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Mercado de trabalho bate recorde no Brasil com 103 milhões de ocupados

Avatar de Jéssica Cassana Jéssica Cassana · · 9 min de leitura
MERCADO DE TRABALHO BRASIL

O Brasil encerrou 2025 com 103 milhões de pessoas ocupadas, o maior contingente registrado desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2012.

O número representa crescimento de 1,7% em relação a 2024 e de 15,4% na comparação com 2012, quando aproximadamente 89,3 milhões de brasileiros estavam trabalhando.

Ao mesmo tempo, o desemprego atingiu o menor nível anual da série. A população desocupada ficou em aproximadamente 6,2 milhões de pessoas, enquanto a taxa média de desocupação caiu para 5,6%.

Os dados revelam mais do que uma expansão no número de trabalhadores. Ao longo de pouco mais de uma década, o mercado brasileiro também ficou mais feminino, mais escolarizado e com participação maior de profissionais por conta própria.

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Brasil chega a 103 milhões de trabalhadores

Trabalhadores
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A população ocupada passou de 89,3 milhões em 2012 para aproximadamente 103 milhões em 2025.

Na prática, isso significa que cerca de 13,7 milhões de pessoas foram acrescentadas ao contingente de ocupados no período.

O nível de ocupação também avançou.

Esse indicador mostra qual parcela da população em idade de trabalhar efetivamente possui uma ocupação. Em 2025, chegou a 59,1%, contra 58,6% no ano anterior.

O resultado foi o maior da série histórica da PNAD Contínua.

A recuperação fica mais evidente quando o resultado é comparado aos períodos de menor ocupação registrados ao longo da série.

Desemprego também atingiu o menor nível anual

Enquanto a quantidade de pessoas trabalhando cresceu, o contingente de brasileiros procurando emprego diminuiu.

A média anual de desocupados ficou em cerca de 6,2 milhões em 2025, uma redução de aproximadamente 1 milhão de pessoas em relação a 2024.

A taxa anual de desemprego recuou de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025.

Segundo o IBGE, esse foi o menor percentual da série anual iniciada em 2012.

É importante diferenciar esse dado dos resultados trimestrais da pesquisa. Em alguns períodos de 2025, o contingente de desocupados chegou à faixa de 6,1 milhões ou até ficou abaixo disso.

Para o balanço médio de todo o ano, entretanto, a referência oficial é de aproximadamente 6,2 milhões.

Força de trabalho chegou a 109,1 milhões de pessoas

O conjunto formado por pessoas ocupadas e pessoas que estavam procurando trabalho somou 109,1 milhões de brasileiros em 2025.

Esse contingente é chamado pelo IBGE de força de trabalho.

Em relação a 2024, houve aumento de aproximadamente 630 mil pessoas. A taxa de participação na força de trabalho ficou em 62,7%.

Fora da força de trabalho estavam cerca de 65 milhões de pessoas.

Nesse grupo entram pessoas em idade de trabalhar que não estavam ocupadas e também não procuravam uma vaga no período considerado pela pesquisa.

Mulheres ganharam mais espaço no mercado de trabalho

Uma das mudanças mais relevantes desde 2012 foi o avanço da participação feminina.

Em 2025, o Brasil tinha aproximadamente 44,8 milhões de mulheres ocupadas, equivalentes a 43,5% de todos os trabalhadores.

Na comparação com 2012, o número de mulheres trabalhando cresceu cerca de 20,5%, com incorporação aproximada de 7,6 milhões de trabalhadoras.

Entre os homens, o crescimento foi menor no mesmo período.

O contingente masculino chegou a aproximadamente 58,2 milhões de trabalhadores, representando 56,5% dos ocupados.

Desde 2012, o avanço entre os homens ficou em cerca de 11,7%, com entrada de aproximadamente 6,1 milhões de pessoas no grupo dos ocupados.

Os números mostram que a diferença entre homens e mulheres permanece, mas a presença feminina avançou em ritmo mais acelerado.

