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Ozempic pode ser aliado inesperado na prevenção de câncer; veja quais tipos

Descubra como o Ozempic pode reduzir o risco de 14 tipos de câncer. Leia agora e entenda os efeitos preventivos!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro4 min de leitura
Ozempic

Um estudo recente e de grande escala trouxe novas luzes sobre os possíveis efeitos positivos de medicamentos como o Ozempic, conhecido por seu uso no tratamento de diabetes tipo 2 e controle de peso.

De acordo com os dados apresentados pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), o uso de agonistas do receptor de GLP-1, classe à qual pertence o Ozempic, está associado a uma redução de até 7% no risco de desenvolver cânceres relacionados à obesidade.

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O que o estudo analisou?

Ozempic
Imagem: Markus Winkler / Pexels.com

O estudo foi liderado pelo pesquisador Lucas A. Mavromatis, da Universidade de Nova York, e financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH).

Ele analisou os dados de 170.030 pacientes com obesidade e diabetes tipo 2, registrados em 43 sistemas de saúde dos Estados Unidos entre 2013 e 2023.

Perfil dos pacientes estudados

  • Idade média: 56,8 anos;
  • IMC médio: 38 kg/m²;
  • Período de acompanhamento: cerca de 4 anos;
  • Divisão dos grupos: metade utilizava agonistas de GLP-1 (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro) e a outra metade usava inibidores de DPP-4.

Principais resultados do estudo

Redução geral do risco

  • 7% menor incidência de câncer relacionado à obesidade nos usuários de GLP-1;
  • 8% menor risco de morte por qualquer causa.

Benefícios específicos para mulheres

  • 8% menor risco de câncer;
  • 20% menor risco de morte em comparação às que usavam DPP-4.

Destaque para dois tipos de câncer

  • Câncer de intestino: redução de 16% nos casos;
  • Câncer retal: queda de 28% na incidência.

Limitações e considerações

É importante destacar que o estudo é observacional, o que significa que ele estabelece correlações e não causalidade direta. Isso significa que, embora os dados sugiram uma ligação entre o uso dos medicamentos e a redução no risco de câncer, outros fatores podem estar envolvidos.

“Esses dados são tranquilizadores, mas são necessários mais estudos para comprovar a causalidade”, alerta Mavromatis.

O que são os agonistas de GLP-1?

Os agonistas do receptor de GLP-1 são medicamentos que imitam um hormônio intestinal chamado peptídeo-1 semelhante ao glucagon, que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue e o apetite.

Eles são frequentemente utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e, mais recentemente, ganharam popularidade como ferramentas eficazes para perda de peso.

Principais nomes comerciais

  • Ozempic (semaglutida);
  • Wegovy (semaglutida, com foco em emagrecimento);
  • Mounjaro (tirzepatida).

Quais são os 14 tipos de câncer associados à obesidade?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o estudo divulgado pela ASCO, os tipos de câncer ligados à obesidade e que foram avaliados no estudo incluem:

  1. Adenocarcinoma do esôfago;
  2. Câncer de mama (pós-menopausa);
  3. Câncer de intestino;
  4. Câncer retal;
  5. Câncer de útero;
  6. Câncer de vesícula biliar;
  7. Câncer na parte superior do estômago;
  8. Câncer renal;
  9. Câncer de fígado;
  10. Câncer de ovário;
  11. Câncer de pâncreas;
  12. Câncer de tireoide;
  13. Meningioma (cérebro);
  14. Mieloma múltiplo.

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Comparação com outros tratamentos

O estudo também comparou os resultados com pacientes que usavam inibidores de DPP-4, outra classe de medicamentos para diabetes que não induz perda de peso.

A diferença de resultados sugere que a perda de peso pode ser um dos fatores-chave na redução do risco oncológico, embora os efeitos metabólicos dos GLP-1 possam também desempenhar um papel.

Estudos anteriores reforçam os achados

  • JAMA Network Open (2023): analisou 1,6 milhão de pacientes e encontrou resultados semelhantes;
  • Congresso Europeu de Obesidade (2024): observou efeitos similares aos da cirurgia bariátrica na redução do risco de câncer.

Próximos passos da ciência

ozempic
Imagem: Reprodução / Freepik.com

Os cientistas agora pretendem realizar estudos de longo prazo com pacientes que usam GLP-1 por mais de 4 anos, incluindo pessoas sem diabetes, para avaliar se os efeitos protetores se mantêm.

Opinião de especialistas

A presidente da ASCO, Robin Zon, comentou sobre o impacto potencial dos achados:

“Dada a clara ligação entre câncer e obesidade, é importante definir o papel clínico dos medicamentos GLP-1 na prevenção do câncer. Embora esse estudo não estabeleça a causa, ele sugere que esses medicamentos podem ter um efeito preventivo”.

Conclusão: Ozempic pode ir além do controle de peso

Embora mais estudos sejam necessários para confirmar a relação de causa e efeito, o estudo da Universidade de Nova York e do NIH indica que o uso de agonistas de GLP-1 pode representar uma nova fronteira na prevenção do câncer, especialmente entre pessoas com obesidade e diabetes.

Se confirmados, esses dados poderão alterar não apenas o modo como tratamos doenças metabólicas, mas também como prevenimos o câncer em populações de risco.

Imagem: anilorac – Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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