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Governo mira super-ricos para gerar R$ 20 bilhões em receita este ano

Receita Federal projeta arrecadação de R$ 20 bilhões com tributação de fundos exclusivos e investimentos no exterior. Saiba mais!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
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O governo federal reforça sua estratégia de ampliar a arrecadação tributando contribuintes de alta renda. A Receita Federal estima que as medidas direcionadas a fundos exclusivos e investimentos no exterior devem gerar cerca de R$ 20 bilhões em 2025, valor semelhante ao obtido em 2024.

Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a política corrige distorções históricas e fortalece a progressividade do sistema tributário. A tributação de fundos exclusivos e offshores havia sido adiada por mais de uma década e agora se consolida como uma das principais fontes de recursos para bancar a proposta de ampliação da faixa de isenção do IR.

Tributação de fundos exclusivos e offshores

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Imagem: SERGIO V S RANGEL / shutterstock.com

Uma mudança aguardada há mais de 10 anos

A cobrança sobre fundos exclusivos e investimentos no exterior sempre encontrou forte resistência política e jurídica. Esses instrumentos eram utilizados por contribuintes de altíssima renda para reduzir a carga tributária.

Leia mais: Como o novo sistema de recolhimento de impostos da Receita Federal vai funcionar?

A regulamentação aprovada em 2023, com apoio do Congresso, encerrou brechas que permitiam postergar indefinidamente a tributação. Para Barreirinhas, o impacto no mercado foi controlado: não houve fuga de capitais, mas houve tentativas de migração para produtos financeiros alternativos.

IOF sobre previdência privada

Com o fechamento de lacunas na legislação, parte dos recursos antes alocados em fundos exclusivos migrou para planos de previdência como o VGBL. Para evitar desequilíbrios, o governo passou a cobrar IOF sobre esses aportes, garantindo que o tratamento fosse mais equilibrado em relação aos trabalhadores que têm desconto direto em folha.

Alterações em subvenções estaduais

Redução de renúncias fiscais

Além dos ajustes sobre os super-ricos, o governo alterou as regras sobre subvenções de custeio concedidas por Estados. Essas práticas reduziam a base de cálculo de tributos federais e geravam forte impacto fiscal.

Com a restrição dos benefícios apenas a investimentos produtivos, estima-se que a União tenha recuperado até R$ 30 bilhões anuais em receitas. Essa medida complementa a agenda de justiça tributária defendida pela Receita.

Expansão da faixa de isenção do IR

Histórico da tabela

A tabela do Imposto de Renda ficou congelada entre 2015 e 2022, com isenção limitada a rendimentos de até R$ 1.903. Em 2023, o valor foi corrigido para R$ 3.038, equivalente a dois salários mínimos.

O novo projeto, em tramitação no Congresso, pretende elevar a faixa de isenção para R$ 5.000 mensais. Essa mudança deverá retirar 10 milhões de pessoas da obrigação de pagar imposto e reduzir a carga de outros 5 milhões com salários entre R$ 5.000 e R$ 7.000.

Impacto no consumo

O governo argumenta que a medida funcionará como uma espécie de 14º salário para trabalhadores de baixa e média renda. Ao aliviar a carga tributária sobre a base da pirâmide, espera-se estimular o consumo em setores essenciais, como alimentação e serviços básicos, o que fortalece a economia doméstica.

Tributação sobre alta renda

Limite de 10% sobre rendimentos

A proposta adicional sobre rendimentos de alta renda estabelece alíquotas de até 10%. Segundo a Receita, esse percentual é modesto quando comparado a países como os Estados Unidos, onde a carga combinada de tributos federais e estaduais pode chegar a 60%.

Concentração de dividendos

Estudos da Receita Federal indicam que menos de 1% dos contribuintes concentram 40% de todos os dividendos recebidos no país. Essa elite econômica é o público-alvo da nova cobrança.

A estratégia busca equilibrar o sistema sem afetar pequenos investidores que compram ações de empresas como Petrobras ou bancos. O foco permanece em indivíduos com rendimentos anuais acima de R$ 1 milhão.

Dividendos sob novo olhar

Proteção ao pequeno investidor

O governo descartou a possibilidade de tributar dividendos de forma linear. O receio é que essa medida atingisse trabalhadores que investem pequenas quantias na bolsa de valores.

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O modelo aprovado prevê que apenas aqueles que já não tenham pago a alíquota complementar de até 10% precisem ajustar a tributação. Dessa forma, apenas a parcela dos dividendos concentrada entre os super-ricos será alcançada.

Justiça tributária em debate

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Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O tema foi destaque no seminário “Justiça Tributária: os caminhos para o financiamento do desenvolvimento social na América Latina e Caribe”, realizado em Brasília. A iniciativa, organizada pelo Sindifisco Nacional e pela Oxfam, reuniu especialistas e autoridades para discutir alternativas de financiamento mais progressivas para políticas públicas.

Perspectivas para 2025

A expectativa é que a tributação sobre fundos exclusivos e offshores garanta novamente cerca de R$ 20 bilhões em arrecadação neste ano. Esse montante, somado às mudanças em subvenções e à cobrança de IOF em previdência privada, fortalece a estratégia fiscal do governo.

Se o Congresso aprovar a ampliação da faixa de isenção do IR para R$ 5.000, o impacto será sentido diretamente na renda disponível das famílias. A política busca transferir parte da carga tributária para a elite econômica, preservando os trabalhadores e ampliando o consumo interno.

FAQ – Perguntas frequentes

Por que o governo decidiu tributar esses fundos?
Eles permitiam adiar indefinidamente a cobrança de imposto, criando distorções em relação ao restante da população.

Quanto será arrecadado em 2025?
A Receita Federal projeta cerca de R$ 20 bilhões, valor semelhante ao obtido em 2024.

Quem será beneficiado com a ampliação da isenção do IR?
Cerca de 10 milhões de pessoas deixarão de pagar imposto e outros 5 milhões terão redução de carga tributária.

A tributação sobre alta renda é comparável a outros países?

Sim. No Brasil a alíquota máxima é de 10%, enquanto nos Estados Unidos pode chegar a 60%.

Considerações finais

O desafio do governo é equilibrar a manutenção da confiança do mercado financeiro com a necessidade de reduzir desigualdades. A concentração de dividendos em um grupo restrito de contribuintes justifica, na visão da Receita, a progressividade adotada. Ainda assim, o debate no Congresso e no setor empresarial seguirá intenso, refletindo a disputa por recursos em um cenário de demandas sociais crescentes.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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