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Apps identificam corridas rentáveis em Uber, 99 e InDrive, mas aumentam recusas de viagens

Na busca por rentabilidade em meio a crescentes custos operacionais, motoristas de apps como Uber, 99 e InDrive estão recorrendo cada vez mais a ferramentas que indicam quais corridas compensam financeiramente. Um levantamento recente da GigU, antiga StopClub, revela que essa tecnologia tem surtido efeito direto nos ganhos dos motoristas, sobretudo no Rio de Janeiro, […]

Avatar de Juliana Peixoto Juliana Peixoto · · 5 min de leitura
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Na busca por rentabilidade em meio a crescentes custos operacionais, motoristas de apps como Uber, 99 e InDrive estão recorrendo cada vez mais a ferramentas que indicam quais corridas compensam financeiramente. Um levantamento recente da GigU, antiga StopClub, revela que essa tecnologia tem surtido efeito direto nos ganhos dos motoristas, sobretudo no Rio de Janeiro, mas também tem provocado um aumento significativo nas recusas de viagens — um novo desafio para as plataformas e usuários.

Segundo os dados da startup, os motoristas de app que atuam na capital fluminense têm um lucro médio mensal de R$ 3.542,14, o que coloca a cidade em segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas de Pelotas (RS), onde o rendimento chega a R$ 4.156,84. A coleta das informações considerou os usuários ativos da função “cálculo de custo”, entre novembro de 2023 e maio de 2025.

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Como os aplicativos funcionam

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Imagem: structuresxx/shutterstock.com

Cálculo preciso de lucros e perdas

A GigU permite que os motoristas insiram informações detalhadas sobre seus custos — como consumo de combustível, manutenção, depreciação, locação de veículos e tempo de trabalho — para obter um diagnóstico financeiro preciso. A partir dessas informações, o sistema passa a filtrar e sugerir, em tempo real, as corridas com maior potencial de lucro.

“O motorista define o mínimo que quer ganhar por quilômetro ou minuto, e o aplicativo analisa em tempo real se aquela corrida atende aos critérios”, explica Paolo Kostenbader, líder de Inteligência de Dados da GigU.

Para facilitar a tomada de decisão, o sistema utiliza um “semáforo inteligente”: corridas com boa rentabilidade aparecem com o sinal verde; as que cobrem apenas os custos, em amarelo; e as potencialmente deficitárias, em vermelho.

O impacto nos custos operacionais

O estudo revela que os motoristas no Rio de Janeiro gastam, em média, R$ 2.228,57 por mês só com combustível. Além disso, 24% dos motoristas trabalham com carros alugados, o que eleva ainda mais os gastos. Ao considerar todos os custos operacionais — combustível, aluguel, manutenção, impostos e seguro — o total anual chega a impressionantes R$ 50.065,71 por condutor.

Mais lucro, mais recusa

Efeitos colaterais no sistema

Apesar de ser uma ferramenta valiosa para aumentar os ganhos dos motoristas, o uso desses aplicativos está gerando um crescimento nas recusas de corridas, sobretudo aquelas consideradas não lucrativas. Esse comportamento tem causado atrasos no atendimento aos passageiros e sobrecarregado a logística das próprias plataformas.

Motoristas, ao visualizarem corridas marcadas em vermelho pelo semáforo da GigU, tendem a recusá-las imediatamente. Com isso, viagens curtas, para áreas mais afastadas ou com trânsito intenso são preteridas com mais frequência.

“É uma ferramenta que ajuda muito, mas que também nos faz ser mais criteriosos. Antes, aceitava qualquer corrida. Hoje, só pego as que me dão retorno real”, afirma João Luiz, motorista parceiro da Uber no Rio há cinco anos.

A resposta das plataformas

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Imagem: Max4e Photo/ Shutterstock.com

Empresas monitoram comportamento dos motoristas

As empresas de transporte por aplicativo vêm monitorando de perto o comportamento dos condutores. Embora não se posicionem diretamente contra o uso de apps como a GigU, há preocupação com o aumento da taxa de cancelamentos e a queda na qualidade do serviço ao usuário final.

No caso da Uber, por exemplo, motoristas que mantêm altos índices de rejeição podem ser penalizados com a redução no número de chamadas recebidas, ou até mesmo suspensão temporária. A 99 e a InDrive adotam políticas semelhantes, com base nos indicadores de desempenho.

Procuradas, as empresas informaram que seguem avaliando as novas dinâmicas do setor para garantir o equilíbrio entre rentabilidade dos motoristas e qualidade no atendimento aos passageiros.

A perspectiva dos passageiros

A espera por corridas aumentou

Para os usuários das plataformas, a consequência mais visível da nova estratégia é o aumento na espera por um carro disponível, principalmente em horários de pico e em áreas periféricas.

“Nos últimos meses, percebo que demora mais para um motorista aceitar a corrida. E, às vezes, a viagem é cancelada mesmo depois de ter sido aceita”, relata Larissa Mendes, moradora da Zona Oeste do Rio.

A percepção de que os motoristas estão sendo mais seletivos já se tornou comum entre os passageiros, que, muitas vezes, acabam pagando mais caro por conta do dinâmico sistema de tarifas.

Benefícios e desafios para os motoristas

Gestão financeira mais eficiente

Apesar do impacto nos passageiros, especialistas apontam que o uso de ferramentas como a GigU representa um avanço importante para a sustentabilidade financeira dos motoristas, que muitas vezes operavam sem controle efetivo de custos.

“A margem de lucro nos aplicativos é pequena. Saber exatamente quanto se gasta e em quais corridas vale a pena investir faz toda a diferença para manter o motorista na ativa”, destaca o economista Carlos Antunes, especializado em mobilidade urbana.

Além disso, o histórico detalhado que o app fornece permite uma avaliação constante de desempenho, algo raro entre trabalhadores da chamada gig economy.

Um futuro regulado?

Caminho para o equilíbrio

Diante da crescente adesão a essas ferramentas e de seus efeitos colaterais, alguns especialistas defendem que as plataformas de mobilidade poderiam integrar funcionalidades semelhantes aos seus próprios aplicativos, de forma transparente e equilibrada.

“Se o sistema reconhecer os custos reais dos motoristas e for mais transparente na precificação, talvez não haja necessidade de tantas recusas. Mas isso exige diálogo e, possivelmente, regulação”, afirma Márcia Azevedo, consultora em políticas públicas de transporte.

Por enquanto, a prática continua crescendo entre os motoristas, enquanto plataformas e usuários tentam se adaptar à nova realidade do transporte por aplicativo.

Imagem: Freepik / Reprodução

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