A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (26), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 143/2020, que permite a estados, municípios e ao Distrito Federal regularizar os pagamentos de benefícios e progressões aos servidores que tiveram seus direitos suspensos durante a pandemia. O texto agora segue para apreciação do Senado Federal.
Pagamentos congelados da pandemia a servidores são liberados pela Câmara
Câmara aprova PLP 143/2020 e libera pagamento retroativo de direitos remuneratórios a servidores que tiveram salários congelados.
O projeto trata de pagamentos retroativos referentes a progressões, anuênios, triênios, quinquênios, sexta-parte, licença-prêmio e mecanismos equivalentes, permitindo que os entes federativos regularizem a situação sem repassar encargos para outras administrações.
Contexto histórico

A proposta é uma alteração da Lei Complementar 173, de maio de 2020, publicada no governo de Jair Bolsonaro, que vinculou o repasse de recursos federais destinados ao enfrentamento da pandemia ao congelamento de aumentos salariais.
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Impactos da lei original
Durante o período de vigência da lei, os estados e municípios ficaram impossibilitados de:
- Corrigir vencimentos de servidores;
- Criar novos cargos públicos;
- Promover concursos públicos;
- Conceder progressões e benefícios relacionados ao tempo de serviço.
Essa medida teve como objetivo central permitir que os recursos destinados ao combate à Covid-19 fossem aplicados de maneira direta, evitando aumento de gastos com pessoal. No entanto, gerou insatisfação entre os servidores, que tiveram direitos interrompidos.
Objetivo do PLP 143/2020
A relatora da proposta, deputada Socorro Neri (PP-AC), destacou que a medida busca corrigir uma injustiça histórica contra os servidores públicos.
O PLP 143/2020 é autorizativo, ou seja, cabe a cada estado e município decidir se e como irá implementar o pagamento retroativo, de acordo com a sua disponibilidade orçamentária.
Direitos remuneratórios contemplados
Entre os direitos que poderão ser pagos retroativamente estão:
- Progressões: avanços na carreira do servidor baseados no tempo de serviço ou desempenho;
- Anuênios: acréscimos salariais anuais por tempo de serviço;
- Triênios e quinquênios: adicionais por tempo de serviço a cada três ou cinco anos;
- Sexta-parte: benefício aplicado a servidores que atingem certo tempo de serviço;
- Mecanismos equivalentes: outros benefícios relacionados ao tempo de serviço previstos em legislações estaduais e municipais.
Limites da proposta
Apesar de autorizar a retroatividade, o projeto não obriga os entes federativos a realizarem os pagamentos. Cada administração pública poderá avaliar sua situação fiscal antes de tomar decisões.
Debates na Câmara
A proposta gerou debates entre parlamentares sobre a viabilidade financeira e os impactos fiscais:
Argumentos favoráveis
A medida é vista como uma forma de reconhecer a dedicação e os esforços dos trabalhadores durante o período crítico da pandemia.
Argumentos contrários
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) destacou que o pagamento retroativo cria um impacto financeiro considerável e questionou a compatibilidade da proposta com a lógica da lei complementar original.
Implicações financeiras
O pagamento retroativo poderá gerar:
- Aumento significativo na folha de pagamento dos entes federativos;
- Possível necessidade de ajuste em outros setores do orçamento;
- Pressão sobre limites de gastos com pessoal estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Próximos passos legislativos
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Com a aprovação na Câmara, o PLP 143/2020 seguirá para o Senado. Se aprovado, estados e municípios poderão iniciar a programação dos pagamentos. No entanto, a aplicação prática dependerá de decisões internas de cada ente federativo.
Possíveis cenários
- Implementação imediata: alguns estados podem priorizar o pagamento retroativo, dependendo da disponibilidade de recursos.
- Implementação gradual: outros podem optar por parcelar os pagamentos ou priorizar categorias específicas de servidores.
- Não implementação: entes com dificuldades financeiras podem decidir não realizar os pagamentos, respeitando o caráter autorizativo do projeto.
Impacto para os servidores

A aprovação do projeto representa uma expectativa de compensação pelos períodos em que tiveram direitos suspensos. Muitos servidores poderão receber:
- Valores retroativos referentes a anos de serviço;
- Correção de progressões e benefícios acumulados;
- Reconhecimento oficial do período de pandemia em suas carreiras.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Quem tem direito ao pagamento retroativo?
Servidores públicos de estados, municípios e do Distrito Federal que tiveram progressões, anuênios, triênios, quinquênios, sexta-parte, licença-prêmio ou benefícios equivalentes congelados durante a pandemia de Covid-19.
2. Quando os pagamentos serão realizados?
O pagamento dependerá da decisão de cada estado ou município, após a aprovação final do PLP 143/2020 pelo Senado.
3. Quais benefícios estão incluídos no retroativo?
Progressões, anuênios, triênios, quinquênios, sexta-parte, licença-prêmio e mecanismos equivalentes relacionados ao tempo de serviço.
4. O pagamento retroativo gerará custos adicionais para estados e municípios?
Sim, pode aumentar a folha de pagamento e gerar impacto fiscal, dependendo da quantidade de servidores e do período retroativo considerado.
5. Qual é o próximo passo do projeto?
O PLP 143/2020 será analisado pelo Senado Federal antes de entrar em vigor.
Considerações finais
O PLP 143/2020 busca corrigir distorções causadas pelo congelamento salarial durante a pandemia, equilibrando direitos trabalhistas e responsabilidade fiscal. A decisão final sobre os pagamentos ficará a cargo de cada ente federativo, e os servidores devem acompanhar o andamento do projeto no Senado e as decisões de seus estados e municípios.
