O Crédito do Trabalhador, lançado pelo governo federal em março de 2025, vem se consolidando como uma alternativa de financiamento para milhões de brasileiros. De acordo com um levantamento da SalaryFits, em parceria com a Serasa Experian, 65% dos contratantes dessa linha de crédito possuem renda mensal de até R$ 2.000.
O dado revela o perfil do público que mais tem recorrido à modalidade, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de discutir acessibilidade, juros e impactos na vida financeira dos trabalhadores.
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Quem mais contrata o Crédito do Trabalhador

O estudo mostra que o programa atende, em sua maioria, cidadãos de menor renda. Segundo a pesquisa, 66% dos contratantes têm baixo score de crédito, o que indica maior risco de inadimplência. Essa característica reforça o papel do Crédito do Trabalhador em oferecer uma chance de acesso ao crédito formal a grupos que geralmente enfrentam dificuldades no mercado financeiro tradicional.
Ainda de acordo com o levantamento, 57% dos entrevistados avaliaram o modelo como positivo, enquanto 27% se mostraram contrários e 16% disseram ainda não conhecer a iniciativa.
Como funciona o Crédito do Trabalhador
O programa possibilita que trabalhadores com carteira assinada utilizem até 10% do saldo do FGTS como garantia nos contratos, além da multa rescisória de 40% em caso de demissão sem justa causa. A quitação das parcelas ocorre diretamente na folha de pagamento, com desconto automático do salário.
Segundo o governo, esse formato reduz os riscos para os bancos e, consequentemente, pode tornar o crédito mais barato e acessível. Além disso, como não há intermediação das empresas contratantes, o processo se torna mais ágil para o trabalhador.
Evolução das taxas de juros
Apesar da promessa de taxas menores, os dados revelam um cenário de alta. O Banco Central apontou que a taxa média passou de 2,90% ao mês em fevereiro para 3,75% ao mês em julho de 2025. Já a Serasa indicou que, em agosto, os juros chegaram a até 6,6% ao mês, dependendo do perfil do contratante.
O governo, por sua vez, rebateu. Em comunicado oficial de setembro, o Ministério do Trabalho afirmou que a taxa média real praticada variava entre 2,62% e 3,48% ao mês. Segundo o ministro Luiz Marinho, o objetivo é reduzir gradualmente os percentuais:
“Aos poucos, o programa vai se consolidando e os juros vão caindo, até porque não vamos tolerar taxas abusivas”, declarou o ministro em 5 de setembro. (Fonte: Poder360)
Ainda segundo a pasta, a migração de contratos antigos de consignado privado para o novo modelo já tem contribuído para a queda dos índices, com uma média de 3,32% em setembro.
Metodologia da pesquisa
O levantamento da SalaryFits utilizou dados de 6.655 contratos de crédito consignado privado registrados em diferentes empresas de todo o país entre julho e agosto de 2025. Além disso, a análise contou com entrevistas realizadas entre maio e junho, totalizando 1.029 trabalhadores, tanto do setor público quanto privado.
Essa combinação de dados quantitativos e qualitativos possibilitou traçar um retrato detalhado sobre quem está recorrendo ao Crédito do Trabalhador e como avaliam a iniciativa.
Percepção dos trabalhadores
Para muitos brasileiros, o Crédito do Trabalhador tem sido visto como uma oportunidade de reorganizar a vida financeira. Isso porque a possibilidade de usar o FGTS como garantia oferece maior segurança às instituições, permitindo a inclusão de pessoas com baixo score, que normalmente enfrentam restrições de crédito.
No entanto, a alta dos juros gera preocupação. Enquanto parte dos trabalhadores considera a medida positiva, há quem veja riscos de endividamento, especialmente entre aqueles que já comprometem boa parte da renda com despesas fixas.
O que diz o governo

Embora não tenha comentado diretamente os dados da pesquisa, o Ministério do Trabalho ressaltou que os índices divulgados oficialmente são os que devem ser considerados. A pasta reforça que a política busca ampliar o acesso ao crédito sem abrir espaço para práticas abusivas por parte das instituições financeiras.
O governo aposta que, com o tempo, a concorrência e o volume de contratos contribuirão para reduzir gradualmente as taxas médias, consolidando o Crédito do Trabalhador como uma alternativa viável no mercado financeiro.
