Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Ex-diretor do BC afirma que fala de Lula contra o banco só faz os juros subir

Especialista explica motivo pelo qual acredita que fala de Lula não ajuda na economia. Entenda argumentos usados por economista

Marcos CostaPor Marcos Costa2 min de leitura
Fachada do Banco Central do Brasil

Nesta segunda-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas aos juros fixados pelo Banco Central (BC), cujo aumento chamou de “vergonha”. Nesse sentido, o ex-diretor do BC, Alexandre Schwartsman, avalia que a fala de Lula contra o banco de nada ajuda.

Além disso, o economista argumenta que declarações como essas contribuem para elevar ainda mais as taxas. Para ele, mensagens dessa natureza fazem com que o receio de que a instituição seja obrigada a reduzir a Selic, sem que a inflação esteja em queda, cresça.

A fala de Lula foi feita na posse de Aloizio Mercadante como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “É uma vergonha esse aumento de juro”, opinou. Para ele, não há motivo para que a taxa básica de juros esteja em 13,75% ao ano.

A fala de Lula produz expectativa negativa, diz economista

Ao “Metrópoles”, Schwartsman explicou os perigos de forçar a redução da Selic sem que a inflação esteja controlada ou esteja em diminuição. Em suma, a fala de Lula produz uma expectativa negativa nos agentes econômicos, que tem receio de um BC submisso ao poder Executivo.

“Em tal cenário, tanto trabalhadores, na barganha salarial, como empresas, determinando preços para seus clientes, incorporam que a inflação à frente será mais alta”, descreve. Ele acrescenta que é possível que inflação atual acelere, por receio de uma taxa mais alta.

Também, para contextualizar os efeitos da fala de Lula, Schwartsman lembra de um episódio ocorrido em  2016. Na época, segundo o ex-diretor do BC, o então presidente da instituição, Alexandre Tombini, cedeu às pressões da presidente Dilma Rousseff quanto à Selic.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Consequências de interferência em 2016

Assim, Tombini promoveu uma alta de 0,5 % da taxa de juros. Schwartsman afirma que isso culminou em uma inflação e juros de dois dígitos. “Quem não aprende com a história está condenado a repeti-la”, concluiu o economista.

Imagem: Jo Galvao / Shutterstock

Marcos Costa

Autor

Marcos Costa

Formado em Comunicação - Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2018. Acumula experiências como repórter, redator web e copywriter. Já trabalhou nos portais "Bahia Notícias" e "Bnews", além da assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Topicos relacionados