O Senado Federal aprovou recentemente o projeto de lei que determina o preço fixo para novos livros no Brasil, restringindo descontos a um máximo de 10% durante os primeiros 12 meses após o lançamento. A medida, que ainda deve passar pela Câmara dos Deputados antes de ser sancionada, visa estabelecer uma maior estabilidade no mercado editorial e, sobretudo, proteger pequenas e médias livrarias independentes de uma concorrência desleal, em especial diante de gigantes do varejo digital, como a Amazon.
Senado aprova projeto que limita descontos e fixa preço de novos livros no Brasil
Senado aprova projeto de lei que fixa preços de novos livros e limita descontos a 10% no primeiro ano.
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O que diz a nova legislação?
O projeto, informalmente conhecido como “Lei Cortez”, propõe que editoras e livrarias sigam um preço fixo para lançamentos de livros no Brasil, com exceções para edições limitadas e casos específicos, como livros adquiridos por bibliotecas ou em programas de incentivo à leitura. Em resumo, a regra central estabelece que, durante o primeiro ano de lançamento de uma obra, o preço será único para todos os pontos de venda, limitando qualquer desconto em até 10%.
Para os defensores da proposta, o controle do preço por um período determinado evitará que grandes redes ofereçam grandes descontos logo após o lançamento de um livro, prática que acaba impactando negativamente as livrarias de menor porte. Segundo o senador Eduardo Gomes (PL), um dos principais defensores da medida, “é necessário um ambiente mais equilibrado para as pequenas livrarias conseguirem competir e oferecerem um atendimento especializado aos leitores”.

Mercado editorial dividido: proteção ou retrocesso?
O projeto divide opiniões entre senadores e especialistas do setor. Para muitos apoiadores, a nova legislação traria vantagens para o mercado editorial ao promover um ambiente mais justo, onde as livrarias menores conseguiriam sobreviver e competir em condições menos desiguais. Essa proteção às pequenas livrarias também é vista como uma estratégia para aumentar a diversidade no setor, oferecendo ao público mais opções de compra e acesso a diferentes tipos de obras e serviços.
Já os críticos argumentam que a fixação de preços vai contra o princípio de livre concorrência, podendo, inclusive, resultar em preços mais altos para os consumidores. A senadora Simone Tebet (MDB-MS), que votou contra o projeto, destacou que a medida pode prejudicar os leitores que procuram preços mais acessíveis, especialmente em um momento de instabilidade econômica. “Em um país onde o hábito de leitura é um desafio, limitar descontos pode dificultar ainda mais o acesso à leitura”, afirmou.
Representantes de grandes redes de varejo, como a Amazon, também se manifestaram contrários ao projeto, alegando que ele restringe a liberdade de precificação e pode afetar a competitividade do setor. Em nota, a Associação Nacional de Livrarias (ANL) reiterou que, embora compreenda os argumentos contrários, é urgente proteger as livrarias locais e regionais de práticas de preços agressivas, especialmente durante os primeiros meses de venda de um novo título.
Impactos esperados para o setor livreiro e para os leitores
Caso seja aprovada na Câmara dos Deputados e sancionada, a Lei Cortez representará uma mudança significativa na dinâmica do mercado editorial brasileiro. As pequenas livrarias poderão, com essa medida, estabelecer uma relação mais justa com editoras e consumidores, evitando o risco de serem sufocadas por redes de grande porte. Para livreiros independentes, a aprovação da lei representa a possibilidade de um fôlego financeiro para continuarem atuando e promovendo a cultura literária em suas regiões.
Para o consumidor final, a expectativa é de que os preços dos lançamentos permaneçam mais estáveis durante o primeiro ano, mas não se sabe ainda qual será o impacto dessa medida na formação de preços a longo prazo. É possível que a restrição de descontos diminua a frequência de promoções e variações de preço que atualmente são comuns em plataformas de e-commerce, onde os livros frequentemente são oferecidos com descontos atrativos logo após o lançamento.

Próximos passos e tramitação
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Com a aprovação no Senado, o projeto segue agora para a Câmara dos Deputados, onde será submetido à análise das comissões responsáveis e ao plenário. Se aprovado, o texto poderá ser sancionado pelo presidente e incorporado ao Código Brasileiro de Defesa do Consumidor.
Para muitos especialistas, a decisão da Câmara será um indicativo importante do futuro do mercado editorial no Brasil, pois definirá se o país seguirá o caminho de regulamentação de preços, como já ocorre em países europeus, ou se optará pela manutenção da livre concorrência, permitindo que o mercado regule os preços de acordo com a demanda e a oferta.
Uma legislação que promove equilíbrio ou restringe a competitividade?
A polêmica sobre a fixação de preços para novos livros e a limitação de descontos evidencia um dilema entre a proteção dos pequenos negócios e a garantia de acesso aos consumidores. A Lei Cortez surge como uma resposta às dificuldades enfrentadas pelo mercado livreiro brasileiro, que lida com margens de lucro reduzidas e uma forte dependência das vendas digitais.
Resta agora acompanhar os próximos passos e esperar como essa legislação, se aprovada, poderá impactar leitores, livrarias e o mercado editorial como um todo. A discussão reflete, sobretudo, a complexidade de equilibrar a proteção da cultura local e a necessidade de adaptação às novas dinâmicas comerciais digitais.
