Corinthians, Palmeiras e São Paulo adotaram uma postura de cautela após a publicação da Medida Provisória (MP) que proíbe as apostas esportivas e a publicidade das empresas do setor no Brasil.
Os três clubes possuem contratos com casas de apostas e, por enquanto, evitam tomar decisões definitivas sobre as parcerias. A estratégia é acompanhar a tramitação da medida no Congresso Nacional e avaliar os efeitos jurídicos sobre cada contrato.
Publicada na sexta-feira (25), a MP passou a produzir efeitos imediatamente, mas ainda precisa ser analisada pelos parlamentares. Se não for aprovada dentro do prazo constitucional, perderá a validade.
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O que muda com a nova Medida Provisória?

A medida determina o encerramento das atividades relacionadas às apostas de quota fixa no país e também estabelece restrições à publicidade e ao patrocínio de empresas do setor.
O cronograma divulgado pelo governo prevê que os apostadores tenham prazo para retirar voluntariamente os valores mantidos nas plataformas. A partir de outubro, os sites e aplicativos abrangidos pela medida deverão deixar de operar.
A MP, contudo, ainda não representa uma decisão legislativa definitiva. O texto será discutido pelo Congresso, que poderá aprová-lo, rejeitá-lo ou modificá-lo durante a tramitação.
É justamente essa possibilidade que explica a cautela dos clubes.
Por que Corinthians, Palmeiras e São Paulo ainda não romperam os contratos?
Os três times possuem contratos comerciais diferentes e com cláusulas específicas para situações envolvendo mudanças na legislação.
Uma eventual proibição definitiva das apostas pode produzir consequências distintas para cada parceria. Dependendo do contrato, podem existir mecanismos para suspensão, rescisão ou renegociação dos acordos.
Por isso, os clubes preferem esperar uma definição mais clara antes de anunciar mudanças.
Além da questão jurídica, existe um fator financeiro. As casas de apostas se transformaram em importantes patrocinadoras do futebol brasileiro e ocupam algumas das principais propriedades comerciais dos clubes.
Corinthians aguarda definição sobre contrato com a Esportes da Sorte
O Corinthians tem a Esportes da Sorte como patrocinadora máster e possui um contrato de longo prazo com a empresa.
O acordo renovado em 2026 prevê valores que podem chegar a R$ 200 milhões por ano, dependendo do cumprimento de metas. O tamanho da parceria faz com que qualquer mudança tenha impacto relevante nas receitas comerciais do clube.
O contrato também possui previsão relacionada à suspensão do patrocínio em caso de proibição ou suspensão das atividades das casas de apostas.
Por enquanto, o Corinthians aguarda a posição da patrocinadora e o andamento da MP no Congresso antes de definir os próximos passos.
Palmeiras mantém cautela com a Sportingbet
No Palmeiras, a patrocinadora máster é a Sportingbet.
A empresa ocupa um dos principais espaços comerciais do uniforme alviverde desde 2025. O contrato também representa uma fonte relevante de receita para o clube.
Com a publicação da MP, o Palmeiras adotou uma postura de espera. A diretoria acompanha a tramitação do texto e as possíveis consequências para os contratos existentes.
Uma eventual manutenção da proibição poderá exigir mudanças na parceria, mas qualquer decisão dependerá da situação jurídica do setor e das cláusulas do acordo entre clube e empresa.
São Paulo possui cláusula que prevê possibilidade de encerramento
O São Paulo tem contrato com a Superbet, parceria que também envolve diferentes propriedades comerciais do clube.
O acordo foi renovado em 2025 e tem validade até 2030. Entre os espaços associados à parceria está o centro de treinamento da Barra Funda, que recebeu o nome de SuperCT.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, o contrato possui previsão que permite o encerramento da parceria caso as apostas esportivas sejam proibidas no Brasil.
Mesmo assim, São Paulo e Superbet ainda precisam avaliar os efeitos concretos da MP e os próximos passos da legislação.
Quanto os clubes podem perder com o fim das bets?
Ainda não é possível calcular uma perda definitiva porque a MP está em tramitação e os contratos possuem condições diferentes.
O que já está claro é que o futebol brasileiro criou, nos últimos anos, uma forte dependência comercial das empresas de apostas.
Clubes passaram a negociar não apenas o espaço principal da camisa, mas também placas de publicidade, propriedades digitais, nomes de centros de treinamento e outras ações comerciais.
Por isso, se a proibição for mantida, os times precisarão procurar empresas de outros setores para ocupar essas propriedades.
O que acontece com os contratos se a MP for aprovada?
A aprovação da medida não significa necessariamente que todos os contratos serão encerrados da mesma forma.
Cada clube deverá analisar as cláusulas negociadas com sua patrocinadora. Questões como rescisão, suspensão, força maior e alteração regulatória podem determinar como cada acordo será tratado.
Na prática, Corinthians, Palmeiras e São Paulo poderão precisar renegociar ou substituir contratos caso a proibição se torne definitiva.
E se o Congresso rejeitar a MP?
Se a medida não for aprovada dentro do prazo constitucional, ela perderá a validade.
Também existe a possibilidade de o Congresso alterar o texto durante a tramitação. Nesse caso, as regras finais podem ser diferentes das previstas na versão publicada pelo governo.
Essa incerteza é um dos principais motivos para os clubes evitarem decisões definitivas neste momento.
O que acontece agora?

A MP já está em análise no Congresso Nacional. Enquanto os parlamentares discutem o texto, clubes e empresas precisam avaliar os impactos jurídicos e financeiros da medida.
Para Corinthians, Palmeiras e São Paulo, a prioridade é acompanhar esse processo antes de definir o futuro das parcerias.
O mercado de patrocínios do futebol brasileiro pode passar por uma mudança significativa caso a proibição seja mantida. Os clubes que hoje contam com receitas milionárias de empresas de apostas terão de buscar novos anunciantes para ocupar esses espaços.
Até que o Congresso conclua a análise, porém, o cenário permanece aberto.
Conclusão
Corinthians, Palmeiras e São Paulo ainda aguardam os próximos passos da Medida Provisória antes de definir o futuro dos contratos com as casas de apostas. Enquanto o Congresso analisa o texto, os clubes deverão avaliar os impactos jurídicos e financeiros de uma eventual proibição definitiva. A decisão pode provocar mudanças importantes no mercado de patrocínios do futebol brasileiro, especialmente para equipes que dependem de receitas expressivas vindas do setor.
