O vale-refeição, benefício oferecido por empresas para auxiliar trabalhadores na alimentação, continua apresentando cobertura limitada em 2026. Segundo levantamento da Pluxee, empresa global especializada em benefícios corporativos, o benefício cobriu, em média, apenas 10 dias úteis por mês, repetindo o mesmo patamar do ano anterior.
A análise mostra diferenças regionais expressivas, refletindo o valor médio creditado, o custo de vida local e até hábitos alimentares dos trabalhadores. Apesar do alto custo de vida, São Paulo está entre os estados em que o vale-refeição mais rendeu.
Cobertura média por estado e região
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A Pluxee detalhou a cobertura do benefício por estado, identificando onde o vale-refeição rendeu mais e menos ao longo de 2026.
Estados com maior duração do benefício
- Paraná e Santa Catarina (Sul): 11 dias úteis
- MG e RJ (Sudeste): 13 dias úteis
- São Paulo (Sudeste): 12 dias úteis
- Ceará (Nordeste): 13 dias úteis
- Distrito Federal (Centro-Oeste): 12 dias úteis
Estados com menor duração do benefício
- Roraima (Norte): 7 dias úteis
- Acre, Rondônia e Pará (Norte): 8 dias úteis
- Alagoas e Maranhão (Nordeste): 8 dias úteis
- Piauí (Nordeste): 9 dias úteis
- MT e MS (Centro-Oeste): 9 dias úteis
Segundo a Pluxee, esses números podem estar relacionados ao valor facial médio do benefício, aos custos locais de alimentação e à forma como os trabalhadores planejam o uso do saldo do vale-refeição.
Diferenças regionais e efetividade do benefício
A análise também indica disparidades significativas entre regiões. O Sudeste, com maior cobertura, mostra que o benefício consegue atender melhor os dias úteis trabalhados. Já o Norte, com menor duração, evidencia desafios estruturais, menores valores médios e até possíveis situações de vulnerabilidade alimentar.
Atualmente, nenhuma unidade da federação supera 80% de cobertura do vale-refeição, demonstrando que o benefício ainda está longe de atender integralmente as necessidades dos trabalhadores.
Tendência histórica do poder de compra
O levantamento da Pluxee também apresenta uma série histórica do número de dias úteis cobertos pelo vale-refeição nos últimos anos:
| Ano | Duração média (dias úteis) |
|---|---|
| 2025 | 10 |
| 2024 | 10 |
| 2023 | 11 |
| 2022 | 13 |
| 2019 | 18 |
O estudo evidencia um enxugamento gradual do poder de compra do benefício ao longo dos anos, reflexo do aumento do custo de vida e da manutenção do valor médio pago.
Valores e gastos médios
Em 2025, o valor facial médio do vale-refeição pago pelas empresas foi de R$ 649,00. O gasto médio por transação alcançou R$ 42,81, alta de 4% em relação a 2024 (R$ 41,16). O desembolso médio mensal do trabalhador foi de R$ 568,52, frente a R$ 562,35 no ano anterior, mostrando esforço consciente para fazer o saldo render.
Entre as estratégias observadas, destacam-se:
- Redução da frequência de refeições fora de casa
- Preferência por estabelecimentos com preços mais acessíveis
- Concentração do uso do benefício em poucos locais
Cerca de 49% dos usuários utilizaram o vale-refeição em apenas três estabelecimentos durante o mês, enquanto 24% concentraram seu uso em até seis locais, reforçando o comportamento de controle de gastos e praticidade.
Impacto do uso digital
O estudo também aponta que as compras online com vale-refeição registraram tíquete médio de R$ 62,40, superior ao gasto médio presencial (R$ 41,24). Apesar disso, o tempo médio de duração do benefício permanece o mesmo, indicando que o canal de compra ainda não altera significativamente a efetividade do vale.
Comparativo de gastos por região
O levantamento sugere que os valores pagos pelas empresas e os hábitos de consumo refletem diretamente na cobertura:
- Sudeste: melhor rendimento do vale-refeição, cobrindo até 13 dias úteis
- Sul: desempenho intermediário, com cobertura de 11 dias
- Nordeste: cobertura mais limitada em estados como Piauí (9 dias) e Maranhão (8 dias)
- Norte: menor cobertura e desafios estruturais, com destaque para Roraima (7 dias)
Essa diferença sugere que políticas de remuneração e o custo local da alimentação ainda impactam a efetividade do benefício em cada região.
Possíveis soluções e perspectivas futuras
Segundo a Pluxee, com novas regras, o número de estabelecimentos que aceitam vale-refeição pode dobrar, o que deve contribuir para melhor aproveitamento do saldo pelos trabalhadores. Além disso, ajustes no valor médio diário do benefício podem reduzir a disparidade regional e ampliar o número de dias cobertos.
No entanto, especialistas alertam que mudanças estruturais, como aumento do valor mínimo do benefício e expansão da aceitação digital, são essenciais para que o vale-refeição volte a oferecer cobertura próxima a 100% dos dias úteis trabalhados.
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Perguntas frequentes (FAQ)
O que é considerado cobertura do vale-refeição?
A cobertura corresponde ao número de dias úteis em que o benefício foi suficiente para financiar pelo menos uma refeição por dia.
Por que a cobertura varia entre estados?
As diferenças refletem o valor facial médio do benefício, o custo local de alimentação e os hábitos de consumo dos trabalhadores.
O vale-refeição está rendendo menos ao longo dos anos?
Sim. A série histórica indica queda da cobertura média, de 18 dias em 2019 para apenas 10 dias em 2025.
Compras online afetam a duração do benefício?
Atualmente, não. Apesar do tíquete médio online ser maior, o tempo de duração do vale permanece semelhante ao das transações presenciais.
Há expectativa de aumento no número de dias cobertos?
Sim. Novas regras e expansão de estabelecimentos credenciados podem melhorar a efetividade do benefício nos próximos anos.
Considerações finais
O estudo da Pluxee evidencia que, em 2026, o vale-refeição continua limitado, cobrindo em média apenas 10 dias úteis por mês. As disparidades regionais mostram que trabalhadores do Norte e Nordeste enfrentam maior dificuldade para utilizar o benefício, enquanto o Sudeste apresenta melhor rendimento.
O cenário também revela que os hábitos de consumo, a concentração de uso em poucos estabelecimentos e a diferença entre compras online e presenciais influenciam a efetividade do vale. Para ampliar a cobertura e reduzir desigualdades, ajustes no valor do benefício e a expansão de estabelecimentos credenciados serão fundamentais.
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