O Senado concluiu nesta terça-feira (2) a votação da PEC 66/2025, que modifica o pagamento de precatórios — dívidas judiciais do governo decorrentes de decisões judiciais. O impacto das alterações alcança a União, os estados e as cidades, definindo novos limites de desembolso anual e ampliando o espaço fiscal a médio prazo.
PEC que muda pagamento de precatórios é aprovada no Senado
O Senado aprovou a PEC 66, que muda regras de pagamento de precatórios da União, estados e municípios, criando novos limites e espaço fiscal.
A medida é considerada estratégica pelo governo federal, que ganha alívio no orçamento de 2026 e 2027.
Precatórios: o que muda para a União

Novo enquadramento fiscal e espaço no orçamento
Com a PEC aprovada, os precatórios federais passam a ter um novo enquadramento fiscal. Pela regra atual, parte desses pagamentos não entra no limite de gastos nem na meta fiscal, decisão vigente até o fim de 2026, conforme orientação do STF.
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Benefícios para o orçamento federal
A equipe econômica já vinha avaliando o impacto do tratamento contábil dos precatórios no arcabouço fiscal. A mudança permite que a União tenha maior previsibilidade para planejar o orçamento e o cumprimento da meta fiscal, principalmente após 2026.
Estados e municípios: preocupação com estoque em atraso
Limite anual baseado na Receita Corrente Líquida
Para governos estaduais e municipais, a PEC cria um limite máximo anual de pagamento de precatórios, calculado com base na Receita Corrente Líquida (RCL) e no estoque de dívidas em atraso, atualizado monetariamente com juros.
- Percentual de 1% da RCL: para estados com menos de 15% do estoque em atraso.
- Percentual de até 5% da RCL: para estados com mais de 85% do estoque em atraso.
Linha de crédito especial da União
A medida busca facilitar a liquidação das dívidas sem comprometer o orçamento corrente.
Impacto estimado nos estados e municípios
Um estudo do BTG Pactual simulou os efeitos da PEC se ela já estivesse em vigor em 2024. Os resultados apontam:
- Apenas 6 estados teriam pagamentos abaixo do novo teto.
- Entre municípios, 1.230 teriam seus pagamentos limitados, representando R$ 4,1 bilhões de redução.
| Região | Redução estimada (R$ bilhões) | Observações |
|---|---|---|
| São Paulo | 1,6 | Maior benefício estadual |
| Paraná | 1,1 | Redução relevante |
| Rio Grande do Sul | 1,1 | Redução relevante |
| Outros estados | 4,9 | Soma dos 18 restantes |
| Municípios | 4,1 | 1.230 municípios afetados |
| Total geral | 12,9 | Redução do pagamento de 30,7 para 17,8 bilhões |
Análise econômica e riscos
Especialistas apontam que, embora a medida beneficie a União, os estados e municípios podem enfrentar aumento de estoque em atraso, especialmente se não houver disciplina fiscal.
PEC 66 e o futuro das contas públicas

Impacto a longo prazo
A PEC cria um mecanismo de transição fiscal, equilibrando o pagamento de precatórios com a necessidade de manter a responsabilidade fiscal. Para a União, há espaço para investir sem comprometer a meta, enquanto estados e municípios precisam planejar o pagamento de dívidas, evitando aumento de inadimplência.
Considerações para gestores públicos
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Gestores precisam:
- Monitorar o estoque de precatórios e os novos limites anuais.
- Planejar pagamentos futuros com base no teto definido pela RCL.
- Considerar o impacto das novas regras de atualização monetária na dívida total.
FAQ – Perguntas frequentes
1. O que é a PEC 66?
A PEC 66/2025 é uma emenda constitucional que muda as regras de pagamento de precatórios da União, estados e municípios, criando limites anuais e espaço fiscal adicional.
2. Quem será beneficiado pela PEC?
A União terá alívio orçamentário imediato, enquanto estados e municípios podem reduzir pagamentos anuais de acordo com o novo teto.
3. Qual o impacto nos precatórios federais?
O pagamento de precatórios federais será excluído do limite de gastos em 2026, com crédito extra de R$ 12,4 bilhões e incorporação gradual à meta fiscal a partir de 2027.
4. Como os precatórios subnacionais serão afetados?
Os estados e municípios terão limites máximos de pagamento baseados na RCL, com possibilidade de redução anual e alteração na correção monetária.
5. Qual a taxa de atualização dos precatórios com a PEC?
A correção passa a ser IPCA + 2% ao ano, limitada à Selic, caso essa seja menor que o índice combinado.
6. Existe alguma linha de crédito para facilitar o pagamento?
Sim, a União poderá criar linha de crédito especial via instituições financeiras estatais para quitação de precatórios.
Considerações finais
A aprovação da PEC 66/2025 representa uma mudança significativa na gestão de precatórios no Brasil. Para o governo federal, a medida cria espaço fiscal imediato, enquanto para estados e municípios impõe limites que podem reduzir pagamentos anuais, mas aumentam riscos de estoque em atraso. Gestores públicos precisarão equilibrar planejamento orçamentário, cumprimento da meta fiscal e disciplina na execução de dívidas judiciais nos próximos anos.