Serviços públicos, educação e saúde puxaram crescimento

A transformação do mercado também aparece quando se observa onde os brasileiros estão trabalhando.

Um dos maiores avanços entre 2012 e 2025 ocorreu no grupo formado por administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.

O contingente passou de aproximadamente 14,1 milhões para quase 19 milhões de trabalhadores.

Isso representa um acréscimo próximo de 4,9 milhões de pessoas.

Como participação da população ocupada, o segmento avançou de 15,7% para 18,4%.

Informação, finanças e atividades profissionais também avançaram

Outro grupo que ganhou espaço reúne informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas.

O número de ocupados nessas atividades passou de aproximadamente 9,6 milhões em 2012 para 13,4 milhões em 2025.

O aumento foi de cerca de 3,8 milhões de trabalhadores.

A participação do grupo no mercado de trabalho subiu de 10,7% para aproximadamente 13%.

O movimento acompanha mudanças estruturais na economia brasileira, com expansão de diferentes atividades ligadas a serviços especializados, tecnologia, finanças e funções administrativas.

Comércio continua empregando quase 19,5 milhões

Mesmo com as transformações, o comércio continua entre os maiores empregadores do país.

O grupo que engloba comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas tinha aproximadamente 19,5 milhões de trabalhadores em 2025.

Em 2012 eram cerca de 17 milhões.

Embora o contingente tenha crescido, a participação relativa ficou praticamente estável e passou de 19,1% para 18,9% da população ocupada.

Isso ocorre porque outros setores cresceram em velocidade maior.

Agropecuária perdeu mais de 2 milhões de trabalhadores

Enquanto algumas atividades expandiram significativamente a ocupação, a agropecuária seguiu movimento contrário.

Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura reuniam aproximadamente 10,1 milhões de ocupados em 2012.

Em 2025, eram cerca de 7,9 milhões.

A redução foi próxima de 2,3 milhões de trabalhadores.

A participação do segmento na população ocupada caiu de 11,4% para 7,6%.

Parte dessa mudança está associada a transformações produtivas e tecnológicas observadas no campo ao longo dos últimos anos, embora diferentes fatores possam influenciar a quantidade de mão de obra necessária em cada atividade.

Construção e trabalho doméstico também perderam participação

A construção tinha cerca de 7,6 milhões de trabalhadores em 2012 e passou para aproximadamente 7,4 milhões em 2025.

Em termos proporcionais, a participação recuou de 8,5% para 7,2%.

Nos serviços domésticos, a redução também foi significativa.

O grupo passou de aproximadamente 6,1 milhões para 5,7 milhões de ocupados, enquanto sua participação no total caiu de 6,8% para 5,5%.

Já transporte, armazenagem e correio avançaram de aproximadamente 4,2 milhões para 5,9 milhões de trabalhadores.

Alojamento e alimentação também cresceram, chegando a cerca de 5,4 milhões de ocupados.

Trabalhador brasileiro ficou mais escolarizado

A escolaridade é outra diferença marcante entre o mercado de trabalho de 2012 e o de 2025.

Em 2012, trabalhadores com ensino médio completo ou superior incompleto representavam aproximadamente 35,7% da população ocupada.

Em 2025, a participação chegou a 43,6%.

Considerando todos que possuíam pelo menos o ensino médio completo, a parcela atingiu cerca de 68,5% dos trabalhadores.

No início da série, menos da metade da população ocupada estava nesse patamar.

Trabalhadores com faculdade passaram de 14,1% para 24,9%

O avanço também ocorreu entre aqueles que concluíram o ensino superior.

Em 2012, aproximadamente 14,1% da população ocupada possuía faculdade completa.

Em 2025, essa parcela havia alcançado 24,9%.

Na outra ponta, caiu expressivamente a presença dos trabalhadores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.

A participação desse grupo diminuiu de 32,6% para aproximadamente 18,3% entre 2012 e 2025.

A mudança acompanha o aumento da escolaridade das novas gerações que chegam ao mercado.

