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Tarifaço dos EUA e o preço da carne no brasil: queda temporária e riscos futuros

A tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre a carne brasileira pode provocar uma queda inicial nos preços no Brasil, mas tendência é de alta.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Hambúrguer carne bovina

A partir de 6 de agosto, entra em vigor a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros, incluindo a carne bovina. A medida, adotada pelo governo norte-americano sob a justificativa de proteger a indústria local, levanta preocupações sobre seus impactos indiretos no mercado interno brasileiro, especialmente no setor de proteínas.

Impacto imediato no Brasil será indireto

Trump carne preço
Imagem: bublikhaus – freepik

Em um primeiro momento, o consumidor brasileiro pode se beneficiar com a queda nos preços da carne, devido à redução temporária na demanda externa. No entanto, essa aparente vantagem tende a ser passageira.

Leia mais: Preço da carne pode cair com tarifaço, mas falta de produto pode ser consequência

Mudança na estratégia dos produtores

A parcela da carne que normalmente seguiria para os Estados Unidos, especialmente a parte dianteira do boi — usada majoritariamente na fabricação de hambúrgueres —, pode ser redirecionada para mercados alternativos. Países como Egito e outros do Oriente Médio vêm demonstrando aumento de demanda, o que representa uma válvula de escape para parte da produção.

Oferta global em queda

Além da questão da tarifa, o cenário global também contribui para o aumento da pressão sobre os preços. Países concorrentes, como Austrália e os próprios Estados Unidos, vêm enfrentando problemas sanitários que levaram à redução na produção de carne. Estima-se uma retração de 2% na oferta mundial de carne bovina, o que torna o mercado ainda mais volátil.

Queda de preço no curto prazo já é visível

Outro fator que ajuda a baixar os preços, ainda que pontualmente, é a queda no custo da alimentação animal. O preço do boi gordo, animal pronto para o abate, caiu mais de 7% em apenas um mês, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Esse movimento alivia o custo de produção e, em teoria, poderia manter os preços no patamar atual. Contudo, essa janela de estabilidade tende a se fechar rapidamente com a retração do número de abates.

O que esperar nos próximos meses

O cenário projetado para o último trimestre do ano é de aumento nos preços da carne bovina no varejo. A menor oferta, somada à pressão externa, deve impactar o consumidor final.

Consequências para o consumidor

tarifa trump carne bovina
Imagem: Freepik

Compras no supermercado

Embora o consumidor brasileiro não vá pagar diretamente pela tarifa imposta pelos Estados Unidos, o reflexo pode ser sentido na prateleira do supermercado em poucos meses. A carne bovina, especialmente os cortes de segunda — mais consumidos pela população de baixa renda — pode sofrer reajustes significativos.

FAQ

A carne vai ficar mais barata ou mais cara?

A tendência é de uma queda temporária nos preços, seguida por uma alta no médio prazo, devido à menor oferta de animais para abate.

Por que os EUA impuseram essa tarifa?

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A medida faz parte de uma política de proteção comercial adotada pelo governo dos Estados Unidos, visando fortalecer a indústria local.

Qual a participação dos EUA nas exportações brasileiras de carne?

Os Estados Unidos são responsáveis por cerca de 12% das exportações brasileiras de carne bovina, ficando atrás apenas da China.

O que esperar para os próximos meses?

Os especialistas preveem um cenário de alta nos preços da carne no Brasil a partir do segundo semestre, impulsionado pela queda nos abates e menor oferta no mercado interno.

Considerações finais

A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre a carne brasileira representa um desafio comercial para o setor pecuário do país. Ainda que o efeito direto da medida seja limitado ao mercado norte-americano, seus desdobramentos já começam a se desenhar no Brasil.

O consumidor pode observar uma redução no preço da carne nas próximas semanas, mas essa baixa deve ser temporária.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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