A XP informou em julho de 2025 a nomeação de André Quaresma como novo head de Investment Banking (IB) da companhia, consolidando sua transição do comando de M&A, cargo que ocupava desde a aquisição da Riza Capital.
A executiva nomeação marca uma nova fase para a instituição, que agora mira expandir atuação em fusões e aquisições (M&A), mercado de capitais (ECM) e estreia em block trades, operações até então não oferecidas pela empresa.
A guinada estratégica busca ganhar relevância nas franjas mais sofisticadas do mercado financeiro, contando com a forte experiência de Quaresma e com uma base consolidada em produtos de dívida.
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A nomeação de Quaresma e a nova fase do IB da XP

Um novo comando com histórico de conquistas
André Quaresma assume o cargo após quatro anos liderando a área de M&A da XP, tendo sido peça-chave na construção de uma franquia que não existia antes de 2020. Sob sua liderança, a XP passou a figurar entre as cinco maiores do Brasil em fusões e aquisições.
A posição de head de IB estava, até então, sendo acumulada por José Berenguer, CEO do Banco XP, desde o final de 2023. A escolha de Quaresma é interpretada como um reconhecimento interno à eficácia e aos resultados obtidos por ele na expansão da área.
“É um reconhecimento do trabalho que o Quaresma fez na criação e expansão da franquia de M&As da XP”, afirmou Berenguer em entrevista ao Brazil Journal.
A trajetória de André Quaresma
Quaresma tem quase 20 anos de experiência em investment banking. Começou sua carreira no BTG Pactual, onde permaneceu por uma década, e posteriormente fundou a Riza Capital, ao lado de Marco Gonçalves.
A Riza foi adquirida pela XP em 2020. Quando Gonçalves deixou a XP em 2021, Quaresma assumiu a liderança da área de M&A.
Dentre os negócios mais emblemáticos liderados por ele, destacam-se:
- A fusão entre o Grupo Soma e a Arezzo;
- A aquisição da Ecoenergia pela Equatorial, avaliada em quase R$ 10 bilhões;
- A venda da participação da Copel na Compagas para a Compass, do Grupo Cosan.
As prioridades do novo head de IB da XP
Consolidação em M&A e liderança em DCM
Apesar do avanço em M&A, Quaresma reconhece que há espaço para crescer. Atualmente, a XP ocupa a quinta posição no ranking de fusões e aquisições. Em dívida (DCM), a instituição já é altamente relevante, com forte presença em diversas estruturas e emissores.
“Em DCM, já somos muito relevantes no mercado. Em M&A estamos consolidando nossa franquia e temos espaço para evoluir,” afirmou o executivo.
A busca por protagonismo em ECM
No mercado de capitais (ECM), a XP está atrás de concorrentes como BTG Pactual e Itaú BBA. O desafio de Quaresma será posicionar a corretora de maneira mais competitiva nesse espaço, que nos últimos anos ficou restrito devido à instabilidade econômica e política.
“Precisamos diversificar mais em produtos,” pontuou Quaresma, indicando que há planos concretos para reverter esse cenário.
A entrada da XP no mercado de block trades
O que são block trades?
Os block trades são operações de grande volume de ações realizadas fora do mercado aberto, normalmente negociadas diretamente entre partes ou com a intermediação de bancos de investimento.
Essas operações exigem garantias firmes e, muitas vezes, o uso do balanço das instituições financeiras envolvidas.
Uma aposta estratégica
Ao anunciar que a XP passará a atuar nesse segmento, Quaresma sinaliza uma mudança relevante no perfil de risco da instituição, que até então evitava utilizar seu próprio balanço para esse tipo de operação.
“Vamos começar a participar desse tipo de operação, que envolve usar parte do nosso balanço,” declarou.
A decisão pode dar à XP acesso a novos mandatos e reforçar sua presença entre os principais players do mercado de capitais. Para isso, será necessário robustecer a área de estruturação e fortalecer a governança interna.
Panorama atual dos mercados: M&A, DCM e ECM
O que esperar de DCM em 2025
De acordo com Quaresma, o início do ano foi desafiador para o mercado de dívida devido à taxação de alguns produtos. No entanto, o segundo trimestre trouxe uma retomada significativa.
“Temos visto emissões de muitas companhias buscando se aproveitar de produtos isentos antes de ter alguma outra taxação.”
Com a busca por alternativas de financiamento fora do sistema bancário tradicional, a expectativa é que o DCM siga aquecido no segundo semestre.
M&A continua aquecido apesar do cenário
Quaresma destaca que o mercado de M&A é acíclico — ou seja, mesmo em períodos de baixa liquidez, as transações continuam ocorrendo, com empresas buscando sinergias e ganhos operacionais.
“Num mercado pior, as companhias buscam se combinar para sobreviver e crescer.”
Com a consolidação de setores e a reestruturação de conglomerados, o segmento deve continuar movimentado nos próximos trimestres.
ECM depende do cenário político de 2026
As ofertas de ações ainda enfrentam restrições e incertezas, especialmente diante do cenário eleitoral que se aproxima. Quaresma aposta em uma melhora no apetite do investidor à medida que o cenário político ganhe definição.
“A expectativa é que as coisas comecem a melhorar quando houver uma consolidação maior de algum cenário para as eleições de 2026.”
Os próximos passos da XP no mercado financeiro

Reforço na estrutura de IB
Com Quaresma à frente do IB, a XP deverá investir na contratação de novos talentos, na ampliação das equipes regionais e na digitalização dos processos de análise e estruturação de transações.
Internacionalização futura?
Embora ainda não confirmado, executivos da empresa indicam que há interesse em expandir a atuação internacional, especialmente para o mercado latino-americano, onde a XP já tem algumas iniciativas em andamento.
Parcerias estratégicas e tecnologia
Outro pilar importante será o uso de tecnologia para aumentar a eficiência operacional e a personalização dos serviços. A empresa deve buscar parcerias estratégicas com fintechs, legaltechs e plataformas de dados.
Conclusão: uma nova era para o investment banking da XP
A nomeação de André Quaresma marca o início de uma nova fase para a XP Investimentos no setor de investment banking.
Com um plano claro de diversificação de produtos, aposta em block trades e ambição de escalar posições nos rankings de M&A e ECM, a corretora entra em 2025 com apetite para competir diretamente com os grandes bancos tradicionais.
O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade da instituição de inovar, manter uma estrutura ágil e fortalecer a confiança de empresas e investidores em seu modelo de atuação.
