O preço da gasolina em Natal, Rio Grande do Norte, atingiu uma marca preocupante para os consumidores: o litro do combustível comum pode ser encontrado a R$ 6,69, valor que supera as médias divulgadas recentemente por órgãos de monitoramento, como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Instituto Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon Natal).
O cenário atual: gasolina mais cara do Nordeste

De acordo com a ANP, a média da gasolina em Natal gira em torno de R$ 6,58, sendo um dos preços mais elevados do Nordeste. Já o Procon aponta uma média levemente inferior, de R$ 6,56. Apesar dessas médias oficiais, alguns postos nas regiões Sul e Leste de Natal já estão comercializando o combustível a R$ 6,69, um valor que chama a atenção e acende o alerta para o impacto no bolso do consumidor potiguar.
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O que está elevando o preço da gasolina em Natal?
Vários fatores contribuem para o aumento no preço do combustível em Natal. Entre os principais, estão as mudanças na política de ICMS, a alta do preço do petróleo no mercado internacional e a política de preços da Petrobras.
1. O aumento da alíquota do ICMS
A partir de fevereiro de 2025, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) já aprovou um reajuste que elevará a alíquota do ICMS sobre combustíveis. Com isso, a gasolina sofrerá um acréscimo de R$ 0,10 por litro, passando de R$ 1,37 para R$ 1,47 na carga tributária estadual.
A alteração, apesar de ainda não estar em vigor, já influencia o comportamento dos preços, pois os postos podem antecipar a mudança, principalmente em um cenário de aumento generalizado. O aumento do ICMS impacta diretamente o custo final do combustível, já que os impostos representam uma parcela significativa do preço nas bombas.
2. A variação do preço do petróleo no mercado internacional
Outro fator que pesa sobre o valor da gasolina é a variação do preço do barril de petróleo no mercado internacional. Recentemente, o preço do petróleo ultrapassou a marca de US$ 90 por barril, refletindo no custo do combustível importado pelo Brasil. Embora a Petrobras tenha uma produção interna significativa, a empresa ainda depende de importações para suprir a demanda nacional, especialmente em períodos de alta no consumo.
Essa dependência das importações leva a Petrobras a adotar uma política de paridade de importação (PPI), que considera os preços praticados internacionalmente. Em um cenário de alta do dólar e de aumento do preço do barril, o custo da gasolina no Brasil aumenta, mesmo que a produção interna seja suficiente para atender parte do mercado.
3. A política de preços da Petrobras
A Petrobras adota uma política de preços que acompanha a variação dos custos de importação, uma prática conhecida como paridade de importação. Isso significa que, sempre que há um aumento nos custos de importação, como transporte, câmbio e barril de petróleo, o preço da gasolina tende a acompanhar essa alta, o que reflete nos postos de combustíveis em todo o país.
Essa política é alvo de críticas, pois muitos defendem que o Brasil, sendo um dos maiores produtores de petróleo do mundo, deveria ter uma política que favorecesse o mercado interno, descolando-se dos valores internacionais. No entanto, a Petrobras mantém essa prática para atrair investimentos e manter sua competitividade no mercado global.
Comparação entre os preços em Natal e outras regiões
A média de preços em Natal é uma das mais altas do Nordeste, o que coloca a cidade em uma posição desconfortável em comparação a outras capitais da região. Enquanto a média no Rio Grande do Norte é de R$ 6,58, cidades vizinhas em estados como Paraíba e Pernambuco registram valores entre R$ 6,30 e R$ 6,50, ainda menores do que o praticado em Natal.
Essa diferença pode ser explicada não apenas pela política de preços e tributos, mas também pelos custos logísticos e pela oferta local de combustíveis, que varia conforme o mercado e as condições de abastecimento.
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Como economizar na hora de abastecer?
Com os preços nas alturas, é fundamental que o consumidor potiguar fique atento e busque formas de economizar.
- Pesquise os preços: Utilize aplicativos de monitoramento de preços para encontrar o posto mais barato em sua região. O Procon Natal já apontou que a diferença entre o maior e o menor preço pode resultar em uma economia considerável.
- Evite abastecer nos horários de pico: Em alguns casos, o preço pode sofrer variações de acordo com a demanda.
- Atenção à manutenção do veículo: Manter o carro em boas condições, com os pneus calibrados e o óleo trocado regularmente, ajuda a otimizar o consumo de combustível.
- Planeje as viagens: Tente evitar deslocamentos desnecessários, e, sempre que possível, opte por trajetos mais curtos.
Expectativas para o futuro: o que esperar dos preços em 2025?

O próximo ano promete novos desafios para o mercado de combustíveis no Brasil. Além do aumento da alíquota do ICMS, as oscilações na cotação do dólar e as políticas internacionais em relação ao petróleo podem continuar afetando o preço da gasolina.
Alguns economistas sugerem que o governo federal pode avaliar novas medidas para aliviar o impacto dos combustíveis, seja por meio de subsídios temporários ou revisões na política de paridade. Contudo, a situação fiscal do país e a necessidade de equilíbrio nas contas públicas tornam essa possibilidade incerta.
Considerações finais
Com o preço da gasolina em Natal atingindo R$ 6,69, os consumidores potiguares enfrentam um dos cenários mais desafiadores em relação aos combustíveis. A alta carga tributária, a política de paridade de preços da Petrobras e a variação do preço do petróleo internacional são apenas alguns dos fatores que contribuem para essa situação. A população, por sua vez, pode adotar práticas de economia e estar atenta às mudanças fiscais para mitigar o impacto financeiro.
