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Adeus Dólar? Descubra como o BRICS Pay via QR Code vai mudar sua forma de pagar

Aplicativo BRICS Pay permite pagamentos via QR code entre países do BRICS+ e pode reduzir dependência do dólar em viagens e comércio.

Avatar de Helena Serpa Helena Serpa · · 6 min de leitura
BRICS

O BRICS Pay é uma plataforma digital de pagamentos criada para integrar os países do BRICS+, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos membros que vêm ampliando a cooperação econômica. O aplicativo já está disponível nas lojas oficiais para dispositivos iOS e Android, com funcionamento inicial na Rússia e previsão de expansão gradual.

A proposta central é permitir pagamentos instantâneos por QR code em estabelecimentos comerciais, utilizando cartões e contas já existentes, com liquidação em moedas nacionais. Na prática, o sistema pretende facilitar compras em lojas, restaurantes, hotéis e prestadores de serviço dentro dos países do bloco, especialmente em viagens e operações de varejo.

O avanço do projeto ocorre em um momento de debate sobre a diversificação das moedas utilizadas no comércio internacional, historicamente concentrado no dólar.

Como funciona?

Leia mais: Novo sistema do BRICS facilita transações internacionais

O modelo operacional do BRICS Pay segue uma lógica já conhecida do consumidor brasileiro que utiliza o Pix, sistema criado pelo Banco Central do Brasil.

Carteira digital com recarga imediata

O usuário baixa o aplicativo e pode recarregar a carteira digital utilizando cartões internacionais como Visa e Mastercard, quando aceitos, além de cartões nacionais compatíveis. Após a recarga, o saldo fica disponível para pagamentos instantâneos.

Pagamento unificado

O sistema utiliza um único QR code interoperável. O consumidor escaneia o código no estabelecimento credenciado e autoriza a transação pelo aplicativo. A liquidação ocorre em moeda local, reduzindo a necessidade de conversão prévia em dólar ou troca física de moeda.

Liquidação em moedas nacionais

Um dos pilares do projeto é a liquidação em moedas dos próprios países do bloco. Isso significa que um brasileiro em viagem poderia pagar em real, enquanto o estabelecimento receberia na moeda local, por meio de compensações entre sistemas integrados.

Esse modelo busca reduzir custos com câmbio tradicional e taxas adicionais cobradas em cartões internacionais.

Integração com sistemas já consolidados

O BRICS Pay não surge do zero. A arquitetura anunciada prevê interoperabilidade com infraestruturas nacionais já consolidadas, como:

  • Banco Central do Brasil, responsável pelo Pix
  • Banco da Rússia, que opera o SBP
  • National Payments Corporation of India, responsável pelo UPI
  • Tencent, operadora do WeChat Pay

O papel do Pix nesse cenário

No Brasil, o Pix se consolidou como principal meio de pagamento instantâneo. Dados oficiais do Banco Central mostram que o sistema supera bilhões de transações mensais, sendo amplamente utilizado por pessoas físicas e empresas.

A eventual integração do Pix ao BRICS Pay poderia facilitar pagamentos de brasileiros em países do bloco sem depender exclusivamente de bandeiras internacionais.

BRICS Pay vai substituir o dólar?

A pergunta que mais desperta interesse é se a plataforma representa o fim do dólar nas transações entre países emergentes.

A proposta oficial não é substituir o sistema financeiro internacional vigente nem eliminar o uso do dólar. O projeto também não pretende substituir o SWIFT, rede global de mensagens financeiras, nem competir diretamente com bandeiras como Visa e Mastercard.

Em vez disso, o BRICS Pay se apresenta como alternativa complementar. O sistema inclui um mecanismo de mensagens financeiras transfronteiriças denominado DCMS, que operaria de forma paralela às infraestruturas existentes.

Redução de dependência, não eliminação

Na prática, o que pode ocorrer é uma redução gradual da dependência do dólar em operações de varejo e pagamentos cotidianos entre países do bloco. Em grandes transações comerciais e contratos internacionais, a moeda norte-americana ainda tende a manter relevância no curto e médio prazo.

Para o consumidor comum, no entanto, o impacto pode ser mais imediato, especialmente em viagens.

Impactos para brasileiros que viajam ou fazem negócios

Viagens internacionais dentro do BRICS+

Um turista brasileiro na Rússia, Índia ou China, por exemplo, poderia utilizar o aplicativo para pagar diretamente com saldo carregado, evitando:

  • Casas de câmbio com spreads elevados
  • IOF adicional sobre determinadas operações
  • Taxas internacionais de cartão

A economia dependerá da estrutura de conversão e acordos entre bancos centrais, mas a tendência é de maior previsibilidade de custos.

Pequenas e médias empresas

Empresas brasileiras que exportam para países do bloco podem se beneficiar de alternativas de liquidação em moeda local, reduzindo exposição cambial e custos operacionais.

Esse movimento acompanha discussões já existentes no âmbito dos bancos centrais do BRICS sobre acordos bilaterais de compensação.

Arquitetura descentralizada e interoperabilidade

O projeto se baseia em quatro pilares principais:

Arquitetura descentralizada

Cada país mantém sua infraestrutura doméstica. O BRICS Pay atua como camada de integração, e não como sistema centralizado único.

Interoperabilidade

A plataforma conecta sistemas distintos, permitindo que um QR code funcione em diferentes jurisdições.

Suporte multimoeda

As transações são liquidadas nas moedas nacionais, reduzindo a necessidade de conversão intermediária.

Liberdade de escolha

Usuários e empresas podem optar por utilizar cartões, contas bancárias ou carteiras digitais já existentes.

FAQ

Brasileiros poderão usar o Pix no BRICS Pay?

O projeto prevê interoperabilidade com sistemas nacionais como o Pix. No entanto, a integração oficial depende de acordos técnicos e regulatórios entre os bancos centrais envolvidos.

Em quais países o aplicativo já está disponível?

Nesta fase inicial, o BRICS Pay está disponível na Rússia, com previsão de expansão para outros países do BRICS+ conforme avançam as integrações.

Considerações finais

O BRICS Pay não representa o fim imediato do dólar, mas sinaliza uma mudança estratégica na forma como países emergentes buscam ampliar autonomia financeira. Ao integrar sistemas como Pix, UPI e outros arranjos nacionais, a plataforma pode reduzir custos e simplificar pagamentos internacionais de varejo.

Para o brasileiro, o impacto mais concreto pode aparecer em viagens e transações comerciais dentro do bloco. Se a interoperabilidade for efetiva e as taxas competitivas, o aplicativo pode se consolidar como alternativa prática e eficiente.

O avanço do projeto deve ser acompanhado de perto, especialmente à medida que novos países passem a integrar o sistema e que acordos operacionais sejam formalizados entre autoridades monetárias.

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