O Pix, lançado oficialmente em novembro de 2020 pelo Banco Central, rapidamente se consolidou como o meio de pagamento mais utilizado no Brasil. Em poucos anos, superou os tradicionais DOCs, TEDs e até mesmo o uso de cartões em diversas regiões do país. Agora, um novo levantamento detalhado do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira (FGVCemif), da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), revela não só a abrangência do Pix, mas também como ele se relaciona com indicadores sociais, econômicos e demográficos.
Municípios com mais jovens usam mais o Pix, revela levantamento
Uso do Pix cresce entre jovens, municípios mais pobres e regiões com maior alfabetização, aponta estudo da FGV sobre inclusão financeira no Brasil.
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Jovens até 29 anos são os que mais utilizam o Pix

Digitalização e familiaridade com tecnologia
Segundo a segunda edição da pesquisa “Geografia do Pix”, publicada pelo FGVCemif, o grupo etário com maior frequência de uso mensal do Pix em 2023 foi o da população com até 29 anos. A familiaridade dos jovens com tecnologias digitais, aliada à popularização das fintechs e contas digitais, contribui significativamente para esse comportamento.
Limitações de acesso ao crédito
Além disso, esse grupo etário tende a ter menos acesso a linhas de crédito mais tradicionais, como cartões e financiamentos, o que fortalece a preferência por formas diretas e gratuitas de movimentação financeira.
Relação entre alfabetização e uso do Pix
Quanto mais alfabetizado o município, maior a adesão
A pesquisa também examinou como o grau de alfabetização dos municípios influencia a adesão ao Pix. O resultado foi claro: quanto maior a taxa de alfabetização da população de um município, maior é a adesão ao Pix. Em locais com índices elevados de alfabetização, 57,1% da população já adotou o Pix como meio de pagamento, com valor médio por transação de R$ 231,43.
Valor médio das transações reflete poder de compra
O valor médio mais alto das transações em municípios mais alfabetizados pode indicar maior formalização dos pagamentos via Pix, como no comércio ou prestação de serviços. Além disso, o grau de letramento tende a estar relacionado a um melhor entendimento das ferramentas digitais, o que estimula o uso da tecnologia.
Contraste com municípios de baixa alfabetização
Alta frequência com valores mais baixos
Apesar da adesão ao Pix ser menor nos municípios com menores índices de alfabetização, o uso mensal é mais frequente. Ou seja, a população usa mais vezes, mas com valores inferiores. Esse dado é interpretado pelos pesquisadores como um sinal de que o Pix funciona, nesses locais, como principal ferramenta de circulação monetária, especialmente entre as classes de menor renda.
Pix como principal instrumento financeiro
Em locais menos desenvolvidos, onde os beneficiários de programas sociais têm menos acesso a outras formas de pagamento, o Pix passa a representar não apenas uma forma de enviar e receber dinheiro, mas o próprio acesso ao sistema financeiro.
Adesão ao Pix entre beneficiários do Bolsa Família
Uso intenso em municípios com mais beneficiários
O levantamento da FGV também se debruçou sobre a relação entre o uso do Pix e a proporção de beneficiários do programa Bolsa Família em diferentes municípios. Os resultados apontam que nas cidades com maior número de beneficiários há mais transações via Pix (média de 33 por mês), ainda que de valores menores — cerca de R$ 141,77 por operação.
Frequência versus valor das operações
Apesar da taxa de adesão entre os municípios com mais beneficiários do Bolsa Família ser parecida com a média nacional (51,10%), a intensidade do uso e a frequência de transferências são maiores. Isso reforça o papel do Pix como um recurso essencial para a vida financeira de famílias em situação de vulnerabilidade social.
Análise dos pesquisadores da FGV

Baixa renda depende mais do Pix
Lauro Gonzalez, coordenador do FGVCemif e um dos autores do estudo, destaca que o uso do Pix entre a população de baixa renda está diretamente ligado ao acesso limitado a outros meios de pagamento. “Nos municípios mais ricos e alfabetizados, a adesão ao Pix é maior. Entretanto, nos mais pobres, ele é mais usado”, explica.
Diversidade de meios para quem tem mais renda
Gonzalez afirma que usuários de maior renda têm à disposição cartões de crédito, contas com benefícios, carteiras digitais diversas e até mesmo TEDs e DOCs, o que diminui a dependência exclusiva do Pix. Já para os mais pobres, o Pix passou a ser sinônimo de conta bancária.
O Pix como sinônimo de conta digital
Bancarização por meio do pagamento instantâneo
Nos segmentos de baixa renda, muitos cidadãos só abriram contas em bancos ou fintechs para realizar operações via Pix. Assim, o instrumento criado pelo Banco Central para facilitar pagamentos acabou também promovendo a bancarização da população mais vulnerável.
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Transferências pessoais lideram o uso
O principal uso do Pix entre os brasileiros de baixa renda é a transferência de recursos entre familiares e amigos. Esse tipo de operação responde pela maior parte do volume de transações, confirmando o Pix como uma ferramenta de apoio à rede de solidariedade informal que sustenta grande parte da população vulnerável no país.
Inclusão financeira na prática
Acesso facilitado ao sistema bancário
A pesquisa da FGV reforça o papel do Pix como um indutor de inclusão financeira. Além de eliminar barreiras de entrada (como tarifas e burocracias), o sistema opera 24 horas por dia, 7 dias por semana, com rapidez e segurança. Isso facilita o dia a dia de milhões de brasileiros, especialmente aqueles que antes não tinham acesso a instituições bancárias.
Pix se consolida entre os preferidos do brasileiro
Dados de uso confirmam popularidade crescente
De acordo com dados do Banco Central, o número de transações via Pix ultrapassou 160 milhões por dia em 2024, e a expectativa é de que esse volume continue crescendo. A tendência é que o Pix siga como principal meio de pagamento entre consumidores, pequenos comerciantes e autônomos.
Desafios para o futuro

Segurança digital é uma preocupação constante
Apesar do sucesso, ainda existem desafios. Um deles é garantir a segurança nas transações. Casos de golpes e fraudes envolvendo o Pix têm crescido e exigem campanhas de educação financeira, além de aprimoramentos constantes no sistema.
Inclusão de populações isoladas
Outro desafio é expandir o acesso ao Pix para populações sem acesso à internet ou smartphones. Mesmo com os avanços, há uma parcela da população, especialmente em áreas rurais e comunidades indígenas, que ainda está fora do alcance dessa revolução financeira.
Conclusão
Pix como ferramenta de transformação social
O Pix deixou de ser apenas uma inovação tecnológica e se transformou em um agente de mudança social no Brasil. Ao analisar dados de frequência, valor e perfil dos usuários, como fez a pesquisa da FGV, fica claro que o Pix não apenas facilita pagamentos, mas contribui para reduzir desigualdades e promover a inclusão financeira. Sua adesão entre jovens, moradores de municípios pobres e populações mais alfabetizadas mostra que a tecnologia pode ser um instrumento poderoso quando bem implementada e acessível.
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