risco de câncer;
- 20% menor risco de morte em comparação às que usavam DPP-4.
Destaque para dois tipos de câncer
- Câncer de intestino: redução de 16% nos casos;
- Câncer retal: queda de 28% na incidência.
Limitações e considerações
É importante destacar que o estudo é observacional, o que significa que ele estabelece correlações e não causalidade direta. Isso significa que, embora os dados sugiram uma ligação entre o uso dos medicamentos e a redução no risco de câncer, outros fatores podem estar envolvidos.
“Esses dados são tranquilizadores, mas são necessários mais estudos para comprovar a causalidade”, alerta Mavromatis.
O que são os agonistas de GLP-1?
Os agonistas do receptor de GLP-1 são medicamentos que imitam um hormônio intestinal chamado peptídeo-1 semelhante ao glucagon, que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue e o apetite.
Eles são frequentemente utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e, mais recentemente, ganharam popularidade como ferramentas eficazes para perda de peso.
Principais nomes comerciais
- Ozempic (semaglutida);
- Wegovy (semaglutida, com foco em emagrecimento);
- Mounjaro (tirzepatida).
Quais são os 14 tipos de câncer associados à obesidade?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o estudo divulgado pela ASCO, os tipos de câncer ligados à obesidade e que foram avaliados no estudo incluem:
- Adenocarcinoma do esôfago;
- Câncer de mama (pós-menopausa);
- Câncer de intestino;
- Câncer retal;
- Câncer de útero;
- Câncer de vesícula biliar;
- Câncer na parte superior do estômago;
- Câncer renal;
- Câncer de fígado;
- Câncer de ovário;
- Câncer de pâncreas;
- Câncer de tireoide;
- Meningioma (cérebro);
- Mieloma múltiplo.
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Comparação com outros tratamentos
O estudo também comparou os resultados com pacientes que usavam inibidores de DPP-4, outra classe de medicamentos para diabetes que não induz perda de peso.
A diferença de resultados sugere que a perda de peso pode ser um dos fatores-chave na redução do risco oncológico, embora os efeitos metabólicos dos GLP-1 possam também desempenhar um papel.
Estudos anteriores reforçam os achados
- JAMA Network Open (2023): analisou 1,6 milhão de pacientes e encontrou resultados semelhantes;
- Congresso Europeu de Obesidade (2024): observou efeitos similares aos da cirurgia bariátrica na redução do risco de câncer.
Próximos passos da ciência

Os cientistas agora pretendem realizar estudos de longo prazo com pacientes que usam GLP-1 por mais de 4 anos, incluindo pessoas sem diabetes, para avaliar se os efeitos protetores se mantêm.
Opinião de especialistas
A presidente da ASCO, Robin Zon, comentou sobre o impacto potencial dos achados:
“Dada a clara ligação entre câncer e obesidade, é importante definir o papel clínico dos medicamentos GLP-1 na prevenção do câncer. Embora esse estudo não estabeleça a causa, ele sugere que esses medicamentos podem ter um efeito preventivo”.
Conclusão: Ozempic pode ir além do controle de peso
Embora mais estudos sejam necessários para confirmar a relação de causa e efeito, o estudo da Universidade de Nova York e do NIH indica que o uso de agonistas de GLP-1 pode representar uma nova fronteira na prevenção do câncer, especialmente entre pessoas com obesidade e diabetes.
Se confirmados, esses dados poderão alterar não apenas o modo como tratamos doenças metabólicas, mas também como prevenimos o câncer em populações de risco.
Imagem: anilorac – Freepik
