A reforma tributária do consumo começou a mudar, na prática, a rotina fiscal das empresas brasileiras. A partir desta segunda-feira (3), alguns contribuintes passaram a incluir novos campos relacionados à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) nos documentos fiscais eletrônicos.
CBS e IBS chegam às notas fiscais sem bloqueio para dados incompletos
Empresas começam adaptação das notas fiscais para CBS e IBS. Veja quem precisa cumprir a regra, prazos e impactos da reforma tributária.
A mudança representa uma das primeiras etapas da transição para o novo modelo de tributação criado pela reforma tributária. Apesar da obrigatoriedade de adaptação dos sistemas, as empresas não terão notas fiscais rejeitadas neste primeiro momento caso os novos campos ainda não estejam preenchidos.
A medida foi definida pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS) para permitir que empresas, contadores e desenvolvedores de sistemas tenham tempo para ajustar seus processos sem interromper operações comerciais.
Mas afinal, o que muda nas notas fiscais? Quem precisa se adaptar agora? Empresas do Simples Nacional também serão afetadas? Entenda como funciona essa nova fase da reforma tributária e quais cuidados os empresários precisam tomar.
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O que muda nas notas fiscais com a reforma tributária?

A principal alteração é a inclusão de informações relacionadas aos dois novos tributos criados pela reforma tributária:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): substituirá gradualmente tributos federais como PIS e Cofins.
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): substituirá o ICMS estadual e o ISS municipal.
Esses impostos fazem parte do novo sistema de tributação sobre consumo, criado para substituir um modelo considerado complexo por especialistas e empresas devido à quantidade de regras diferentes entre estados, municípios e União.
Na prática, as notas fiscais passarão a informar como determinada operação será tributada dentro do novo sistema.
O objetivo é preparar os documentos fiscais eletrônicos para a transição, permitindo que os sistemas já estejam adequados quando a cobrança efetiva dos novos impostos começar.
Por que a reforma tributária está mudando as notas fiscais?
Durante décadas, empresas brasileiras precisaram lidar com diferentes tributos incidentes sobre vendas e serviços, cada um com regras próprias.
Um produto vendido em diferentes estados, por exemplo, poderia envolver cálculos distintos de ICMS, além de regras específicas relacionadas a créditos tributários e obrigações acessórias.
A reforma busca simplificar esse processo por meio de um modelo baseado no chamado IVA (Imposto sobre Valor Agregado), utilizado em diversos países.
Nesse formato, o imposto passa a incidir sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia produtiva, reduzindo a chamada cumulatividade, quando um tributo acaba sendo incorporado várias vezes ao preço final.
A mudança, porém, exige uma grande adaptação tecnológica. Por isso, a emissão de notas fiscais é uma das primeiras áreas impactadas.
Quais empresas precisam informar CBS e IBS nas notas fiscais agora?
Nesta primeira etapa, a obrigação alcança principalmente empresas enquadradas nos regimes de:
- Lucro Real;
- Lucro Presumido.
Esses modelos geralmente são utilizados por empresas de maior porte ou por negócios que ultrapassam os limites de faturamento do Simples Nacional.
As empresas precisam ajustar seus sistemas emissores de notas fiscais para contemplar os novos campos previstos pela reforma.
No entanto, a ausência dessas informações neste início não provocará rejeição automática dos documentos fiscais.
A decisão busca evitar problemas como:
- paralisação da emissão de notas;
- interrupção das vendas;
- dificuldades operacionais durante a adaptação.
Empresas do Simples Nacional precisam mudar agora?
Não.
As micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional não fazem parte desta primeira fase da implantação.
O cronograma prevê uma etapa específica para esses contribuintes, com mudanças previstas para 2027.
Segundo o planejamento divulgado pelos órgãos responsáveis, o novo leiaute de documentos fiscais para empresas do Simples Nacional será disponibilizado antes da obrigatoriedade.
Isso significa que pequenos empresários terão um período para conversar com contadores e atualizar seus sistemas antes da exigência começar.
Quais documentos fiscais terão mudanças?
A primeira etapa envolve diversos documentos fiscais eletrônicos utilizados pelas empresas brasileiras.
Entre eles estão:
- NF-e (Nota Fiscal Eletrônica modelo 55);
- NFC-e (Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica modelo 65);
- CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico modelo 57);
- CT-e OS;
- BP-e;
- MDF-e;
- GTV-e;
- NF3-e;
- DC-e;
- NFS-e Via.
Cada documento possui regras técnicas próprias, por isso a adaptação depende do tipo de operação realizada pela empresa.
Uma indústria, por exemplo, terá necessidades diferentes de uma empresa de transporte ou de um prestador de serviços.
As notas fiscais serão rejeitadas sem CBS e IBS?
Neste primeiro momento, não.
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS informaram que haverá uma flexibilização durante a fase inicial de implementação.
