Os bancos de grande porte retomam o trabalho presencial, mas se chocam com a realidade: faltam mesas e espaço para acomodar equipes em escritórios. Londres, epicentro da reviravolta, exemplifica o choque entre planos corporativos e estruturas físicas insuficientes.
Bancos chamam todos de volta, mas escritórios estão sem estrutura
Bancos exigem retorno ao escritório, mas enfrentam falta de mesas e espaço no pós-pandemia. Veja aqui o impacto desta volta!!
Cinco anos após o auge do trabalho remoto, grandes instituições bancárias estão decretando o fim do home office e exigindo a volta ao escritório. No entanto, muitos se deparam com um problema que não previram: não há infraestrutura física para aguentar a demanda atual, com filas por estações de trabalho e prédios inacabados.

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Mudanças nos bancos: Pressão e choque estrutural
Retorno intensificado em Londres
A capital britânica é o epicentro desse movimento. Desde 2021, bancos como JPMorgan e BBVA têm ampliado suas operações locais e contratado espaços adicionais. Para o HSBC, o déficit chega a 7.700 mesas — reflexo tanto da pressão do comando quanto do crescimento das equipes de investimento e corporativas.
Escolhas estratégicas dos bancos
O JPMorgan firmou contrato para ampliar suas operações em Londres, enquanto o BBVA lida com a alta demanda por escritórios no Reino Unido. Já o HSBC transferiu seu foco de Canary Wharf para a Londres, mas precisou imediatamente alugar um segundo prédio para evitar o caos entre equipes.
Causas do aperto imobiliário
Mandatos presenciais e layouts atrativos
Após o pico da pandemia, o discurso centralizado no home office virou rhetoric vazia. Hoje, muitos bancos exigem presença física e oferecem ambientes mais atraentes — cafés internos, salas de descanso, espaços colaborativos — tentando atrair os funcionários de volta. O aumento de demanda surpreendeu inclusive os desenvolvedores, que operaram com cautela nos anos anteriores.
Estoque escasso de espaços corporativos
Enquanto bancos reclamam de falta de estrutura, construtores e incorporadoras não previram essa retomada homogênea. A oferta de imóveis empresariais permanece limitada, o que restringe negociações e eleva o preço por metro quadrado. “O fim do escritório foi exagerado”, reconhece Kevin Darvishi, da Stanhope.
Dados que assustam
Uso de escritórios em queda e reversão
Em 2011, bancos ocupavam 21,9 milhões de pés quadrados só na cidade e Docklands. Esse valor caiu para 16,1 milhões até o fim da década. O Brexit e a pandemia ampliaram essa retração, mas o retorno maciço ao presencial trouxe uma reviravolta: bancos foram os líderes em expansão em 2024, segundo Cushman & Wakefield.
Novos contratos em alta
Dados da Savills confirmam a tendência. Dois dos oito maiores locatários corporativos em 2025 são bancos. James Nicholson, da CBRE, destaca que o setor, essencialmente reduzido pós-crise de 2008, revê seus recursos e reinstalações: “o retorno é claro”.
Riscos e impactos
Inconveniência para funcionários
Sem estações suficientes, faltam desktops e cadeiras, obrigando colaboradores a compartilhar mesas “hot desk”. Além de gerar atrito, isso eleva o estresse: desperta conflitos internos e prejudica concentração e produtividade.
Custos inesperados
A reconstrução de espaços exige investimentos substanciais — não só em locações, mas também em mobiliário, infraestrutura de TI e adaptações. Para bancos que projetavam redução de espaço, essa mudança torna-se mais onerosa do que antecipado.
Reações do mercado imobiliário
Reação das incorporadoras
Construir prédios de escritórios exige tempo e alto capital. Com a demanda precoce e crescente, os desenvolvedores veem oportunidade, mas o ritmo de construção ainda não acompanha a urgência dos bancos. “Foi um erro comum confiar na queda do escritório”, admite Darvishi.
Principais áreas em foco
A cidade de Londres e Docklands concentram a disputa por espaço. Especulações aspiram a revitalizar projetos começados antes da pandemia, mas a entrega desses imóveis deve demorar, mantendo a pressão sobre os aluguéis.
Exemplos reais do novo caos bancário
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JPMorgan Chase
Recente acordo para migrar para um edifício maior responde tanto a planos de crescimento quanto à necessidade de acomodar equipes migradas do home office. O ajuste de contratos ainda em desenvolvimento.
HSBC
Após anunciar redução de 40% em seu espaço em Canary Wharf, o banco mudou para um espaço global menor na cidade. Em seguida, iniciou negociações para alugar o segundo prédio para fechar o déficit de mesas.
BBVA
A equipe de bancos corporativos e de investimentos do banco espanhol precisou de escritórios extras no Reino Unido. A falta de hotspots adequados gerou pressões internas por mais espaço físico.
Caminhos possíveis
Comodato e espaços temporários
Banrisul e outros bancos estudam módulos temporários, coworkings corporativos e soluções móveis para atender à demanda urgente, enquanto desenvolvem estruturas permanentes.
Redesenho dos escritórios
A migração para layouts híbridos — com áreas reservadas e espaços compartilhados — exige repensar todo o desenho arquitetônico e tecnológico. O coworking interno deve ser prioridade.
Comunicação e cultura
Gestores precisam explicar o novo modelo para funcionários. Se apresentar com vantagem em termos de cultura empresarial e networking, o retorno torna-se mais aceito. A inclusão desses argumentos ajuda a minimizar resistências.

O retorno forçado ao escritório pode se tornar o maior desafio pós-pandemia para bancos. A falta de estrutura física revela um erro de cálculo em estratégia corporativa. A reversão do discurso laboral exige mais do que mandatos: demanda planejamento, investimento e gestão cultural.
Os bancos que conseguirem dobrar presença sem atritos terão vantagens competitivas. Para isso é preciso acelerar adaptações imobiliárias e repensar o ambiente de trabalho — um processo complexo, mas crucial. A nova era do escritório corporativo ainda está sendo desenhada, e os que apostarem melhor sairão fortalecidos.
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