A reforma tributária que está em tramitação no Congresso Nacional deve alterar significativamente a forma como os aluguéis são tributados no Brasil. As novas regras, previstas para começar a ser implementadas em 2026, incluem mudanças no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), impactando tanto pessoas físicas quanto jurídicas que possuem imóveis para locação. Especialistas afirmam que a medida busca equilibrar a carga tributária, mas alerta para a necessidade de preparação financeira de proprietários e locatários.
Reforma tributária anuncia novas regras contra os aluguéis
Reforma tributária define novas regras de impostos sobre aluguéis, incluindo IBS e CBS, mudanças para pessoas físicas e jurídicas a partir de 2026.
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Como funciona a tributação atual de aluguéis

Para pessoas físicas
Atualmente, pessoas físicas que recebem aluguel pagam Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de acordo com a tabela progressiva do imposto, com alíquotas que variam entre 15% e 27,5%. O cálculo é feito sobre a receita bruta recebida com aluguéis, descontadas algumas despesas dedutíveis permitidas pela legislação.
Segundo o Ministério da Fazenda, não haverá mudanças significativas para pessoas físicas que não exerçam atividade imobiliária de forma profissional. “Não haverá incidência dos novos tributos quando a locação for realizada por pessoa física que não exerça atividade imobiliária, tal como já ocorre hoje”, afirma o órgão.
Para pessoas jurídicas
Atualmente, empresas que possuem imóveis alugados pagam IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre a receita de aluguéis, resultando em uma carga tributária efetiva em torno de 15%, dependendo do regime tributário adotado. Com a reforma, o PIS e o Cofins serão substituídos pelo IBS e pela CBS, com alíquotas nominais estimadas entre 25% e 27%. No entanto, a lei prevê um redutor de 70% na base de cálculo, diminuindo a alíquota efetiva para cerca de 8% a 10%, o que ainda representa um aumento da tributação sobre a receita bruta em comparação ao sistema atual.
Novas regras para a tributação de aluguéis
A proposta da reforma estabelece critérios claros sobre quem estará sujeito ao IBS e à CBS.
Limites para pessoas físicas
O IBS e a CBS incidirão apenas sobre pessoas físicas que possuam mais de três imóveis alugados e tenham receita anual superior a R$ 240 mil, equivalentes a R$ 20 mil mensais. Essa medida visa concentrar a tributação sobre quem possui maior volume de imóveis, evitando impactar pequenos proprietários.
Além disso, haverá benefícios específicos para locações residenciais: um abatimento mensal de R$ 600 sobre o valor do aluguel será aplicado para o cálculo do imposto. Por exemplo, se um contrato de aluguel for de R$ 2,6 mil, o imposto será calculado sobre R$ 2 mil, reduzindo o impacto tributário para o locador.
Limites para pessoas jurídicas
Para empresas, o PIS e o Cofins serão substituídos pelo IBS e CBS, com a mesma alíquota nominal de 25% a 27%, mas aplicando o desconto de 70% na base de cálculo. Apesar dessa redução, especialistas alertam que a carga tributária efetiva será maior do que a atual, especialmente para empresas que atualmente pagam PIS e Cofins com alíquotas menores.
Impacto nos contratos e repasse ao locatário
Embora os impostos incidam sobre a receita do proprietário, há uma expectativa de que o aumento da carga tributária seja parcialmente repassado aos locatários. Segundo Moira Toledo, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP, “o imposto será cobrado de forma que o locatário saiba quanto pagará exatamente”, garantindo transparência no valor final do aluguel.
Expectativas de impacto no mercado imobiliário
Aumento do controle fiscal
Especialistas afirmam que a reforma tributária tende a aumentar o controle fiscal sobre grandes proprietários e empresas que atuam no setor imobiliário. A exigência de aplicação do IBS e CBS apenas para quem possui mais de três imóveis e receita superior a R$ 240 mil visa simplificar a fiscalização e reduzir a evasão fiscal.
Repercussão sobre os preços dos aluguéis
O aumento da carga tributária pode gerar pressão para reajustes nos valores dos aluguéis, especialmente em contratos de empresas ou proprietários com grandes volumes de imóveis. A expectativa é que o repasse seja feito de forma gradual, acompanhando o processo de implementação das alíquotas até 2033, quando o novo regime estará totalmente consolidado.
Incentivo à profissionalização da gestão imobiliária
Outro efeito da reforma pode ser o incentivo à profissionalização da gestão de imóveis. Proprietários que possuem múltiplos imóveis precisarão planejar melhor suas receitas, custos e tributos, promovendo maior eficiência e transparência nas operações.
Cronograma de implementação
As mudanças começarão a vigorar gradualmente em 2026, com aumento progressivo das alíquotas e ajustes no sistema de tributação até que o regime completo esteja consolidado em 2033. Durante esse período, proprietários e locatários terão tempo para se adaptar às novas regras, incluindo planejamento financeiro e atualização de contratos.
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Preparação de proprietários e locatários
Especialistas recomendam que tanto locadores quanto locatários acompanhem de perto as atualizações legislativas. É fundamental revisar contratos, planejar o impacto tributário e entender como os abatimentos previstos na legislação podem influenciar o valor final do aluguel.
Benefícios e desafios da reforma tributária sobre aluguéis
Benefícios esperados
- Maior justiça fiscal: concentra a tributação sobre grandes proprietários e empresas.
- Transparência: locatários saberão exatamente quanto do aluguel será destinado ao imposto.
- Incentivo à inclusão fiscal: amplia o controle sobre a receita imobiliária e reduz a evasão.
- Planejamento estratégico: estimula a profissionalização na gestão de imóveis.
Desafios
- Repasse de custos: possível aumento nos valores de aluguel devido à maior tributação.
- Complexidade de implementação: necessidade de sistemas de controle detalhados para aplicar o IBS e CBS corretamente.
- Adaptação gradual: tanto locadores quanto locatários precisarão se adaptar ao novo regime até 2033.
Especialistas comentam a reforma
Bruno Tadeu Radtke Gonçalves, advogado tributarista, ressalta que a reforma busca equilibrar a carga tributária, evitando que pequenos proprietários sejam prejudicados, enquanto grandes investidores e empresas passem a contribuir de forma proporcional.
Rodrigo Antonio Dias, membro do Conselho Jurídico do Secovi-SP, destaca que a medida pode gerar mais previsibilidade e reduzir disputas fiscais sobre receitas de aluguéis.
Moira Toledo, do Secovi-SP, enfatiza a importância da comunicação clara com locatários, garantindo que saibam antecipadamente os valores do imposto e do aluguel, evitando surpresas.
Reforma tributária redefine tributação de aluguéis e prepara mercado para 2026

A reforma tributária que altera a tributação de aluguéis representa uma mudança estrutural importante no setor imobiliário. Se implementada conforme previsto, ela concentrará a cobrança de IBS e CBS sobre grandes proprietários e empresas, oferecerá abatimentos para locações residenciais e trará maior transparência para locatários. Ao mesmo tempo, exigirá planejamento financeiro e adaptação gradual, com impacto sobre contratos e estratégias de precificação. Proprietários, locatários e empresas imobiliárias precisam se preparar para acompanhar as mudanças e ajustar suas operações, garantindo conformidade e evitando surpresas futuras.
