A reforma tributária que entrará em vigor a partir de 2026 tem gerado apreensão no setor contábil brasileiro. Uma pesquisa realizada pela IOB revelou que 58% dos contadores ainda não estão totalmente preparados para lidar com as mudanças fiscais, enquanto 82% acreditam que haverá aumento significativo na demanda por serviços de contabilidade. O estudo mostra que, apesar da proximidade da implantação, a classe profissional ainda enfrenta desafios em adaptação e atualização.
Reforma tributária preocupa contadores: 60% não estão preparados, segundo pesquisa
Pesquisa da IOB mostra que 60% dos contadores não estão prontos para a reforma tributária que entra em vigor em 2026, gerando preocupações no setor.
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O que mostra a pesquisa da IOB

O levantamento intitulado “A opinião dos contadores brasileiros sobre a Reforma Tributária” foi conduzido entre maio e julho deste ano com 347 profissionais de todas as regiões do Brasil. O resultado indica que:
- 42% dos entrevistados afirmaram já estar se atualizando por meio de cursos, treinamentos e conteúdos especializados.
- 41% estão na fase inicial de preparação.
- 17% ainda não começaram a se aprofundar no tema.
Os números revelam que a maior parte dos contadores ainda não atingiu um nível satisfatório de prontidão para lidar com o novo modelo tributário, o que gera preocupação no mercado e nas entidades de classe.
Por que a falta de preparação preocupa
Segundo Sérgio Approbato, diretor de Negócios da IOB, a situação se agrava pela proximidade da implementação da lei, prevista para janeiro de 2026. Ele aponta que, embora exista consciência sobre a necessidade de adaptação, muitos profissionais ainda não buscaram atualização suficiente para atender à nova demanda.
A primeira edição da pesquisa, realizada em 2024, já indicava que 60% dos contadores esperavam aumento de demanda. Agora, esse número subiu para 82%, refletindo maior percepção de impacto sobre a rotina da categoria.
Principais mudanças trazidas pela reforma tributária
A reforma tributária prevê a unificação de tributos sobre o consumo em um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), o que deve simplificar o sistema, mas também exigirá novos processos de adaptação por parte das empresas e dos contadores. Entre os pontos centrais estão:
Unificação de tributos
A substituição de tributos federais, estaduais e municipais por um modelo simplificado deve reduzir a complexidade, mas gera dúvidas sobre a forma de aplicação prática.
Alterações nas alíquotas
Haverá mudanças na forma como alíquotas são definidas, incluindo benefícios específicos para setores estratégicos, como saúde e educação.
Crédito tributário
As regras de compensação de créditos tributários também sofrerão mudanças, exigindo maior cuidado por parte dos contadores.
Regime de transição
Um período de transição será implantado para adaptação gradual, mas especialistas alertam que empresas e profissionais precisam começar a se preparar desde já.
Impactos esperados para os contadores
A reforma terá efeitos diretos no dia a dia dos escritórios contábeis, impondo novas rotinas, demandas e responsabilidades. Os principais impactos esperados incluem:
Aumento da demanda de serviços
Com empresas buscando adequação às novas regras, os contadores deverão atuar como consultores estratégicos, não apenas como responsáveis por cálculos fiscais.
Maior necessidade de especialização
Cursos, treinamentos e certificações devem se tornar indispensáveis para manter a competitividade no mercado.
Adaptação tecnológica
Sistemas de gestão fiscal e softwares contábeis precisarão ser atualizados para atender às exigências legais, exigindo investimento por parte dos escritórios.
Consultoria em planejamento tributário
Haverá maior procura por serviços de consultoria para empresas que desejam planejar melhor suas operações diante das mudanças.
Reações do mercado contábil
Entre os profissionais ouvidos pela pesquisa, a sensação é de que a reforma tributária trará oportunidades, mas também riscos para aqueles que não se prepararem a tempo. Muitos contadores reconhecem que a mudança exigirá investimento em capacitação e tecnologia, além de um papel mais estratégico junto aos clientes.
Enquanto alguns escritórios já estão em processo avançado de adaptação, outros ainda se mostram resistentes, o que pode comprometer sua atuação no mercado em médio prazo.
Resistência às mudanças e desafios
Apesar dos benefícios prometidos, a reforma enfrenta resistência por parte de alguns profissionais. As principais barreiras identificadas são:
- Custo elevado de capacitação e atualização tecnológica.
- Incertezas quanto à regulamentação prática da lei.
- Dúvidas sobre como as empresas menores poderão se adaptar.
- Resistência cultural a mudanças profundas no sistema tributário.
Esses fatores ajudam a explicar por que uma parcela relevante dos contadores ainda não iniciou uma preparação consistente para o novo modelo.
Como os contadores podem se preparar
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Especialistas recomendam algumas estratégias para que os profissionais de contabilidade se adaptem à reforma com mais segurança e eficiência:
Investimento em capacitação
Buscar cursos, palestras e treinamentos específicos sobre a reforma é essencial para compreender as mudanças e aplicá-las corretamente.
Adoção de novas tecnologias
A atualização de softwares contábeis permitirá maior precisão no cumprimento das exigências legais.
Participação em redes de apoio
Entidades de classe, sindicatos e associações têm oferecido materiais e eventos para orientar os profissionais.
Planejamento interno
Escritórios devem revisar processos e alinhar estratégias para atender clientes de forma eficaz durante a transição.
Oportunidades no cenário de mudanças
Embora gere preocupações, a reforma tributária também abre espaço para oportunidades. Profissionais que se anteciparem podem se destacar no mercado, oferecendo soluções diferenciadas para empresas em processo de adaptação.
Com o aumento da demanda, escritórios bem preparados podem ampliar sua carteira de clientes, fortalecer parcerias e consolidar uma imagem de referência no setor.
Perspectivas para 2026
A entrada em vigor da reforma em 2026 marcará um novo ciclo para a contabilidade no Brasil. A expectativa é de que os primeiros anos sejam de ajustes e dúvidas, mas, a longo prazo, o sistema se torne mais eficiente e previsível.
Contadores que se adaptarem rapidamente poderão assumir papel ainda mais estratégico dentro das organizações, contribuindo para decisões de negócios e planejamento financeiro.
Urgência na preparação

A pesquisa da IOB evidencia que a classe contábil ainda tem muito a avançar em relação à reforma tributária. Com 58% dos profissionais ainda em estágio inicial de adaptação, o cenário é preocupante diante da proximidade da implantação.
Ao mesmo tempo, o momento representa uma chance de valorização da profissão. Investir em capacitação, tecnologia e planejamento é o caminho para transformar a reforma em oportunidade, garantindo competitividade no mercado e segurança para os clientes.