Isso significa que uma empresa poderá emitir o documento fiscal mesmo sem preencher os novos campos relacionados à CBS e ao IBS, evitando bloqueios no faturamento.
A medida funciona como uma fase de testes para que empresas possam identificar problemas e corrigir falhas antes da entrada definitiva do novo modelo.
Existe cobrança dos novos impostos em 2026?
Não.
A inclusão dos campos nas notas fiscais não significa que a CBS e o IBS já estejam sendo cobrados integralmente.
A primeira etapa tem caráter principalmente preparatório e tecnológico.
As empresas precisam adaptar sistemas, revisar cadastros, treinar equipes e entender como o novo modelo funcionará.
A transição da reforma tributária ocorrerá de forma gradual, com substituição progressiva dos tributos atuais.
Programa de conformidade vai ajudar empresas na adaptação
Para reduzir dificuldades durante a implementação, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS anunciaram a criação de um programa de conformidade.
A iniciativa terá como objetivo orientar empresas que apresentarem dificuldades na adaptação dos sistemas fiscais.
Na prática, a ideia é evitar punições imediatas por erros relacionados ao período inicial de aprendizado.
Empresas, contadores e desenvolvedores poderão utilizar esse período para corrigir processos e adequar suas ferramentas.
Cronograma da reforma tributária para documentos fiscais
A implantação ocorrerá em várias etapas.
Outubro de 2026
Estão previstas mudanças envolvendo:
- Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e);
- NFCom;
- DIR;
- DeRE em primeira fase.
Novembro de 2026
Nova etapa do DeRE será implementada.
Dezembro de 2026
Entram novas adequações para documentos específicos, incluindo:
- documentos relacionados ao transporte;
- operações imobiliárias;
- combustíveis;
- plataformas digitais;
- operações específicas previstas na legislação.
Janeiro de 2027
A reforma alcança novos grupos, incluindo:
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- empresas do Simples Nacional;
- documentos de importação;
- operações com tributação monofásica.
Como as empresas devem se preparar para a reforma tributária?
Mesmo sem risco imediato de rejeição das notas, especialistas recomendam que as empresas não deixem a adaptação para a última hora.
Algumas medidas importantes incluem:
Conversar com o contador
O profissional contábil poderá avaliar como a reforma impactará o negócio e quais mudanças serão necessárias.
Atualizar sistemas de emissão fiscal
Empresas devem verificar se seus softwares já possuem atualização compatível com os novos campos da reforma.
Revisar cadastro de produtos e serviços
A classificação correta das mercadorias e serviços será fundamental para evitar problemas futuros no cálculo dos tributos.
Treinar funcionários
Equipes responsáveis por vendas, faturamento e financeiro precisam entender as novas informações exigidas.
O que muda para o consumidor?
Neste primeiro momento, o consumidor final não verá uma mudança imediata no preço dos produtos ou serviços apenas pela inclusão dos novos campos nas notas fiscais.
A alteração ocorre principalmente nos bastidores das empresas.
Com o avanço da reforma, porém, o novo sistema poderá modificar a forma como os impostos aparecem nos documentos fiscais e como os preços são formados.
A expectativa do governo é que a simplificação tributária reduza custos administrativos ao longo dos anos.
Reforma tributária será uma mudança gradual
A inclusão da CBS e do IBS nas notas fiscais representa apenas uma das etapas da maior mudança no sistema tributário brasileiro das últimas décadas.
O processo será gradual justamente porque envolve milhões de empresas, diferentes sistemas eletrônicos e uma grande quantidade de regras.
Para empresários, o momento é de preparação. A adaptação antecipada pode evitar problemas quando as novas exigências se tornarem definitivas.
Para o consumidor, a principal mudança virá aos poucos, conforme o novo modelo substituir os impostos atuais e alterar a forma como a tributação sobre consumo funciona no país.
Perguntas frequentes sobre CBS, IBS e notas fiscais

O que são CBS e IBS?
A CBS é um novo tributo federal que substituirá gradualmente PIS e Cofins. O IBS substituirá ICMS e ISS, tributos atualmente administrados por estados e municípios.
Minha empresa do Simples Nacional precisa alterar as notas agora?
Não. Empresas do Simples Nacional terão um cronograma próprio e a obrigatoriedade está prevista para uma etapa posterior.
A nota fiscal será cancelada se não tiver CBS e IBS?
Não nesta fase inicial. Os documentos continuarão sendo autorizados mesmo sem o preenchimento dos novos campos.
A reforma tributária já aumentou os impostos?
A inclusão dos campos nas notas fiscais não representa cobrança imediata dos novos tributos. É uma fase de adaptação.
O que as empresas precisam fazer agora?
Devem atualizar sistemas fiscais, consultar contadores, revisar cadastros e acompanhar os cronogramas oficiais.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
