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Dólar hoje registra alta com inflação dos EUA e impasse bilateral

Dólar sobe com tensão Brasil-EUA e inflação alta nos EUA; real recua e governo Lula anuncia contingência de R$ 30 bi.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
dolar renda EUA

O dólar à vista iniciou esta quinta-feira (14) com valorização frente ao real, em meio à combinação de fatores domésticos e internacionais que alimentam a cautela dos investidores. As incertezas envolvendo o impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos, somadas aos novos dados de inflação ao produtor divulgados pelo governo norte-americano, contribuíram para o movimento de alta da moeda norte-americana.

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Imagem: jcomp – freepik

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Dólar à vista e futuro

Às 10h51, o dólar à vista era negociado com alta de 0,39%, a R$5,422, refletindo um movimento de valorização da moeda dos EUA diante de moedas emergentes. Na B3, o contrato futuro de dólar com vencimento mais próximo (DOLc1) subia 0,11%, cotado a R$5,421.

Esses movimentos indicam que o mercado incorporou novas leituras sobre a condução da política monetária norte-americana e os desdobramentos do conflito comercial entre os dois países.

Leilão de swap cambial do Banco Central

O Banco Central do Brasil anunciou a realização de um leilão de até 35 mil contratos de swap cambial tradicional nesta sessão, com o objetivo de rolar posições com vencimento em 1º de setembro de 2025. A medida visa fornecer liquidez ao mercado e conter pressões cambiais excessivas.

Cotações do dólar comercial e turismo

Dólar comercial

  • Compra: R$5,421
  • Venda: R$5,422

Dólar turismo

  • Compra: R$5,436
  • Venda: R$5,616

As cotações do dólar turismo seguem tendência semelhante à do mercado comercial, mas com o acréscimo de custos operacionais e impostos embutidos nas operações de câmbio para pessoas físicas.

Inflação ao produtor nos EUA surpreende e muda apostas sobre juros

Dados acima do esperado

O Departamento do Trabalho dos EUA divulgou nesta manhã que o índice de preços ao produtor (PPI) do país subiu 0,9% em julho, muito acima da alta de 0,2% projetada por analistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, a inflação ao produtor acelerou de 2,4% para 3,3%, sinalizando pressões inflacionárias persistentes.

Esse resultado surpreendente reverteu apostas anteriores de que o Federal Reserve (Fed) poderia cortar juros já na próxima reunião.

Impacto nas expectativas do mercado

Antes da divulgação dos dados, o mercado já precificava integralmente um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros dos EUA em setembro. No entanto, após os dados, operadores reduziram a intensidade dessas apostas.

Agora, segundo dados da LSEG, há 98% de chance de corte de 0,25 p.p., mas as chances de uma redução maior (0,5 p.p.) praticamente desapareceram, indicando que o Fed deve adotar uma postura mais cautelosa.

Desemprego em queda reforça resiliência econômica dos EUA

Tarifa eua brasil
Imagem: Freepik

Em paralelo aos dados de inflação, o Departamento do Trabalho também divulgou que o número de novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caiu em 3.000 na última semana, somando 224 mil solicitações ajustadas sazonalmente. O dado reforça a resiliência do mercado de trabalho americano, o que, por sua vez, também pesa contra cortes mais agressivos de juros.

Esse cenário de atividade econômica aquecida e inflação elevada fortalece o dólar globalmente.

Força do dólar no exterior pressiona moedas emergentes

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,32%, para 98,035. A valorização também era observada frente a moedas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano, refletindo o apetite por segurança por parte dos investidores.

Efeitos no Brasil: real enfraquece apesar de Selic elevada

Mesmo com a taxa Selic ainda em níveis elevados no Brasil, o real vem sofrendo nas últimas sessões com o ambiente externo. O diferencial de juros ainda favorece a entrada de capital estrangeiro, mas o fator político-comercial tem pesado mais nas decisões dos investidores.

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Na última terça-feira, a moeda brasileira atingiu o menor valor desde junho de 2024, chegando a R$5,3864, mas voltou a se desvalorizar nesta quinta-feira.

Impasse comercial com os EUA alimenta cautela

Tarifa de 50% imposta por Washington

Na semana passada, o governo dos Estados Unidos anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o que acirrou tensões diplomáticas e comerciais. A medida pegou o mercado de surpresa e provocou temores sobre uma possível retaliação por parte do Brasil, além de incertezas sobre o impacto nas exportações nacionais.

Governo Lula busca negociação

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta encontrar canais de diálogo com a administração americana para reverter ou amenizar os efeitos das tarifas, mas ainda não houve avanços significativos.

Na tentativa de proteger as empresas brasileiras afetadas, Lula assinou nesta quarta-feira uma medida provisória que institui um plano de contingência.

MP do governo prevê ajuda emergencial às empresas afetadas

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Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Linha de crédito de R$30 bilhões

O destaque do plano anunciado pelo governo foi a criação de uma linha de crédito especial no valor de R$30 bilhões. O objetivo é dar fôlego financeiro a empresas exportadoras prejudicadas pela taxação americana.

No entanto, a medida foi recebida com ceticismo pelo mercado financeiro, que teme o impacto fiscal de uma ajuda dessa magnitude, especialmente em um momento de aperto nas contas públicas.

Preocupações fiscais

Analistas avaliam que o pacote pode comprometer ainda mais as metas fiscais do governo, abrindo espaço para questionamentos sobre a credibilidade do arcabouço fiscal. Há receio de que a ajuda emergencial sirva de pretexto para flexibilizar as metas de superávit ou de controle de gastos, o que pode pressionar ainda mais a cotação do real.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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