Com a proposta para encerrar o Saque-Aniversário do FGTS, o Ministério do Trabalho e Emprego estuda uma alternativa: transformar essa modalidade em um tipo de empréstimo consignado.
A medida, que está em fase de discussão no governo, visa oferecer um novo formato de crédito mais acessível aos trabalhadores brasileiros, principalmente empregados domésticos e trabalhadores autônomos, que atualmente encontram limitações para acessar crédito barato.
Essa nova proposta, prevista para ser enviada ao Congresso Nacional ainda neste ano, está alinhada ao esforço do governo de garantir que o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) mantenha sua função principal de proteção ao trabalhador, especialmente em casos de demissão sem justa causa. A seguir, entenda como o novo modelo funcionaria e quais impactos ele pode trazer.
O que é o Saque-Aniversário do FGTS?

Criado em 2020, o Saque-Aniversário permite que trabalhadores saquem uma parte do saldo disponível em suas contas ativas e inativas do FGTS anualmente, durante o mês de seu aniversário. Essa modalidade foi uma das formas encontradas para proporcionar um alívio financeiro a trabalhadores que desejam utilizar parte dos recursos acumulados no FGTS sem esperar por condições específicas, como demissão ou aposentadoria.
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Porém, ao aderir ao Saque-Aniversário, o trabalhador abre mão de retirar o saldo total do FGTS em caso de demissão sem justa causa, podendo acessar apenas a multa rescisória de 40%.
Como funciona o Saque-Aniversário atualmente?
- O trabalhador pode optar pela modalidade através do aplicativo do FGTS ou em agências bancárias.
- Ao aderir, tem o direito de sacar uma percentagem do saldo acumulado a cada ano no mês de seu aniversário.
- Caso não faça o saque dentro do prazo, o valor retorna às contas do FGTS.
- A adesão ao Saque-Aniversário é voluntária.
Essa modalidade permite que o trabalhador tenha acesso ao seu saldo de maneira mais flexível, porém, apresenta restrições em situações de demissão.
Proposta do Governo: Transformar o Saque-Aniversário em Empréstimo Consignado
A principal crítica ao Saque-Aniversário é que ele impede que trabalhadores demitidos sem justa causa tenham acesso ao saldo integral do FGTS. Segundo o Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o objetivo do governo é preservar a função original do FGTS como um fundo de proteção para o trabalhador em situações de desemprego.
Para resolver essa questão, a ideia é substituir o Saque-Aniversário por um empréstimo consignado, onde o FGTS seria utilizado como garantia para o crédito. Isso significa que o trabalhador poderia continuar acessando parte de seu saldo, mas em vez de sacar diretamente, o valor serviria como garantia para obter um empréstimo com taxas de juros reduzidas.
Quem se beneficiaria da nova proposta?
A proposta tem como foco beneficiar grupos que hoje enfrentam dificuldades para acessar linhas de crédito, como:
- Empregados domésticos com carteira assinada.
- Trabalhadores autônomos.
Estes trabalhadores não têm acesso ao empréstimo consignado tradicional, que é normalmente oferecido aos trabalhadores formais, com desconto direto na folha de pagamento. A proposta de transformar o Saque-Aniversário em consignado visa expandir as opções de crédito para esses grupos, permitindo que utilizem o saldo do FGTS como garantia, mesmo sem vínculo com uma empresa.
Vantagens do Empréstimo Consignado com Garantia no FGTS
Se aprovada, a proposta pode trazer uma série de vantagens aos trabalhadores que optarem pelo empréstimo consignado com o FGTS como garantia. Entre as principais estão:
1. Taxas de Juros Mais Baixas
Por se tratar de uma operação garantida pelo saldo do FGTS, o crédito oferecido deve ter taxas de juros mais acessíveis em comparação com outros tipos de empréstimos disponíveis no mercado. Isso pode aliviar o peso financeiro de trabalhadores que precisam de crédito para emergências ou outras finalidades.
2. Maior Acessibilidade ao Crédito
Atualmente, a modalidade de empréstimo consignado é restrita a trabalhadores formais, servidores públicos e aposentados do INSS. Com a nova proposta, grupos historicamente excluídos, como empregados domésticos e trabalhadores autônomos, poderão acessar o crédito consignado, utilizando o FGTS como garantia.
3. Preservação do Fundo em Caso de Demissão
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Diferente do Saque-Aniversário, onde o trabalhador retira parte de seu saldo anualmente, a nova proposta permite que o FGTS seja utilizado como garantia sem retirar o saldo imediatamente. Assim, em caso de demissão sem justa causa, o trabalhador teria acesso ao saldo integral do FGTS, preservando a sua segurança financeira.
Desafios e Críticas à Nova Proposta

Embora o empréstimo consignado com garantia no FGTS possa oferecer uma alternativa vantajosa para muitos trabalhadores, há também algumas preocupações em relação à proposta:
1. Endividamento dos Trabalhadores
Uma das críticas recorrentes à modalidade de empréstimo consignado é o risco de endividamento excessivo, especialmente em uma população já vulnerável. Ao utilizar o FGTS como garantia, há o risco de que os trabalhadores se sintam incentivados a contrair mais dívidas do que podem pagar.
2. Implicações para o FGTS como Fundo de Proteção
Especialistas apontam que o uso do FGTS como garantia pode enfraquecer a sua função original de proteção ao trabalhador. O FGTS foi criado para ser uma reserva em casos de demissão, compra de imóveis ou aposentadoria, e transformá-lo em uma linha de crédito pode reduzir o saldo disponível para essas situações.
3. Dependência de Bancos
Embora a proposta preveja que os trabalhadores escolham a instituição financeira que oferece as melhores taxas de juros, ainda há dúvidas sobre como essa relação será regulada e se os trabalhadores terão real liberdade de escolha.
Considerações finais
A proposta do governo de transformar o Saque-Aniversário do FGTS em uma modalidade de empréstimo consignado com garantia no saldo do fundo pode representar um avanço importante no acesso a crédito para trabalhadores domésticos e autônomos.
Com taxas de juros mais acessíveis e maior segurança financeira em caso de demissão, a nova medida pode beneficiar milhões de brasileiros. No entanto, é fundamental serem tomadas medidas para evitar o endividamento excessivo e garantir que o FGTS continue cumprindo sua função original de proteção ao trabalhador.
