Um levantamento do Sindifisco Nacional revelou que os super-ricos pagam menos Imposto de Renda que a classe média no Brasil desde 2009. O estudo mostra que contribuintes milionários, com ganhos acima de 320 salários mínimos por mês, têm uma alíquota efetiva inferior à de trabalhadores com rendimentos intermediários.
Super-ricos pagam menos Imposto de Renda que classe média desde 2009, aponta estudo inédito
Estudo mostra que super-ricos pagam menos Imposto de Renda que a classe média desde 2009. Veja como a reforma pode mudar o cenário.
Essa disparidade se intensificou nos últimos anos, devido à isenção sobre dividendos, lucros distribuídos a acionistas que não são tributados desde 1996, e ao congelamento da tabela do IR, que penaliza principalmente a classe média.
Continue a leitura para entender como essa diferença surgiu, como impacta os brasileiros e o que prevê a proposta de reforma do governo.
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Como os super-ricos pagam menos Imposto de Renda

De acordo com o Sindifisco, a alíquota efetiva — porcentagem real da renda comprometida com o IR — caiu quase 40% entre 2007 e 2023 para os contribuintes mais ricos.
- Em 2007, milionários pagavam em média 6,9% de alíquota.
- Em 2023, esse índice recuou para apenas 4,34%.
- No mesmo período, a classe média viu sua alíquota subir de 6,3% para 9,85%.
Na prática, alguém que ganha R$ 6 milhões por ano pode pagar proporcionalmente menos do que quem recebe R$ 200 mil anuais.
Essa distorção se deve ao crescimento da renda isenta, principalmente dividendos, que aumentaram 43% entre 2020 e 2023, segundo o Sindifisco.
Classe média sofre com tabela do IR defasada
Enquanto os super-ricos aproveitam brechas, a classe média paga cada vez mais imposto. Isso ocorre porque a tabela do IR não é corrigida pela inflação desde 2015.
Com salários reajustados anualmente, trabalhadores sobem de faixa de contribuição sem necessariamente terem ganho real de poder de compra.
Hoje, quem recebe acima de R$ 4.664,68 já paga a alíquota máxima de 27,5%, mesmo que esse valor represente apenas renda média para padrões urbanos.
“O congelamento da tabela faz com que todas as rendas tributáveis paguem a cada ano um pouco mais de imposto”, explica Dão Real, presidente do Sindifisco.
Reforma do Imposto de Renda: o que muda para ricos e classe média
O governo Lula enviou ao Congresso uma proposta de reforma para corrigir distorções. Entre os principais pontos estão:
- Isenção para rendas de até R$ 5 mil mensais.
- Redução da alíquota para rendas de até R$ 7.350.
- Imposto mínimo de até 10% para super-ricos com rendimentos anuais a partir de R$ 600 mil.
A medida busca aliviar a carga sobre trabalhadores de baixa e média renda, ao mesmo tempo em que aumenta a cobrança sobre os mais ricos.
Se aprovada, contribuintes milionários, que atualmente pagam em média 4,34%, terão que contribuir com pelo menos 10%.
Super-ricos e dividendos: a raiz da desigualdade
Grande parte da explicação para a queda da tributação dos milionários está nos dividendos não tributados.
- Lucros distribuídos a acionistas estão livres de IR desde 1996.
- Essa fonte de renda cresceu mais rápido que os salários e rendas do trabalho.
- Apenas em 2023, dividendos representaram quase metade da renda declarada pelos mais ricos.
Com isso, a alíquota efetiva caiu, mesmo com valores absolutos bilionários recolhidos.
Impacto da proposta: quem ganha e quem perde
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Se aprovada, a reforma redistribuirá a carga tributária:
- Beneficiados: trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais, que deixarão de pagar IR.
- Intermediários: rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350 terão alívio parcial.
- Super-ricos: rendas acima de R$ 1,2 milhão por ano passarão a ter contribuição mínima de 10%.
Segundo o Sindifisco, a proposta “resolve parcialmente” as distorções, mas ainda mantém a classe média em patamar semelhante ao dos milionários.
O que dizem os especialistas

Dão Real, presidente do Sindifisco, afirma que a medida corrige apenas parte da desigualdade:
“O ideal era que as alíquotas fossem progressivas: quanto maior a renda, maior o imposto. Ainda assim, a proposta reduz a carga para os mais pobres e aumenta para os super-ricos.”
O sindicato defende alíquotas mínimas ainda mais altas, de até 15% para os mais ricos, mas reconhece a dificuldade política de aprovar esse aumento no Congresso.
Recapitulando
O estudo do Sindifisco mostra que os super-ricos pagam menos Imposto de Renda que a classe média há mais de uma década. A proposta do governo Lula busca reequilibrar o sistema, ampliando a isenção para trabalhadores de baixa renda e cobrando mais dos milionários.
Se implementada, a mudança poderá marcar o início de uma maior justiça tributária no Brasil, ainda que parcial.
Com informações de: BBC News Brasil
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