A Receita Federal anunciou uma nova edição de sua ação de conformidade voltada para empresas com pendências relacionadas às contribuições PIS e Cofins. A iniciativa busca incentivar a autorregularização, reduzindo litígios e oferecendo a oportunidade de correção antes da aplicação de multas.
Serão notificadas mais de 3 mil pessoas jurídicas em todo o Brasil, que somam mais de R$ 1,2 bilhão em divergências. A medida faz parte da Malha Fiscal Digital, programa que utiliza cruzamento de dados para detectar inconsistências nas declarações enviadas pelas empresas.
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O que é a ação de conformidade da Receita Federal
A ação de conformidade é uma medida administrativa utilizada pela Receita para sinalizar inconsistências antes que sejam abertas fiscalizações formais. O objetivo é oferecer às empresas a chance de corrigir seus débitos de maneira espontânea, evitando multas de ofício.
No caso atual, a operação está voltada para diferenças encontradas entre valores declarados na EFD-Contribuições e na DCTF. Esse cruzamento permite identificar situações em que as contribuições foram declaradas de forma insuficiente ou não foram devidamente registradas.
Como funciona a Malha Fiscal Digital
A Malha Fiscal Digital é um sistema que cruza automaticamente as informações enviadas pelos contribuintes e por terceiros. Esse processo analisa dados de declarações como a EFD-Contribuições, a DCTF e notas fiscais eletrônicas.
O parâmetro utilizado nesta operação é o chamado 20.001, que corresponde especificamente a insuficiências relacionadas ao PIS e à Cofins. Quando divergências são encontradas, o contribuinte é comunicado para que faça a autorregularização dentro do prazo estipulado.
Quem será impactado pela nova operação
Ao todo, 3.062 contribuintes foram identificados com divergências em suas declarações. O valor total das insuficiências apuradas ultrapassa R$ 1,2 bilhão, distribuído entre diferentes estados brasileiros.
O estado de São Paulo concentra a maior parte do montante, com mais de R$ 534 milhões em débitos, seguido pelo Rio de Janeiro, com cerca de R$ 105 milhões. Já estados como Roraima e Acre apresentam valores significativamente menores, mas ainda relevantes para a fiscalização.
Etapas da operação
Primeira etapa: Avisos de autorregularização
As empresas selecionadas receberão avisos formais, enviados por meio dos Correios e pela Caixa Postal do e-CAC. Nesses documentos, a Receita Federal fornece orientações detalhadas para a regularização e indica quais são as divergências encontradas.
Prazo para regularização
O prazo final estabelecido é 28 de novembro de 2025. Até essa data, as empresas poderão quitar ou parcelar seus débitos, ajustando as declarações sem incidência de multa de ofício.
O que acontece após o prazo
Caso o contribuinte não regularize a situação dentro do prazo, a Receita lavrará autos de infração. Nessa etapa, além do valor devido, serão aplicados acréscimos legais como juros de mora e multa de ofício, elevando consideravelmente o custo da pendência.
Resultados da edição anterior
Na edição anterior dessa ação, mais de 78% dos contribuintes notificados regularizaram suas pendências dentro do prazo. Isso evitou a aplicação de multas e demonstrou a efetividade da medida como instrumento de conformidade.
Para os que não aproveitaram a oportunidade, a Receita Federal constituiu créditos tributários que somaram R$ 560 milhões. Esse resultado reforça a importância de agir dentro do prazo para reduzir custos e riscos para as empresas.
Importância da autorregularização
A autorregularização é um instrumento essencial para manter as empresas em conformidade com suas obrigações tributárias. Ela reduz custos, evita penalidades e promove maior segurança jurídica.
Além disso, ao utilizar esse mecanismo, a Receita Federal demonstra uma postura mais orientadora, oferecendo suporte às empresas e buscando evitar disputas administrativas ou judiciais. Isso cria um ambiente de maior confiança e previsibilidade para os contribuintes.
Distribuição regional das divergências
A operação atual mostra que as divergências estão distribuídas por todos os estados, mas com grande concentração em regiões de maior atividade econômica.
- São Paulo: mais de R$ 534 milhões
- Rio de Janeiro: cerca de R$ 105 milhões
- Minas Gerais: R$ 75 milhões
- Bahia: R$ 60 milhões
- Paraná: R$ 47 milhões
Mesmo estados com menos empresas ativas, como Acre, Roraima e Tocantins, também registraram valores que chamaram a atenção da fiscalização.
Como o contribuinte pode se regularizar
O processo de regularização é relativamente simples e pode ser feito de forma online:
Passo 1: Acesso ao e-CAC
O primeiro passo é acessar o e-CAC, sistema eletrônico da Receita Federal. Na Caixa Postal, o contribuinte encontrará a mensagem oficial com os detalhes das divergências.
Passo 2: Verificação dos dados
A empresa deve comparar as informações apresentadas pela Receita com suas próprias declarações e registros contábeis. Essa análise é essencial para confirmar a origem da divergência.
Passo 3: Retificação das declarações
Caso seja identificado erro, o contribuinte deve retificar suas declarações e ajustar os valores informados. Isso pode incluir a EFD-Contribuições ou a DCTF.
Passo 4: Pagamento ou parcelamento
Após a retificação, é necessário efetuar o pagamento do valor devido ou optar pelo parcelamento, de acordo com a capacidade financeira da empresa.
Benefícios para as empresas que se regularizam
As empresas que aproveitam a oportunidade oferecida pela Receita obtêm benefícios diretos e indiretos:
- Evitam multas e juros de ofício
- Reduzem riscos de autuação futura
- Demonstram conformidade fiscal perante fornecedores e investidores
- Melhoram sua reputação junto ao mercado e órgãos reguladores
Além disso, empresas que mantêm suas obrigações em dia tendem a ter maior facilidade em acessar linhas de crédito e participar de licitações públicas.

A nova ação de conformidade da Receita Federal representa uma oportunidade estratégica para empresas que possuem pendências com o PIS e a Cofins. Ao optar pela autorregularização dentro do prazo, os contribuintes não apenas evitam multas, mas também reforçam sua credibilidade e estabilidade fiscal.
Com um valor total superior a R$ 1,2 bilhão em divergências, a operação demonstra a capacidade de fiscalização digital do órgão e a importância de manter informações consistentes em todas as declarações. A mensagem é clara: agir preventivamente é sempre mais vantajoso do que enfrentar autuações posteriores.
Para empresas atentas, essa é uma chance de ajustar o presente e construir uma relação mais saudável com o fisco no futuro.

