Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Governo pede que STF priorize julgamento de igualdade salarial

A AGU solicita ao STF agilidade no julgamento da lei 14.611/2023, que obriga empresas a garantir igualdade salarial entre homens e mulheres.

Avatar de Helena Serpa Helena Serpa · · 4 min de leitura
STF

A AGU solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) agilidade no julgamento das ações que questionam a Lei da Igualdade Salarial (Lei 14.611/2023). A legislação, publicada em julho de 2023, vem causando debates entre empresas e trabalhadores sobre os critérios de transparência e paridade de remuneração.

A Lei 14.611/2023 e suas exigências

STF
Imagem: Alejandro Zambrana/Shutterstock.com

A lei reforça o princípio já presente na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que estabelece que trabalho igual deve receber salário igual, independentemente do gênero. A novidade está na obrigatoriedade de empresas apresentarem dois relatórios anuais ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e divulgarem publicamente os dados sobre remuneração de seus empregados.

Leia mais: STF marca para 2 de setembro o julgamento de Bolsonaro

Objetivos da lei

  • Garantir igualdade salarial entre homens e mulheres.
  • Promover políticas públicas que evitem a perpetuação de desigualdades históricas.

Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) no STF

Duas ADIs — 7.612 e 7.636 — questionam pontos da lei e aguardam decisão dos ministros sobre a validade de suas normas. As empresas argumentam contra a obrigação de divulgar dados de salários e contestam os critérios que definem a equiparação salarial.

Principais pontos contestados

  • Divulgação obrigatória de dados salariais.
  • Critérios para definir salários iguais entre homens e mulheres.

Pedido da AGU ao STF

O pedido de prioridade foi protocolado em 15 de agosto de 2025, após interrupção do julgamento de uma das ações no plenário virtual, a pedido do ministro Kassio Nunes Marques, que solicitou mais tempo para análise.

Em sua manifestação, a AGU enfatizou que a definição rápida da questão é essencial para:

  1. Garantir segurança jurídica.
  2. Orientar a atuação de órgãos públicos e empresas.
  3. Assegurar o avanço de políticas de igualdade salarial.

Argumentos da AGU

Segundo o órgão, o julgamento tem “relevância social e econômica”, envolvendo a efetividade do direito fundamental à igualdade salarial e a conformidade de políticas públicas com compromissos constitucionais e internacionais assumidos pelo Brasil.

O panorama do julgamento no STF

Durante o julgamento virtual, oito ministros se posicionaram a favor do relatório do ministro Alexandre de Moraes, que negou o pedido da CFOAB (Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil) contra a legislação. Participaram do voto favorável os ministros Flávio Dino, Dias Toffoli, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, André Mendonça e Luiz Fux.

Impactos da lei para empresas e trabalhadores

Penalidades por não conformidade

Empresas que não publicarem os relatórios podem ser multadas em 3% sobre a folha de salários, limitada a cem salários mínimos (R$ 151,8 mil em 2025). Caso seja constatada desigualdade salarial, a multa pode atingir até dez vezes o valor do novo salário devido ao empregado prejudicado.

Estatísticas sobre desigualdade salarial

O último relatório do MTE revelou que mulheres recebem, em média, 20,9% menos que homens em 53.014 empresas com mais de 100 funcionários. A diferença salarial apresenta alta contínua: em setembro de 2024, era de 20,7%.

O estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostra ainda que:

  • Mulheres em cargos de diretoria ou gerência recebiam 29,5% menos que colegas homens.

Comparação internacional

O Relatório Global de Desigualdade de Gênero 2023, do Fórum Econômico Mundial, revela que a diferença de remuneração entre homens e mulheres é de 68,6% em escala global.

Barreiras históricas à igualdade salarial

Mãos segurando duas pilhas de moedas de mesmo tamanho
Imagem: Andrey Popov / Shutterstock.com

Diversos fatores contribuem para a diferença de remuneração entre gêneros no Brasil, incluindo:

  • Discriminação no ambiente de trabalho.
  • Assédio e limitações de ascensão profissional.
  • Dificuldade de conciliar atividades laborais e responsabilidades domésticas.
  • Falta de acesso a creches e suporte familiar.

De acordo com o Dieese, homens gastam em média 11 horas semanais em tarefas domésticas, enquanto mulheres dedicam quase 17 horas. Essa desigualdade de responsabilidades afeta diretamente a participação feminina no mercado de trabalho e a possibilidade de remuneração equivalente

FAQ – Perguntas frequentes

O que é a Lei 14.611/2023?
É a lei que estabelece igualdade salarial entre homens e mulheres e obriga empresas a apresentar relatórios anuais sobre remuneração ao MTE.

Quais empresas devem cumprir a lei?
Empresas com 100 ou mais funcionários.

Quais são as penalidades por descumprimento?
Multa de 3% sobre a folha de salários (até 100 salários mínimos) e, em caso de desigualdade salarial, multa de até dez vezes o valor do salário devido.

O que acontece com as ADIs 7.612 e 7.636?
Aguardam julgamento do STF sobre pontos contestados da lei, como divulgação de dados e critérios de igualdade salarial.

Existe previsão de impacto econômico?
Sim. A lei orienta políticas públicas e privadas, podendo reduzir desigualdades históricas e aumentar a produtividade feminina no mercado de trabalho.

Considerações finais

O caminho para a paridade salarial é desafiador, mas a lei e a sua efetiva aplicação demonstram que o Brasil reconhece a urgência de enfrentar a desigualdade de gênero, sinalizando compromisso com os direitos fundamentais e com a construção de um mercado de trabalho mais justo e equitativo.

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.