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Salário do Papa: quanto o novo pontífice receberá mensalmente?

Papa Francisco fez voto de pobreza; veja se ele deixa herança, que bens possui e como o Vaticano cuida dos recursos papais.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Robert Francis Prevost

O papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, sempre foi conhecido por seu estilo de vida humilde, mesmo após ter se tornado líder máximo da Igreja Católica em 2013. Integrante da Companhia de Jesus, a Ordem dos Jesuítas, ele fez voto de pobreza ao ingressar na congregação, renunciando à posse de bens materiais e mantendo esse compromisso ao longo de toda sua vida religiosa.

Agora, com o fim de sua jornada pontifícia, muitos se perguntam: o que acontece com a herança do papa Francisco? Ele deixa bens? Há beneficiários diretos? E o que o diferencia de líderes anteriores?

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Reprodução Freepik

Voto de pobreza e vida austera

A escolha jesuíta

O papa Francisco foi o primeiro pontífice jesuíta da história da Igreja Católica. A Companhia de Jesus, além dos votos comuns de castidade e obediência, exige de seus membros o voto de pobreza, pelo qual se comprometem a não acumular bens materiais em benefício próprio.

Esse voto moldou a vida do papa Francisco muito antes de chegar ao trono de Pedro. Quando era arcebispo de Buenos Aires, usava transporte público, vivia em um apartamento modesto e dispensava mordomias e protocolos.

“Quando eu preciso de dinheiro para comprar sapatos ou outra coisa, eu peço. Eu não tenho um salário, mas isso não me preocupa porque eu sei que serei alimentado de graça.”
Papa Francisco, em documentário “Amém: Perguntando ao Papa”

“Quero uma Igreja pobre para os pobres”

A inspiração de Dom Cláudio Hummes

Ao ser escolhido papa, Francisco fez uma de suas declarações mais simbólicas:

“Como eu gostaria de uma Igreja pobre para os pobres.”

Segundo o próprio pontífice, a frase foi inspirada por dom Cláudio Hummes, cardeal brasileiro que lhe disse durante o conclave: “Não se esqueça dos pobres”. Essa diretriz guiou todo o seu papado.

O papa tem salário ou bens?

A estrutura financeira do Vaticano

O papa não recebe um salário, mas suas necessidades são custeadas diretamente pelo Vaticano. Ele tem acesso a recursos por meio de:

  • Fundos do Vaticano;
  • Residência oficial e serviços;
  • Fundo de caridade (usado sob sua discrição).

Esse fundo é utilizado para ações como doações a famílias carentes, auxílio em desastres humanitários e projetos sociais pelo mundo.

A herança do papa: o que pode deixar?

Pode um papa ter bens?

Sim. Embora viva sob voto de pobreza, nada impede que um papa possua bens pessoais, principalmente aqueles adquiridos antes de se tornar pontífice. Contudo, todos os bens adquiridos durante o pontificado pertencem à Igreja.

De acordo com o advogado Kevin de Sousa, especialista em direito sucessório:

“Tudo que ele ganhou antes de virar papa pode compor uma herança. Mas os bens do pontificado ficam para a Igreja.”

Livros escritos e direitos autorais

Francisco participou de várias publicações antes e depois do papado. Exemplos incluem:

  • “Reflexões sobre a vida apostólica”
  • “Diálogos entre João Paulo 2º e Jorge Bergoglio”

Os direitos autorais dessas obras anteriores ao papado podem gerar renda que, tecnicamente, faz parte de seu patrimônio. Já os livros lançados durante seu pontificado têm os lucros revertidos à Santa Sé.

Estilo de vida condizente com a simplicidade

vaticano
Imagem: Freepik

Pouco patrimônio acumulado

Fontes próximas e biógrafos indicam que Francisco não possui imóveis ou veículos próprios. Na Argentina, quando arcebispo, viveu em um bairro simples e rejeitou até mesmo convites para morar no palácio episcopal.

“Acho pouco provável que ele tenha um patrimônio significativo. Ele utilizava transporte público, não tinha veículos, vivia com simplicidade.”
Kevin de Sousa

Para onde vai a herança do papa?

Testamento, caridade e Igreja

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Como qualquer cidadão, o papa pode deixar um testamento com diretrizes para seu patrimônio pessoal. Em geral, pontífices deixam seus poucos bens para:

  • Instituições de caridade da Igreja;
  • Congregações religiosas;
  • Familiares próximos.

No caso de Francisco, há apenas uma irmã viva, Maria Elena Bergoglio, que tem dois filhos. Um deles é afilhado do papa.

E se não houver testamento?

Se não deixar testamento, os bens passam por:

  1. Herdeiros legais (irmã e sobrinhos);
  2. Congregações religiosas ligadas ao pontífice;
  3. Igreja Católica, se houver desejo prévio.

Em pontificados anteriores, a prática mais comum foi a doação integral dos bens à Igreja ou a projetos beneficentes sustentados pelo Vaticano.

Transparência financeira no papado de Francisco

Reformas administrativas e combate à corrupção

O papa Francisco assumiu o trono de Pedro em um momento em que o Vaticano era alvo de diversas denúncias de má gestão financeira e corrupção. Entre as principais medidas adotadas, destacam-se:

  • Criação da Secretaria para a Economia, para centralizar a contabilidade da Santa Sé;
  • Reestruturação do Banco do Vaticano (Instituto para as Obras de Religião – IOR);
  • Criação de órgãos internos de auditoria e controle financeiro;
  • Medidas contra lavagem de dinheiro e abuso de poder.

Essas ações refletiram seu compromisso com uma Igreja mais ética, funcional e alinhada à missão social.

O legado espiritual é maior que qualquer herança

Papa Francisco eleição
Foto: shutterstock / Asatur Yesayants

Além de eventuais bens, o papa Francisco deixa um profundo legado espiritual e social, marcado por:

  • Defesa da paz e diálogo inter-religioso;
  • Abertura à escuta e inclusão dos marginalizados;
  • Compromisso com o meio ambiente e a encíclica Laudato Si’;
  • Apoio a migrantes e refugiados;
  • Reestruturação da Cúria e maior participação dos leigos.

Francisco rompeu com tradições protocolares, promoveu gestos de humildade — como lavar os pés de imigrantes e presos — e aproximou a Igreja das periferias do mundo.

Foto: Andreas Solaro/AFP/Reprodução

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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