Nesta segunda-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas aos juros fixados pelo Banco Central (BC), cujo aumento chamou de “vergonha”. Nesse sentido, o ex-diretor do BC, Alexandre Schwartsman, avalia que a fala de Lula contra o banco de nada ajuda.
Além disso, o economista argumenta que declarações como essas contribuem para elevar ainda mais as taxas. Para ele, mensagens dessa natureza fazem com que o receio de que a instituição seja obrigada a reduzir a Selic, sem que a inflação esteja em queda, cresça.
A fala de Lula foi feita na posse de Aloizio Mercadante como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “É uma vergonha esse aumento de juro”, opinou. Para ele, não há motivo para que a taxa básica de juros esteja em 13,75% ao ano.
A fala de Lula produz expectativa negativa, diz economista
Ao “Metrópoles”, Schwartsman explicou os perigos de forçar a redução da Selic sem que a inflação esteja controlada ou esteja em diminuição. Em suma, a fala de Lula produz uma expectativa negativa nos agentes econômicos, que tem receio de um BC submisso ao poder Executivo.
“Em tal cenário, tanto trabalhadores, na barganha salarial, como empresas, determinando preços para seus clientes, incorporam que a inflação à frente será mais alta”, descreve. Ele acrescenta que é possível que inflação atual acelere, por receio de uma taxa mais alta.
Também, para contextualizar os efeitos da fala de Lula, Schwartsman lembra de um episódio ocorrido em 2016. Na época, segundo o ex-diretor do BC, o então presidente da instituição, Alexandre Tombini, cedeu às pressões da presidente Dilma Rousseff quanto à Selic.
Consequências de interferência em 2016
Assim, Tombini promoveu uma alta de 0,5 % da taxa de juros. Schwartsman afirma que isso culminou em uma inflação e juros de dois dígitos. “Quem não aprende com a história está condenado a repeti-la”, concluiu o economista.
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