A fintech brasileira Stone, conhecida por suas operações no setor de meios de pagamento, está considerando mais um movimento estratégico em seu portfólio.
Stone segue estratégia e quer vender Reclame Aqui após negócio com Linx
Após vender a Linx, Stone pode colocar à venda sua participação no Reclame Aqui. Entenda os planos da empresa e o que está em jogo no setor.
Depois de vender a Linx para a Totvs por R$ 3 bilhões, a companhia pode agora abrir mão de sua participação no Reclame Aqui, uma das maiores plataformas de relacionamento entre consumidores e empresas do Brasil.
Segundo apuração do jornal Valor Econômico, a Stone está em um processo de reestruturação, com foco em desinvestir de ativos considerados não core — ou seja, que não estão diretamente ligados ao seu negócio principal: pagamentos.
E o Reclame Aqui, comprado parcialmente em 2021, estaria entre os ativos na mira dessa estratégia.
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Por que a Stone está repensando seu portfólio?

A nova estratégia: foco total em pagamentos
A decisão de se desfazer de ativos como a Linx e, possivelmente, o Reclame Aqui, não é isolada.
Ela integra um plano mais amplo da StoneCo de concentrar esforços, tecnologia e capital nas suas operações essenciais, especialmente em soluções de pagamentos digitais e serviços financeiros para pequenas e médias empresas (PMEs).
Enxugamento e eficiência operacional
Desde o segundo semestre de 2023, a Stone tem buscado eficiência operacional, com cortes de custos e reavaliação de sinergias. A venda da Linx para a Totvs foi um primeiro passo relevante nessa direção.
O negócio de software, que antes era visto como complementar, agora parece ter perdido protagonismo diante dos desafios no setor financeiro e da concorrência acirrada entre fintechs.
A participação da Stone no Reclame Aqui
Como foi a entrada da Stone no Reclame Aqui?
A Stone adquiriu 50% do Reclame Aqui em 2021. À época, a estratégia era ampliar a oferta de serviços para seus clientes e diversificar o ecossistema, oferecendo soluções que ajudassem empresas a gerenciar sua reputação e relacionamento com o cliente.
Com o Reclame Aqui, a Stone passou a integrar ferramentas de CRM, relatórios de reputação e painéis de dados sobre a jornada do consumidor. Tudo isso oferecido aos clientes da fintech como valor agregado.
O que a Stone diz oficialmente?
Em resposta ao Valor Econômico, a Stone afirmou que os ativos de software “serão integrados às ofertas principais da StoneCo ou operados de forma independente, enquanto a companhia avalia sua adequação estratégica e potencial de criação de valor a longo prazo.”
Ou seja, embora não tenha confirmado diretamente a intenção de venda, a Stone reconhece que está em um processo de avaliação estratégica desses ativos.
O que diz o Reclame Aqui?
Procurada pela reportagem, a equipe do Reclame Aqui declarou que não está tratando do tema de venda no momento. A empresa reforçou que o foco segue no crescimento da operação, que “vem acontecendo de forma consistente”.
A força do Reclame Aqui no mercado
Um dos maiores hubs de reputação e consumo do país
Criado em 2001, o Reclame Aqui consolidou-se como a principal plataforma de mediação entre consumidores e empresas no Brasil. A proposta da ferramenta é simples, mas poderosa: dar voz ao cliente e permitir que as empresas respondam, conciliem e corrijam falhas no relacionamento.
Atualmente, a plataforma conta com:
- 30 milhões de consumidores cadastrados
- 360 mil empresas registradas
- Mais de 30 milhões de acessos mensais
Produtos e modelo de negócios
Além do canal gratuito de reclamações, o Reclame Aqui oferece uma plataforma corporativa paga, que permite às empresas:
- Integrar canais de atendimento e CRM
- Monitorar sua reputação com dados em tempo real
- Gerar relatórios detalhados sobre comportamento de consumo
- Medir NPS (Net Promoter Score) e satisfação do cliente
Essas soluções corporativas são uma fonte de receita crescente para a empresa, que se mantém como referência nacional em consumo consciente e atendimento ao cliente.
Por que a venda do Reclame Aqui interessa ao mercado?
Potencial de crescimento
Com sua base consolidada de usuários e empresas, o Reclame Aqui é considerado um ativo estratégico. Empresas de tecnologia, comunicação e varejo podem se interessar pela compra da participação da Stone para integrar inteligência de consumo aos seus serviços.
Além disso, com o avanço da IA e automação no atendimento ao cliente, plataformas como o Reclame Aqui ganham ainda mais relevância como hubs de dados comportamentais e insights de mercado.
Sinergias possíveis com outros players
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+311 mil seguidores
Empresas como Totvs, Salesforce, Zendesk ou até mesmo plataformas de e-commerce e marketplaces (como Mercado Livre, Magalu ou Amazon) poderiam se beneficiar da aquisição de uma plataforma com a credibilidade e o volume de dados do Reclame Aqui.
Valorização da reputação e ESG
O Reclame Aqui também tem papel fundamental em pautas de transparência, responsabilidade social e boas práticas de consumo.
Em um momento em que ESG (Environmental, Social and Governance) está no centro da estratégia de grandes corporações, a ferramenta pode ser um trunfo valioso para marcas que desejam reforçar sua imagem perante o público.
A venda do Reclame Aqui seria positiva?
Para a Stone
Do ponto de vista financeiro e estratégico, a venda da participação pode permitir à Stone liberar capital para investimentos em sua operação principal. Em um ambiente de juros elevados e pressão sobre resultados, focar no core pode ser o caminho mais seguro.
Para o Reclame Aqui
Por outro lado, a saída da Stone poderia abrir espaço para um parceiro mais alinhado com o DNA da plataforma, focado em expandir sua atuação em relacionamento com o cliente, dados e tecnologia.
O que esperar nos próximos meses?

Reestruturações à vista
A tendência é que, nos próximos meses, a Stone continue sua trajetória de reestruturação organizacional e possíveis novos desinvestimentos.
A participação no Reclame Aqui, assim como outras empresas menores do portfólio, poderá ser negociada se surgirem propostas estratégicas e alinhadas aos objetivos da companhia.
Crescimento contínuo da plataforma
Independentemente da permanência ou saída da Stone, o Reclame Aqui deve manter seu ritmo de expansão, aproveitando a digitalização do atendimento ao cliente e a demanda crescente por experiências de consumo mais transparentes.
Conclusão
A possível venda da participação da Stone no Reclame Aqui marca mais um capítulo da reestruturação da fintech. Ao focar nas operações de pagamento, a empresa sinaliza que está afinando sua estratégia e buscando eficiência diante dos desafios do mercado.
Enquanto isso, o Reclame Aqui segue firme como uma plataforma fundamental para o consumidor brasileiro e uma vitrine valiosa para marcas que buscam construir reputações sólidas. Resta saber quem será o próximo dono dessa vitrine — ou se a Stone ainda verá nela um potencial a ser explorado.