Trabalho por conta própria ganhou espaço

A maneira como os brasileiros trabalham também mudou.

Os empregados continuam formando a maior parte da população ocupada, com aproximadamente 69% do total em 2025.

Em 2012, representavam cerca de 70,7%.

Já os trabalhadores por conta própria avançaram de 22,4% para 25,4% no período.

Isso significa que aproximadamente um em cada quatro ocupados trabalha atualmente por conta própria.

Essa categoria inclui realidades bastante diferentes, desde profissionais especializados e empresários individuais até pessoas que vendem produtos ou prestam serviços de maneira independente.

Mais trabalhadores por conta própria passaram a ter CNPJ

Apesar do crescimento do trabalho independente, os dados mais recentes também mostram avanço na formalização.

A parcela dos trabalhadores por conta própria com CNPJ passou de aproximadamente 15% em 2012 para 27,1% em 2025, maior nível da série histórica.

Entre as mulheres por conta própria, o percentual com CNPJ alcançou 29,3%, enquanto entre os homens chegou a 25,9%.

A escolaridade produz uma diferença relevante.

Em 2025, pela primeira vez, mais da metade dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo tinha CNPJ: 50,8%.

Entre aqueles sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, o percentual era de apenas 11,1%.

Carteira assinada ainda concentra maior grupo de trabalhadores

Carteira de Trabalho 9
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Entre as diferentes formas de ocupação, o trabalhador do setor privado com carteira assinada continua representando o maior grupo.

Em 2025, aproximadamente 37,8% de toda a população ocupada estava nessa situação.

Os trabalhadores do setor privado sem carteira representavam cerca de 13,4%.

Já o setor público, incluindo servidores estatutários e militares, correspondia a aproximadamente 12,3% dos ocupados.

Os empregados domésticos respondiam por 5,5%.

Embora o contingente de trabalhadores formalizados tenha atingido recorde, com cerca de 38,9 milhões de pessoas, sua participação proporcional ainda permanece abaixo de alguns níveis observados anteriormente na série histórica.

Pequenos estabelecimentos concentram quase metade dos ocupados privados

O tamanho das empresas em que os brasileiros trabalham também ajuda a explicar a estrutura do mercado.

Dos aproximadamente 84,6 milhões de trabalhadores do setor privado em 2025, 48,8% exerciam suas atividades em estabelecimentos com até cinco pessoas ocupadas.

Outros 9,6% estavam em negócios com seis a dez trabalhadores.

Empreendimentos com 11 a 50 pessoas concentravam 12,1% desse contingente.

Já empresas com mais de 50 trabalhadores respondiam por aproximadamente 29,5%.

Os números mostram a importância dos pequenos negócios na absorção da mão de obra brasileira.

Recorde de empregos não significa que todos os desafios desapareceram

Os números de 2025 mostram um mercado de trabalho maior do que aquele encontrado no início da série da PNAD Contínua.

São 103 milhões de pessoas ocupadas, o maior contingente registrado desde 2012, enquanto a taxa média anual de desemprego caiu ao menor patamar da série, de 5,6%.

Ao mesmo tempo, a composição dessa população mudou.

Há proporcionalmente mais mulheres trabalhando, escolaridade mais alta e maior presença do trabalho por conta própria. Serviços ligados à administração pública, educação, saúde, informação e atividades profissionais ganharam espaço, enquanto agropecuária, construção e serviços domésticos perderam participação.

Os dados também mostram que a expansão da ocupação não deve ser analisada apenas pela quantidade de vagas.

Tipo de vínculo, formalização, rendimento, proteção previdenciária e qualidade do trabalho continuam sendo elementos essenciais para entender como a melhora dos indicadores chega à vida dos trabalhadores.

Ainda assim, o retrato de 2025 representa uma mudança expressiva em relação a pouco mais de uma década atrás: o país nunca havia registrado tantas pessoas trabalhando desde que a atual série histórica do IBGE começou.

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