A partir de 6 de agosto, entra em vigor a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros, incluindo a carne bovina. A medida, adotada pelo governo norte-americano sob a justificativa de proteger a indústria local, levanta preocupações sobre seus impactos indiretos no mercado interno brasileiro, especialmente no setor de proteínas.
Tarifaço dos EUA e o preço da carne no brasil: queda temporária e riscos futuros
A tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre a carne brasileira pode provocar uma queda inicial nos preços no Brasil, mas tendência é de alta.
Impacto imediato no Brasil será indireto

Em um primeiro momento, o consumidor brasileiro pode se beneficiar com a queda nos preços da carne, devido à redução temporária na demanda externa. No entanto, essa aparente vantagem tende a ser passageira.
Leia mais: Preço da carne pode cair com tarifaço, mas falta de produto pode ser consequência
Mudança na estratégia dos produtores
A parcela da carne que normalmente seguiria para os Estados Unidos, especialmente a parte dianteira do boi — usada majoritariamente na fabricação de hambúrgueres —, pode ser redirecionada para mercados alternativos. Países como Egito e outros do Oriente Médio vêm demonstrando aumento de demanda, o que representa uma válvula de escape para parte da produção.
Oferta global em queda
Além da questão da tarifa, o cenário global também contribui para o aumento da pressão sobre os preços. Países concorrentes, como Austrália e os próprios Estados Unidos, vêm enfrentando problemas sanitários que levaram à redução na produção de carne. Estima-se uma retração de 2% na oferta mundial de carne bovina, o que torna o mercado ainda mais volátil.
Queda de preço no curto prazo já é visível
Outro fator que ajuda a baixar os preços, ainda que pontualmente, é a queda no custo da alimentação animal. O preço do boi gordo, animal pronto para o abate, caiu mais de 7% em apenas um mês, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
Esse movimento alivia o custo de produção e, em teoria, poderia manter os preços no patamar atual. Contudo, essa janela de estabilidade tende a se fechar rapidamente com a retração do número de abates.
O que esperar nos próximos meses
O cenário projetado para o último trimestre do ano é de aumento nos preços da carne bovina no varejo. A menor oferta, somada à pressão externa, deve impactar o consumidor final.
Consequências para o consumidor

Compras no supermercado
Embora o consumidor brasileiro não vá pagar diretamente pela tarifa imposta pelos Estados Unidos, o reflexo pode ser sentido na prateleira do supermercado em poucos meses. A carne bovina, especialmente os cortes de segunda — mais consumidos pela população de baixa renda — pode sofrer reajustes significativos.
FAQ
A carne vai ficar mais barata ou mais cara?
A tendência é de uma queda temporária nos preços, seguida por uma alta no médio prazo, devido à menor oferta de animais para abate.
Por que os EUA impuseram essa tarifa?
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A medida faz parte de uma política de proteção comercial adotada pelo governo dos Estados Unidos, visando fortalecer a indústria local.
Qual a participação dos EUA nas exportações brasileiras de carne?
Os Estados Unidos são responsáveis por cerca de 12% das exportações brasileiras de carne bovina, ficando atrás apenas da China.
O que esperar para os próximos meses?
Os especialistas preveem um cenário de alta nos preços da carne no Brasil a partir do segundo semestre, impulsionado pela queda nos abates e menor oferta no mercado interno.
Considerações finais
A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre a carne brasileira representa um desafio comercial para o setor pecuário do país. Ainda que o efeito direto da medida seja limitado ao mercado norte-americano, seus desdobramentos já começam a se desenhar no Brasil.
O consumidor pode observar uma redução no preço da carne nas próximas semanas, mas essa baixa deve ser temporária.
